Os caminhos de Armando Monteiro Neto nas eleições de 2018

Armando Monteiro Neto refuta especulações sobre candidatura / Foto: Agência Senado

Tido como candidato natural ao governo do Estado, o senador Armando Monteiro Neto (PTB) tem sido ofuscado na disputa sucessória. A frente de oposição formada por PSDB, DEM e PTB ganhou o reforço do senador Fernando Bezerra Coelho (PMDB), que entrou no partido e deve assumir o controle da legenda, após manobra da Executiva Nacional da sigla. O senador vem incensando o nome do filho, o ministro de Minas e Energia, Fernando Filho (ainda no PSB), para encabeçar a chapa. Com isso, o nome de Armando, que era visto como o mais forte para encarar o desafio, ganhou um rival. Nos bastidores, especula-se que ele pode disputar a reeleição ao Senado, com duas vagas em jogo. Armando classifica a discussão como prematura e defende que primeiro é preciso fortalecer os interesses comuns e não especular nomes.

Ao contrário de 2014, quando uma derrota eleitoral não significava a perda de um mandato, Armando avalia cuidadosamente a estratégia, se disputa o mandato para o governo ou a renovação da vaga no Senado.

De 2014 para cá, o petebista tem traçado estratégia para formar um grupo político de oposição ao governador Paulo Câmara (PSB) e conseguiu fazer prefeitos em cidades de médio porte, como Camaragibe, São Lourenço da Mata e Igarassu. Nas eleições suplementares, elegeu dois aliados: em Ipojuca e em Belo Jardim. O grupo político dele, no entanto, está em dois polos – um lado ruma com o PT, no caso do deputado Silvio Costa (PTdoB) e o outro, mais ligado ao grupo empresarial, ruma com PSDB e DEM. Desde o impeachment de Dilma (PT), o senador se descolou da sigla, de quem foi aliado em 2014.

O pé nos dois barcos pode render ao senador votos para renovar o mandato. Antes dessa frente de oposição ganhar fôlego, quando a discussão ainda era restrita aos bastidores, pesquisas de intenção de voto colocavam Armando com 22% das intenções de voto – o mais bem posicionado da oposição.

AVALIAÇÕES

Aliado de Armando, o deputado federal Silvio Costa (PTdoB) afirma que o senador sempre trabalhou para ampliar o leque da oposição em Pernambuco. “Na história do Estado sempre há um candidato natural à oposição e agora esse nome é Armando Monteiro Neto. E vou continuar defendendo que seja candidato com apoio do (ex) presidente Lula”, avalia.

Na mesma linha, o deputado federal Jorge Côrte Real (PTB) ratifica que a questão de nomes não está em debate. “Evidentemente que o nome do senador é forte. Ele tem toda experiência e se habilita bem, mas isso não está sendo colocado como prioridade. Assim como não está sendo colocado o de ninguém. Seria desagregador partir para isso agora”, diz.

O deputado defende que não há açodamento na escolha de quem será o cabeça da chapa e que importante é fortalecer o grupo de oposição. “Vamos ficar tranquilos porque não é questão de perder espaço. O que se quer é fortalecer um espaço, que é de oposição ao governo”, disse.

Armando critica a antecipação de chapas e diz que foco da discussão é a perspectiva do alinhamento das forças. Para ele, o movimento do grupo de FBC é positivo: revela um “movimento sísmico” no Estado.

“É uma mudança nas placas de forças que estão se deslocando e estão em movimento. O grande desafio agora é saber se essas forças podem encontrar pontos de identidade e convergência capazes de se expressar claramente numa agenda e se é possível que isso também se expresse numa candidatura dessas forças ou em duas…Acho que temos longo caminho a percorrer”, avalia. “Isso não tira perspectiva de projeto de ninguém, mas denota um esvaziamento do campo governista, que vem desidratando e perdendo força em função dessas defecções”, acrescentou, numa crítica ao governo Paulo Câmara.

Quanto à especulação de que pode concorrer à vaga do Senado, Armando reitera que se recusa a discutir chapa. “Não tem essa história de que alguém vai para um lugar ou para outro. Não se pode passar ideia de que tem um processo de pessoas. É preciso dialogar”.

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