‘Não tenho como controlar o que assessores fazem fora do gabinete’, diz Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro

O deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) negou ter conhecimento das movimentações financeiras do ex-assessor Queiroz. “Não tenho nada a ver com isso. Não tenho como controlar o que os assessores fazem fora do gabinete”, disse o filho do presidente, Jair Bolsonaro, em entrevista ao SBT veiculada na noite desta quinta-feira (10).

Flávio disse que a soma de salários de seu ex-assessor e de seus familiares já chegaria a “quase” o valor de R$ 1,2 milhão apontado pelo Coaf como “movimentação atípica” por Queiroz.  “Se você pega o salário dele no meu gabinete, mais o que ele recebe na Polícia Militar e mais o dos seus familiares, que depositavam dinheiro na conta dele, conforme ele próprio já declarou em alguma entrevista, dá quase esse valor”, disse Flávio, ressalvando que não estava fazendo uma defesa do ex-assessor.

O Coaf detectou que Queiroz recebeu depósitos de colegas do gabinete de Flávio, mais da metade até três dias úteis após o pagamento dos salários na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O órgão considera que a renda do ex-assessor, então de R$ 23 mil mensais, é incompatível com o dinheiro que passou por sua conta de janeiro de 2016 a janeiro de 2017: R$ 1,2 milhão. O ex-assessor alegou, em entrevista ao SBT, que ganhou dinheiro vendendo carros usados.

Flávio Bolsonaro não comparece para depor 

O senador eleito não compareceu ao depoimento marcado para esta quinta-feira (10), no Ministério Público, para esclarecer o caso. Em uma nota publicada em seu perfil no Facebook, na tarde desta quinta, ele justificou que não é investigado e que ainda não teve acesso aos autos do procedimento aberto pelo MP para falar das movimentações financeiras consideradas do ex-assessor.

Em seu perfil no Facebook, o filho mais velho do presidente justificou sua ausência afirmando que não é investigado e ainda não teve acesso aos autos do procedimento aberto pelo MP. Ao SBT, Flávio disse que pretende depor ao MP para “sepultar qualquer dúvida sobre minha pessoa”, mas não disse quando isso seria.

Como parlamentar, Flávio tem a prerrogativa de marcar dia, hora e local para depor. A Procuradoria informou por nota que o deputado estadual, valendo-se de sua prerrogativa parlamentar, “esclareceu ao MP que informará local e data para prestar os devidos esclarecimentos que porventura forem necessários”.

O MP, porém, havia divulgado em 21 de dezembro nota sobre o convite a Flávio para depor nesta quinta. Até a véspera, o deputado se recusava a dizer se iria ou não ao MP.

Queiroz e seus familiares (mulher e duas filhas, que fizeram depósitos na conta do ex-assessor) também não atenderam a convites anteriores do MP. O ex-assessor alegou estar em tratamento de um câncer – ele se submeteu a cirurgia no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, e está em recuperação. A mulher, Marcia Aguiar, e as filhas Nathalia e Evelyn de Melo Queiroz, também ex-assessoras de Flávio, informaram, por meio de advogado, estar cuidando de Queiroz, e, por isso, não foram depor.

Com a recusa de Flávio, 34 dias após a revelação do relatório do Coaf que apontou as movimentações atípicas, o MP do Rio ainda não conseguiu ouvir nenhum dos citados ligados a ele. Quando Flávio assumir a cadeira no Senado, o caso deverá seguir para a primeira instância. Com informações do Jornal O Estado de S.Paulo.

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