Para equipe econômica, troca de farpas entre Maia e Bolsonaro é ‘apocalipse’

Bolsonaro, Maia e o ministro da Economia, Paulo Guedes Foto: CAROLINA ANTUNES / AFP

A elevação do tom na discussão entre o presidente da Câmara dos Deputados e o presidente Jair Bolsonaro foi descrita dentro da equipe econômica como “apocalipse”. Os técnicos ficaram estarrecidos com a briga e temem que ela contamine a reforma da Previdência. Internamente, o ministro da Economia, Paulo Guedes, tenta reconstruir a relação entre os dois para não prejudicar ainda mais o projeto, considerado fundamental para a economia do país. No entanto, seu poder de conciliação pode ser limitado.

Guedes tem um bom relacionamento com Maia. E é considerado uma peça central do governo para se obter o apoio tanto do mercado financeiro quanto do setor produtivo. Enquanto isso, dois secretários do ministro se manifestaram neste sábado (23) por meio do Twitter. Nenhum deles defendeu Maia na questão e até colocaram combustível na briga.

O secretário da Previdência, Rogério Marinho, afirmou que a reforma não pode ser apenas um projeto do governo federal. E disse que a classe política deve cuidar do assunto.

“A nova previdência não é pauta apenas do Governo é pauta do País e como tal precisa ser encarada. O parlamento brasileiro mais uma vez fará sua parte para retomarmos o crescimento e devolvermos o Brasil para os seus legítimos donos o povo”, escreveu o secretário em seu perfil.

Já o secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, chegou a criticar diretamente o presidente da Câmara. Retrucou o fala de Maia sobre o governo ser um “deserto de ideias”. No entanto, ele não percebeu que o próprio deputado tinha feito à ressalva que a equipe de Guedes é exceção.

“O deputado Rodrigo Maia afirma que o governo é um ‘deserto de ideias’. Não aceito esta imputação. O Ministério da Economia sob Paulo Guedes tem sido um turbilhão renovador no país. Que me desculpe o amigo Rodrigo Maia, mas ficar calado significa aceitar esta injusta afirmação”, afirmou Cintra.

Em seguida, o economista Pedro Nery, que ajudou a equipe de Guedes na formulação da reforma da previdência, rebateu e disse que Maia afirmou que há uma “ilha de governo com o Paulo Guedes”.

Antes dessa crítica, Cintra havia defendido a reforma. Disse que a “brutal” queda na Bolsa de quase 6% na sexta-feira mostra que a economia e o povo  não suportarão o fracasso nas reformas estruturais como a previdenciária e tributária.

“Os políticos patriotas devem se unir, superar brigas pessoais e trabalhar pelo Brasil. O povo não vai tolerar fracassos”, declarou o secretário.

‘Falta suco de maracujá’, diz líder do PSL

O líder do PSL na Câmara dos Deputados, Delegado Waldir (GO), diz que vai recomendar à assessoria de Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Jair Bolsonaro uma dose de suco de maracujá e camomila para apaziguar os ânimos após o embate nos últimos dias.

– Está faltando suco de maracujá, camomila. São chefes de dois poderes travando essa guerra de farpas, e isso não é bom para o país. Não fica bem. A melhor ferramenta é o diálogo, o Brasil não precisa de extremismo, nem do presidente nem de Rodrigo Maia (presidente da Câmara), diz Waldir.

Após se afastar da articulação pela reforma da Previdência na última semana, Rodrigo Maia (DEM-RJ) disse que cabe ao presidente Jair Bolsonaro a tarefa de construir a base governista. O presidente da Câmara promete comandar a votação, mas reclama dos ataques que vem sofrendo nas redes sociais partindo de aliados de Bolsonaro.

Segundo Waldir, o governo “não tem base” no Congresso e conta apenas com os 54 deputados do partido para apoiar suas propostas, o que deveria ser corrigido pelos responsáveis no governo pela interlocução política. Hoje, são o general Santos Cruz (Secretaria de Governo) e Onyx Lorenzoni (Casa Civil), que Waldir não cita nominalmente.

– Cada pessoa tem uma missão. No governo, tem pessoas com o papel de fazer o diálogo com o Parlamento. Elas estão desempenhando bem essa função? É o líder do PSL que tem que ficar colocando panos quentes? Essa construção tem que ser feita pelas pessoas que o presidente da República destinou para fazer isso, não é papel pessoal dele.

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