Por TEREZINHA NUNES do BlogDellas Especial para o JC
-“Sou uma pessoa de missão e meu caminho está atrelado ao de Flávio Bolsonaro que é nosso candidato a presidente. Vou conversar com ele e o que ele decidir sobre meu destino politico e partidário eu vou acatar” – a declaração é do ex-ministro Gilson Machado, que até pouco tempo admitia a possibilidade de deixar o PL (conversou com o Podemos e o Novo) para ser candidato ao Senado após dificuldades de relacionamento com o presidente do PL de Pernambuco, o ex-prefeito de Jaboatão Anderson Ferreira, também pré-candidato ao Senado. Agora Gilson admite a possibilidade de continuar na legenda, se Flávio assim decidir o que é praticamente uma admissão de mudança de plano pois nenhum candidato a presidente vai querer liberar um quadro partidário forte para favorecer adversários.
Se a permanência dele no PL se confirmar, o que já dado como certo no meio político, Anderson Ferreira se consolida para disputar o Senado com força na direita e Gilson deve ser candidato a deputado federal lançando Gilson Filho, atual vereador do Recife – o segundo mais votado na última eleição – como candidato a estadual. Anderson, por seu turno, abre as portas para o entendimento: “não temos nenhum problema com Gilson ou Gilsinho. Nossas portas estão sempre abertas ao entendimento e creio que neste momento em que Flávio será candidato o partido tem mais é que unir forças para crescer mais em Pernambuco”- afirma.
As cartas de Gilson e Anderson
Em 2022, na onda do bolsonarismo, tanto Anderson quanto Gilson Machado foram bem votados na eleição majoritária do estado. Candidato a governador, Anderson terminou em terceiro lugar no primeiro turno com 18,15% os votos ( Marilia Arraes teve 23,97% e Raquel 20,58%). Ele teve 219 mil votos a menos do que Raquel. Candidato ao Senado, Gilson Machado acabou em segundo com 29,55% dos votos ( Teresa Leitão, do PT, foi eleita com 46,12% e em terceiro lugar ficou o então deputado federal André de Paula que estava na chapa de Marília e conseguiu 12,69% dos votos).
Estratégia errada
Com o movimento para fora do partido, Gilson Machado acabou enfraquecido na sua pretensão de disputar o Senado pelo PL, apesar do ex-presidente Jair Bolsonaro ter dito em entrevista antes de ser preso que ele era o nome que tinha para a disputa majoritária deste ano. Seu maior pupilo no partido, o deputado estadual Alberto Feitosa, decidiu se aliar a Anderson após reunião em Brasília onde, segundo ele, ficou claro que o candidato da legenda ao Senado será mesmo o ex-prefeito de Jaboatão. O deputado federal coronel Meira, presidente do PL no Recife, diz que o suplente de vereador do Recife Paulo Abou Hanna, que teve apoio de Gilson, o procurou para um entendimento na legenda.
Embora esteja decidido a disputar o Senado, o PL não pensa em ter candidato a governador. “Nosso objetivo é o Senado e a eleição proporcional” – diz Anderson. Meira é mais objetivo ainda : “não podemos perder, temos que ganhar e no quadro atual o PL não teria chance na eleição para governador”. Essa disposição do PL para disputar o Senado e não o Governo pode provocar mudanças na estratégia da governadora Raquel Lyra. Se a disposição do presidente Lula de ter dois palanques no estado vingar, ela corre o risco de não ter a direita em seu palanque e o PL tem um enorme tempo de TV capaz o tempo da governadora. Nesse caso o PL iria para o jogo pelo Senado de forma avulsa.
Outra vantagem de Anderson é que ele faz parte de uma direita mais light , chamada também de “civilizada” e tende a conseguir uma grande votação no meio evangélico, sobretudo na Região Metropolitana do Recife. Na disputa para o Governo em 2022 ele terminou em primeiro lugar no primeiro turno em municípios como Olinda, Camaragibe, Paulista e Jaboatão. Para dar uma idéia da força que tem no Recife ele ficou em 2.o lugar na capital na eleição para governador em 2022. Raquel teve 24,33% e ele 24,03%. Marília chegou em terceiro com 18,65%.
Podemos e Novo prejudicados
Caso Gilson faça mesmo as pazes com o PL, como se prevê, o Podemos e o Novo, que vinham conversando com ele, perderão a chance de ter um potente nome para reforçar a chapa de deputado federal. Na verdade, embora o ex-ministro continue falando na candidatura a senador, as duas legendas trabalham seu nome como possibilidade para a Câmara Federal pois não desejam entrar na disputa majoritária. No meio político estima-se que Gilson, se for candidato a federal pelo PL, pode ter mais de 300 mil votos. Mudando de legenda pode chegar aos 200 mil. Já Gilson Filho como candidato a deputado estadual em dobradinha com o pai, pode ter no PL mais de 100 mil votos.
Como o vereador Eduardo Moura, do Novo, vai disputar a Câmara Federal o PL seria favorecido com o nome de Gilson não só pela grande votação prevista para ele, como porque seu nome poderia atrair outros candidatos ao cargo. A bancada federal do PL torce junta para que o ex-ministro permaneça no partido. Hoje são federais da legenda André Ferreira – o mais votado na eleição de 2022 no estado – pastor Eurico, coronel Meira e Fernando Rodolfo. Desses possivelmente só André Ferreira pode se garantir sozinho sem precisar de votos de outros candidatos para se eleger. Meira, Eurico e Rodolfo não têm esse mesmo cacife.
Unificado e com o bolsonarismo de volta agora através do senador Flávio Bolsonaro – “ muita gente imaginava que a polarização ia acabar mas ela está consolidada para a eleição deste ano”, diz Anderson, ele explica que o PL tem tudo para eleger 5 deputados federais – atualmente tem quatro – e até 8 estaduais, três a mais do que elegeu em 2022. Faz segredo sobre a composição das chapas:” nesse momento isso não.
