Após bate-boca, Dino diz a Fachin que falas em sessão não foram “pessoais”

Ministros Flávio Dino e Edson FachinDa CNN

O ministro Flávio Dino procurou o presidente do STF, ministro Edson Fachin, no intervalo da sessão desta terça-feira (15) para esclarecer ao colega que não teve a intenção pessoal ao rebatê-lo durante a primeira parte da sessão da Corte.

Na sessão, que teve início às 10 horas, os ministros do STF analisam um relatório da PF (Polícia Federal) que reúne mensagens atribuidas a Alexandre de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo bastidores, a relação entre os dois está estremecida há dias. Em duas ocasiões durante o julgamento, Flávio Dino fez críticas a Edson Fachin sobre decisões tomadas por ele como presidente da Corte.

Em uma delas, Dino interrompeu a fala do ministro Dias Toffoli e, em seguida, o presidente da Corte chamou a atenção de Dino, dizendo que, antes de interromper, era preciso pedir a palavra ao presidente do Supremo.

Os dois divergiram sobre entendimento do Regimento Interno do STF que trata das regras para que um ministro possa ter direito à palavra durante uma sessão.

Na sequência, Dino fez provocação a Fachin, ao elogiar o ministro Kassio Nunes Marques, que se declarou impedido de julgar o caso.

“Como Vossa Excelência disse no início, é preciso preservar ponderação, temperança, equilíbrio”, afirmou. O presidente da Corte rebateu: “Exatamente, inclusive para seguir o Regimento”.

Em um segundo momento, Flávio Dino disse a Fachin, que “em nenhum tribunal do país, nenhum, não é só no Supremo, um presidente pode destituir um relator“, se referindo à decisao do presidente da Corte de avocar para si a relatoria de inquéritos envolvidos nas investigações da PF sobre o Master e INSS, um deles de Flávio Dino.

“Vossa Excelência avocou cinco processos. Um meu, três do André e um do Alexandre.”

Dino argumentou que a estabilidade dos relatores serve como barreira de proteção contra ingerências administrativas, ressaltando que a atuação dos magistrados deve se ater estritamente aos ditames do devido processo legal. “A capa de Vossa Excelência é igual à minha. […] Por que é igual? Porque esse é um Tribunal de iguais.”

“Crise sem precedentes”: confira a repercussão do julgamento histórico no STF

Agências como Reuters, Associated Press e Agence France-Presse acompanham o julgamento/Alejandro Zambrana/STFEstadão Conteúdo

O julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes ganhou repercussão na imprensa internacional nesta terça-feira (15). Veículos estrangeiros destacam o ineditismo da possibilidade de um ministro em exercício da Corte ser alvo de uma investigação, além das divisões internas do tribunal e dos possíveis impactos da crise sobre a eleição presidencial de outubro.

Agências como Reuters, Associated Press (AP) e Agence France-Presse (AFP) acompanham o julgamento. As reportagens apresentam o episódio como mais um desdobramento da crise que envolve o STF e o caso Banco Master.

A Reuters foi uma das agências a dar destaque ao caráter inédito da sessão. A reportagem afirma que o Supremo deve decidir sobre uma “investigação sem precedentes” contra um de seus ministros em exercício e relaciona o julgamento ao agravamento da crise na Corte poucas semanas antes da eleição presidencial.

A agência britânica também chama Moraes de um dos ministros mais poderosos do STF e destaca o confronto com André Mendonça, responsável pela determinação da investigação. Na avaliação apresentada pela Reuters, o episódio ocorre em um momento particularmente sensível para o país, diante da proximidade da disputa eleitoral.

A Associated Press (AP) colocou o julgamento no contexto da crise interna do Supremo. A agência destacou o papel de Moraes nos processos que levaram à condenação e à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e apontou a disputa entre os ministros como parte de um cenário de tensão que ultrapassa os limites do tribunal e alcança a corrida presidencial.

A cobertura da AP foi reproduzida por veículos como o The Washington Post e a ABC News. O Washington Post ressaltou que o embate entre Moraes e Mendonça ocorre em meio à polarização política brasileira e que a crise no Supremo repercute diretamente no ambiente eleitoral.

Já a ABC News descreveu o momento vivido pela Corte como uma “crise sem precedentes”, relacionando a turbulência ao colapso do Banco Master e às suspeitas que passaram a envolver integrantes dos Poderes.

O britânico The Economist dedicou espaço ao episódio e afirmou que o STF “está em crise”. A publicação colocou Moraes no centro da controvérsia e destacou as suspeitas relacionadas aos seus vínculos com Daniel Vorcaro, além do conflito com Mendonça.

A AFP também destacou as relações de Moraes com Daniel Vorcaro, além do embate entre o ministro e Mendonça, e afirmou que a controvérsia “passou a se sobrepor à campanha presidencial” brasileira.

Quaest: Crise do STF anima o eleitor de direita e pode ajudar Flávio Bolsonaro

O presidente Lula (PT), candidato à reeleição e Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PLPor TEREZINHA NUNES

Ouvidos pela Quaest em pesquisa divulgada esta segunda-feira, 67% dos brasileiros afirmaram que a crise do STF que vai mobilizar a opinião pública brasileira esta terça-feira quando o pleno do Supremo decide se autoriza ou não uma investigação sobre a conduta do ministro Alexandre Moraes, não terá “nenhuma influência” sobre voto para presidente da República no dia 4 de outubro, já 22% disseram que a crise reforça a escolha já feita e apenas 7% admitem a possibilidade de mudar o voto, de acordo com os acontecimentos.

Em uma eleição muito disputada na qual Flávio Bolsonaro, nesse mesmo levantamento da Quaest, aparece com 42% das intenções de voto no segundo turno e Lula tem 40% – foi a primeira vez em pesquisa do Instituto que Flávio ultrapassou Lula – a possibilidade de que 7% dos eleitores venham a mudar o voto com o desdobrar da crise, já é suficiente para alertar os dois candidatos pois o resultado, para um ou para outro, pode acabar com uma diferença mínima.

O cientista político e diretor da Quaest Felipe Nunes disse, ao apresentar o resultado na Globo News, que um dado significativo da mostra é o fato de que, no segmento ideológico, muito presente nesta eleição presidencial, 40% dos eleitores de direita e 35% dos bolsonaristas declararam que a crise reforça o desejo de comparecer às urnas e votar, quando entre os de esquerda e os lulistas esta disposição chega apenas a 10%. Entre os independentes o percentual é de 19%.

Nessa situação ele afirmou que neste momento a crise pode beneficiar Flávio Bolsonaro, mesmo que ele esteja enfrentado uma investigação sobre o financiamento pelo Banco Master – leia-se Daniel Vorcaro – do filme Dark Horse, sobre a vida de Jair Bolsonaro, seu pai, ao qual ele pediu e cobrou recursos para custear a película. Lembrou que a mobilização dos eleitores para votar no dia da eleição será fundamental e como a direita, diante da crise, se mostra mais animada do que a esquerda para comparecer às urnas e lutar por mudança, Flávio poderia ser beneficiado.

O levantamento mostrou também que neste momento a crise do STF já é do conhecimento de grande parte da população brasileira ao ponto de 48% dos entrevistados terem declarado que estão bem informados sobre ela, 27% disseram que sabiam da crise mas não estavam bem informados e apenas 25% afirmaram que não tinham tomado conhecimento. Indagados sobre quais os segmentos estariam mais afetados pelo problema criado na Suprema Corte, 46% afirmaram que todos, 17% citaram o STF, 15% a família Bolsonaro e 9% o presidente Lula.

Apoio a Mendonça

Indagados sobre quem tem agido corretamente no episódio 37% citaram o ministro André Mendonça, 16% o ministro Alexandre de Moraes, 20% nenhum e 2% os dois. Nunes considerou impressionante o fato de 73% dos entrevistados afirmarem que já sabiam dos problemas que envolviam o ministro Alexandre de Moraes. Ao responder a uma pergunta sobre o fato do sentimento de mudança no comportamento do STF vir a afetar o presidente já que ele vai participar de uma eleição e estava se vinculando a Alexandre de Moraes nos últimos dias, Nunes disse que sim é possível que isso aconteça. Afirmou ainda que em hora de mudança quem acaba mais afetado é quem está no poder.

“Toda cidade com mais de 60 mil habitantes vai ter uma delegacia da mulher 24 horas”, diz João Campos

Candidato ao Governo de Pernambuco também prometeu quatro novos hospitais, 94 obras para ampliar o abastecimento de água e respondeu a questionamentos sobre sua gestão na Prefeitura do Recife.

João Campos (PSB) participou nesta segunda-feira (14) de entrevista ao NE1, conduzida por Márcio Bonfim e Maristela Niz. Durante cerca de 30 minutos, apresentou propostas para um eventual governo e respondeu a questionamentos sobre episódios de sua administração no Recife.

Entre as propostas, João afirmou que pretende construir quatro hospitais em Pernambuco e executar um plano com 94 obras voltadas à ampliação do abastecimento de água. Também defendeu a duplicação de rodovias, entre elas a PE-90, e voltou a prometer isenção do IPVA para motocicletas de até 180 cilindradas.

Na segurança pública, anunciou a intenção de criar um “Pacto Antifacções”, com videomonitoramento nas divisas do estado, integração de informações e participação da Secretaria da Fazenda no rastreamento de recursos ligados ao crime organizado.

Ao falar sobre violência contra as mulheres, prometeu adquirir 20 mil tornozeleiras eletrônicas no primeiro mês de governo e ampliar a rede de Delegacias da Mulher.

“Nós vamos duplicar a rede. Toda cidade com mais de 60 mil habitantes vai ter uma delegacia da mulher 24 horas”, afirmou.

João também defendeu a construção do Hospital da Criança do Agreste, Centros TEA em todas as regiões e escolas em tempo integral.

Questionado sobre o chamado caso “fura-fila”, envolvendo um concurso para procurador do Recife, o candidato negou favorecimento e afirmou que houve uma disputa administrativa envolvendo duas pessoas com deficiência. A nomeação questionada acabou sendo revertida após a repercussão do caso.

A entrevista também abordou os atrasos e aditivos em obras como o calçadão de Boa Viagem e o Mercado de São José. João afirmou que as alterações seguem a legislação e citou, no caso do mercado, descobertas arqueológicas que modificaram o cronograma.

Sobre a concessão da Compesa, criticou o modelo adotado pelo governo Raquel Lyra e disse que o principal problema de Pernambuco é aumentar a produção de água por meio de poços, adutoras e barragens.

João afirmou ainda que, se eleito, pedirá ao presidente Lula a transferência da responsabilidade pela Transnordestina para Pernambuco e disse que pretende concluir a obra em quatro anos.

A série de entrevistas do NE1 foi organizada com os candidatos que alcançaram pelo menos 5% das intenções de voto na pesquisa Datafolha divulgada em 11 de setembro. Nesta terça-feira (15), a entrevistada será a governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD).

Fonte: Portal G1
Foto: Brenda Alcântara

Moraes nega favorecer Vorcaro e segundo contrato do escritório da mulher

Da CNN

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou que jamais atuou em processos envolvendo Daniel Vorcaro ou o Banco Master e negou ter praticado qualquer ato para favorecer o empresário.

Em defesa por escrito apresentada à Corte na madrugada desta terça-feira (15), o magistrado também contestou a existência de um segundo contrato entre o escritório de sua família e empresas ligadas ao ex-banqueiro.

A manifestação foi entregue horas antes do início da sessão plenária histórica que, a partir das 10h, analisará se abrirá uma investigação contra Moraes após um relatório da PF (Polícia Federal) apontar supostas mensagens entre o ministro e o ex-banqueiro. O sigilo do material foi levantado pelo ministro André Mendonça, relator da investigação sobre o Banco Master.

“O ministro Alexandre de Moraes JAMAIS JULGOU qualquer processo do Banco Master ou de Daniel Vorcaro, antes, durante ou depois do contrato. Não há qualquer sentença, decisão ou ato de ofício de sua autoria em relação ao Banco Master ou Daniel Vorcaro”, escreveu.

Moraes afirmou ainda que o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, comandado por sua mulher, Viviane Barci de Moraes, nunca atuou para o Master ou para Vorcaro no STF.

“O escritório esclareceu ainda que nunca atuou em nenhuma causa para o Banco Master ou de Daniel Vorcaro no âmbito do STF. REPITO: Nenhuma”, declarou.

O ministro também defendeu o direito da mulher e dos dois filhos do casal de exercerem a advocacia e afirmou que jamais atuou em casos envolvendo a banca.

“Minha mulher e meus dois filhos são advogados e têm direito, como todos os demais advogados, a exercer a profissão, sempre com respeito à legislação e à ética. Importante relembrar que jamais atuei em qualquer caso envolvendo o escritório Barci de Moraes”, disse.

Segundo Moraes, o escritório foi contratado pelo Banco Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025 para prestar “ampla consultoria e atuação jurídica”. Ele afirmou que os serviços foram documentados e que os honorários recebidos foram declarados por meio da emissão de notas fiscais.

João Campos propõe criação de departamento de combate aos crimes cibernéticos em Pernambuco

Candidato ao Governo do Estado se reuniu com delegados e delegadas na ADEPPE nesta segunda-feira (14) e apresentou propostas para fortalecer a Polícia Civil, ampliar investimentos em tecnologia e preparar a segurança pública para enfrentar as novas formas de criminalidade

O candidato ao Governo de Pernambuco e líder da Frente Popular, João Campos (PSB), propôs a criação de um departamento de combate aos crimes cibernéticos em Pernambuco, com investimentos em tecnologia e estrutura especializada para enfrentar o crescimento dos crimes digitais. A proposta foi apresentada nesta segunda-feira (14), durante reunião com integrantes da Associação dos Delegados e Delegadas de Polícia de Pernambuco (ADEPPE), que discutiu os desafios da segurança pública, o fortalecimento da Polícia Civil e as demandas da categoria. Também participaram o presidente da ADEPPE, delegado Diogo Victor; a vice-presidente, delegada Claudia Molinna; o segundo vice-presidente, delegado Guilherme Kerth; e o candidato a vice-governador, Carlos Costa.

“A gente vai implantar um programa de segurança que vai trazer investimento em tecnologia, que é uma demanda deles, e ter departamento de combate aos crimes cibernéticos que nós criaremos”, afirmou João.

O candidato destacou que a estrutura será necessária diante do crescimento de crimes como golpes de Pix, fraudes bancárias, clonagem de WhatsApp, furtos de celulares e falsos call centers, que atingem principalmente pessoas de baixa renda e idosos. “Não adianta ter uma delegacia em Pernambuco para isso tudo. A gente vai criar um departamento para fortalecer e fazer com que o Estado de Pernambuco esteja pronto para combater todas as formas de crime, inclusive os crimes digitais, que são muito crescentes”, acrescentou.

João também propôs a criação de uma estrutura administrativa específica para cuidar das demandas operacionais da Polícia Civil, permitindo que os profissionais da instituição tenham melhores condições para se dedicar ao trabalho de investigação e combate à criminalidade. “A gente tem que criar uma estrutura específica para gerenciar o administrativo. A gente precisa vencer as coisas básicas de infraestrutura de delegacia, de computador, de papel, de material de expediente, do funcionamento de escala, de combustível de carro, de manutenção”, afirmou.

A proposta prevê que profissionais do próprio quadro da Polícia Civil possam atuar na área administrativa, com remuneração adicional pela função. “Fazer essa seleção dos administrativos para cuidarem da parte organizacional e a gente garantir uma remuneração extra para isso é algo que eu faria. E, prioritariamente, por pessoas do quadro da Polícia Civil”, disse.

Para reforçar o enfrentamento à criminalidade, João também propôs a criação de um departamento e de uma força integrada de combate ao crime organizado, com participação estratégica da Secretaria da Fazenda no rastreamento de recursos ilícitos e no combate à lavagem de dinheiro e às grandes facções. “O que é que o crime precisa saber? É que aqui no estado de Pernambuco vai ter uma integração de tal forma que o dinheiro do crime vai ser rastreado e que a gente tem que ser um ambiente hostil à presença financeira do crime organizado”, declarou.

O candidato também defendeu o fortalecimento da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) e afirmou que não haverá tolerância com agentes públicos e políticos que atuem de forma conivente com organizações criminosas. “Não podemos ver organizações criminosas entrando na política e fazendo com que o nosso território seja espaço para o crime. Então, comigo, não terá vida fácil”, afirmou.

Na proteção às mulheres, João reafirmou o compromisso de ampliar a rede de Delegacias da Mulher para municípios com mais de 60 mil habitantes, garantindo funcionamento 24 horas e equipes femininas preparadas para o acolhimento das vítimas. “A gente já tem um compromisso em todos os municípios com mais de 60 mil habitantes: fazer a abertura, garantir o funcionamento de 24 horas, garantir um corpo feminino de trabalho nas delegacias para a gente poder ter o cuidado mais rigoroso possível”, afirmou.

João também defendeu o monitoramento de medidas protetivas por meio de tornozeleiras eletrônicas e destacou que a falta de recursos não pode impedir a proteção das mulheres. “Não dá para você ter 18 mil medidas não monitoradas só no papel”, disse.

A atenção aos profissionais de segurança também esteve entre os temas discutidos. João propôs a criação de um Centro de Cuidado com a Saúde Mental dos Trabalhadores da Segurança Pública de Pernambuco, com atendimento especializado para policiais civis e militares. “A gente tem que ter o Centro de Cuidado com a Saúde Mental dos Trabalhadores da Segurança de Pernambuco. O meu compromisso é que a gente tem que começar pelas forças de segurança, pela Polícia Civil e Militar”, afirmou.

Ao tratar da relação com as instituições, João defendeu a autonomia da Polícia Civil e o diálogo permanente com os profissionais de segurança. “Governador nenhum tem que interferir na Polícia Civil pelos seus interesses. Polícia Civil tem que ser preservada, respeitada”, afirmou.

João ainda defendeu a construção de um novo modelo de segurança pública para Pernambuco, baseado em critérios técnicos, investimentos, inovação e participação das categorias. “Não tem como um governo ter resultado se ele não dialoga com quem trabalha para o Estado e pelo Estado”, concluiu.

Oposição se organiza para pressionar por investigação contra Moraes

Da CNN

Senadores da oposição devem aproveitar a sessão histórica do STF (Supremo Tribunal Federal), marcada para esta terça-feira (15), para retomar um movimento contra o ministro Alexandre de Moraes. A ideia é pressionar para que o Supremo instaure uma investigação contra o magistrado.

No mesmo horário em que o Supremo dará início à análise do caso, às 10h, opositores devem promever uma reunião da Comissão de Direitos Humanos do Senado. A CNN apurou que o encontro será usado para tecer críticas ao ministro indicado ao Supremo por Michel Temer.

Ainda na segunda (14), os senadores Rogério Marinho (PL-RN), Damares Alves (Republicanos-DF), Carlos Viana (PSD-MG), Carlos Portinho (PL-RJ), Tereza Cristina (PP-MS) e o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), se reuniram para pedir a instauração de um processo contra o ministro do STF e defender uma mudança no regimento interno do Senado para facilitar o impeachment de magistrados da Corte.

Na ocasião, os parlamentares ainda divulgaram um manifesto no qual dizem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Moraes são parte do “mesmo sistema”. A oposição tem buscado associar a imagem do presidente Lula ao ministro. O grupo usa como exemplo a reunião recente entre os dois e o fato de Moraes ter sido relator da trama golpista, que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Apesar da recente aproximação, o ministro votou contra a concessão de um habeas corpus ao presidente Lula, em 2018, apresentado pela defesa do petista para tentar impedir a prisão do hoje mandatário, condenado em janeiro daquele ano a 12 anos e 1 mês pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

Flávio e governistas reagem

Principal oponente de Lula ao Palácio do Planalto nas eleições deste ano, Flávio Bolsonaro (PL) tem afirmado que “quem vota em Lula, vota também em Moraes”. O senador do Rio de Janeiro disse que, a seu ver, com tudo o que já veio à tona, a maioria do Supremo teria a obrigação de autorizar o início das investigações contra Moraes. O candidato ainda pediu o afastamento do magistrado do cargo.

Flávio voltou a dizer que Moraes usa o inquérito das Fake News para perseguir adversários políticos e pediu transparência de todas as investigações na Suprema Corte. Isso inclui as investigações relativas ao filme Dark Horse, para o qual Flávio pediu patrocínio a Daniel Vorcaro, ex-banqueiro dono do Banco Master, e as fraudes no INSS, especialmente perante as suspeitas de possível tráfico de influência de Lulinha, filho do presidente Lula.

Congressistas da base do governo veem o movimento da oposição com preocupação e entendem que o julgamento do caso envolvendo Moraes pode acabar desgastando a candidatura à reeleição de Lula.

Por outro lado, um aliado de Flávio disse à reportagem que, seja qual for o resultado no Supremo, a campanha do candidato do PL pode sair ganhando por capitalizar em cima da insatisfação da população com a crise. Aliados buscam imprimir a imagem de que, se Lula vencer e continuar na Presidência, o “dito status quo” do Supremo não mudará.

A sessão desta terça-feira discutirá a validade de um relatório produzido pela Polícia Federal a pedido do ministro André Mendonça e a possibilidade de abertura de uma investigação contra Moraes. A PGR (Procuradoria-Geral da República) sustenta que Mendonça não poderia ter determinado apurações sobre um integrante do STF sem autorização do plenário e pediu a nulidade da medida.

A abertura de investigação contra Moraes tem como base as mensagens trocadas entre o ministro e Vorcaro. Nas conversas, o ex-banqueiro chegou a perguntar a Moraes se deveria sair do Brasil dois dias antes de ser preso e também agendou encontros com o magistrado.

João Campos propõe contratar mais de 8 mil policiais para reforçar a segurança em Pernambuco

João Campos propõe contratar mais de 8 mil policiais para reforçar a segurança em Pernambuco

O ex-prefeito do Recife e candidato ao governo de Pernambuco, João Campos (PSB), propõe a contratação de mais de 8 mil policiais para reforçar o efetivo da segurança pública em todo o estado. O plano também prevê novas patrulhas, integração com as guardas municipais, monitoramento das divisas e ações de prevenção.

“Vamos contratar mais de oito mil policiais, vamos lançar a Patrulha Escolar, Patrulha nos Bairros e trabalhar junto com as guardas civis municipais”, afirmou Campos.

Monitoramento e Compaz
João Campos também propõe o programa De Olho na Estrada, para reforçar o monitoramento das divisas de Pernambuco, e a expansão do Centro Comunitário da Paz (Compaz) para todas as regiões do estado como estratégia de prevenção à violência.

“Segurança pública precisa ser enfrentada de perto e todo dia. Nas comunidades, trabalharemos de maneira integrada com as forças policiais: Patrulha Escolar, Patrulha dos Bairros e as guardas municipais. E, para atuar na prevenção, vamos levar o modelo de Compaz do Recife para todas as regiões, um equipamento reconhecido pela ONU por diminuir a violência no entorno das comunidades”, pontuou o candidato.

Com informações da assessoria de imprensa. 

Crise no STF avança entre independentes e aumenta o risco para Lula

Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF)Por Igor Maciel

A crise do Supremo Tribunal Federal já chegou à eleição. A Quaest mostra que 56% dos brasileiros não confiam na Corte e apenas 9% confiam muito. Um tribunal com tamanho poder e tão pouca confiança pública vira parte da disputa, mesmo sem pedir voto. Pior ainda quando seus ministros oferecem ao eleitor uma briga pública, personagens definidos e suspeitas suficientes para abastecer o imaginário popular contra a corrupção por meses, incluindo a campanha até outubro.

Desgaste

Em agosto, 46% diziam não confiar no STF. Agora são 56%. No mesmo período, o grupo que confiava muito caiu de 18% para 9%. Em apenas um mês, a desconfiança cresceu dez pontos e a confiança mais sólida foi reduzida pela metade.

O desgaste atingiu quase todos os grupos. Entre os lulistas, a desconfiança passou de 27% para 30%. O movimento mais grave ocorreu entre os que confiavam muito na Corte. Eram 41% em agosto e agora são 23%. Até onde havia simpatia política, começa a faltar disposição para defender o tribunal.

Entre os bolsonaristas, a rejeição continua elevada, com 69%. Esse número já foi maior e chegou a 83% em março. A crise atual, portanto, não está apenas reforçando uma hostilidade antiga. Ela avança mudando de lado também. Na medida em que os bolsonaristas se identificam com Mendonça no embate contra Moraes, a confiança deles melhora.

Independentes

Entre os independentes, a parcela dos que não confiam no STF saltou de 50% para 65%. Uma alta de quinze pontos em um mês. É nesse mesmo grupo, talvez não por acaso, que Flávio Bolsonaro (PL) apresenta um de seus melhores resultados contra Lula (PT).

No segundo turno, Flávio tem 36% entre os independentes. Lula aparece com 26%. Na rodada de 7 de setembro, o placar era de 32% a 28%. A diferença cresceu de quatro para dez pontos e saiu da margem de erro específica do segmento.

Há ainda 29% que votariam em branco, anulariam ou não votariam e outros 9% de indecisos. Flávio lidera, mas o grupo permanece bastante disponível. São eleitores que desconfiam do Supremo e ainda não decidiram se essa insatisfação será suficiente para levá-los até o candidato do PL.

A pesquisa não afirma que uma coisa provocou a outra. A política, porém, não costuma esperar por uma certidão. Quando a rejeição a uma instituição cresce no mesmo eleitorado em que avança o candidato que a combate, qualquer campanha minimamente atenta sabe o que fazer com a coincidência.

Ministros do STF veem “tensão extrema” na véspera de sessão sobre Moraes

Em meio ao embate interno que atravessa o STF (Supremo Tribunal Federal), ministros da Corte ouvidos pela CNN Brasil descrevem o cenário atual nos bastidores da Corte como de “tensão extrema”.

A guerra de ofícios que marcou o fim de semana e o aumento das pressões sobre a cúpula do STF contribuíram para um cenário imprevisível a respeito da sessão marcada para amanhã.

As pressões vindas dos dois lados — seja do grupo mais alinhado a Alexandre de Moraes ou de André Mendonça — recaem principalmente sobre o ministro Edson Fachin, presidente do STF.

Na ala pró-Moraes, há especulações sobre questões de ordem e preliminares, que possam contribuir para jogar para a frente a discussão sobre o pedido de investigação contra o ministro, dada suspeita da PF (Polícia federal) sobre o vínculo dele com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

A ideia seria abrir o julgamento com ponderações sobre questões processuais.

Ainda de acordo com magistrados ouvidos sob reserva, um possível pedido de vista segue no radar. Este é um instrumento que o grupo alinhado a Moraes prefere evitar, dado o desgaste político. Mas a hipótese não está descartada, avaliam ministros.

Apesar das pressões por um adiamento da sessão, Fachin vem sinalizando que manterá a análise marcada para amanhã.

O ministro também vem resistindo aos pedidos capitaneados pela ala pró-Moraes, para que o julgamento do pedido de investigação contra o ministro seja realizado em conjunto com a análise do caso de Mendonça, marcado para o dia 23.

Fachin vem agindo para driblar as pressões. Como informou o analista da CNN Caio Junqueira, o presidente do STF avalia, inclusive, a possibilidade de antecipar seu voto sobre Moraes já na abertura da sessão desta terça-feira (15).