Lula, sobre a crise do STF: “Estou indignado, porque sociedade brasileira não merece isso”

Lula defendeu a preservação da imagem do Supremo e a investigação das suspeitas, com as garantias legais (Reprodução/Youtube)

Estadão Conteúdo

O presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), voltou a defender nesta quarta-feira, 16, uma reforma do Poder Judiciário ao criticar a sessão da terça-feira (15), do Supremo Tribunal Federal (STF) que discutiu a abertura de investigação sobre as relações do ministro Alexandre de Moraes com o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Em participação no podcast Desce a Letra Show, o petista disse estar “indignado” com a crise na Corte e apresentou mudanças no Judiciário e na política como compromisso para um eventual quarto mandato.

“Vamos fazer uma reforma no Poder Judiciário. A partir de agora, eu acho que não tem como não discutir mais isso”, declarou Lula.”Não é uma coisa feita de forma precipitada, mas a gente precisa começar a pensar, fazer reforma nas instâncias do Poder Judiciário, porque tem muita queixa e a imagem não está boa”, afirmou.

O presidente não detalhou quais mudanças pretende propor nem apresentou um cronograma.

Os ministros do STF reuniram-se em sessão plenária extraordinária na terça-feira (15) para julgar o pedido do ministro André Mendonça de abrir uma investigação sobre as relações de Moraes com Vorcaro. Ao comentar o debate, Lula disse ter acompanhado parte da discussão pela televisão e criticou o que viu.

“Eu assisti uma parte dele, não é correto”, afirmou o presidente da República. “Eu estou indignado porque a sociedade brasileira não merece isso.”

Lula defendeu que a apuração das suspeitas seja acompanhada da punição dos responsáveis e de uma discussão sobre mudanças institucionais. “Eu estou confiante de que nós vamos encontrar uma saída, apurar, punir quem tiver que punir, e começar a discutir uma reforma no Poder Judiciário que tem que ser acompanhada de uma reforma na política também”, disse.

Apuração e defesa de Moraes

Ao comentar a crise, Lula defendeu a preservação da imagem do Supremo e a investigação das suspeitas, com garantia do direito de defesa e da presunção de inocência. “A Suprema Corte não pode ter a sua vida manchada”, afirmou.

“Ninguém está acima da lei”, disse o presidente, acrescentando que isso vale para ele, para o presidente do STF, Edson Fachin, e para todos os ministros da Corte.

Ao mesmo tempo, criticou o que chamou de “denuncismo” e a exposição cotidiana da sociedade a acusações envolvendo autoridades e familiares.

Lula atribuiu a Fachin a responsabilidade de impedir que a crise prejudique as eleições. “O presidente Fachin tem a responsabilidade de não permitir que isso atrapalhe o processo eleitoral”, declarou.

Apesar das críticas à sessão, o petista reiterou elogios à atuação de Moraes contra a tentativa de golpe de Estado no Brasil. “Acho que o Alexandre de Moraes fez um trabalho extraordinário para garantir a democracia desse país, prendendo o Bolsonaro e os golpistas que foram com ele”, afirmou.

Ao responder à pergunta sobre o risco de novas tentativas de golpe, Lula afirmou estar convencido de que “a extrema-direita continuará trabalhando nessa perspectiva”, mas disse que o governo está atento para impedir uma ruptura e fortalecer a democracia.

STF: saiba quais são os próximos passos após pedido de vista de Dino

Foto: Rosinei Coutinho/STF

Por Eduardo Scofi

O julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que poderia avançar sobre os pedidos de investigação envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça foi interrompido após o ministro Flávio Dino pedir vista.

Com isso, a Corte ainda precisa concluir uma questão preliminar antes de analisar o mérito dos casos. A votação havia chegado a 4 a 3 pela tramitação separada, quando o pedido de vista suspendeu a análise.

O que significa o pedido de vista

O pedido de vista feito por Flávio Dino interrompe a análise do processo no STF e permite que o ministro examine o caso antes da retomada do julgamento. A partir disso, a votação fica suspensa até que Dino devolva o processo ao plenário.

O ministro agora tem um prazo de até 90 dias para retornar, mas pode fazê-lo antes do fim desse período. Quando o julgamento for retomado, os ministros ainda precisarão concluir a votação sobre a tramitação conjunta ou separada dos casos.

Só depois dessa definição o STF poderá avançar para a análise dos pedidos de investigação contra Alexandre de Moraes e André Mendonça.

Caso pode voltar em setembro ou ficar para dezembro

Uma das datas relevantes é 23 de setembro, quando está prevista uma sessão para tratar do caso envolvendo André Mendonça. A continuidade desse julgamento poderá depender do que acontecer com o processo que está atualmente em vista com Dino.

Caso o ministro mantenha o processo durante todo o prazo de 90 dias, a discussão poderá ser retomada apenas em dezembro, depois das eleições. A devolução antecipada, por outro lado, permitiria que o caso voltasse ao plenário antes desse período.

A sessão interrompida não chegou a decidir se Alexandre de Moraes será investigado. O julgamento ficou restrito à questão sobre como os processos envolvendo os dois ministros devem tramitar. Assim, antes de uma eventual análise sobre a abertura das investigações, o STF ainda terá de concluir essa etapa processual.

Cientista político analisa julgamento no STF e crítica postura dos ministros

"O que vimos ontem foi uma relação de ataque mútuo, extremamente virulento", afirmouPor Beatriz Santana

O cientista político Rudá Ricci classificou, em entrevista à Rádio Folha 96,7 FM, na manhã desta quarta-feira (16), a sessão histórica do Supremo Tribunal Federal (STF) realizada na terça-feira (15), como uma troca de ataques pessoais em detrimento da defesa da Constituição.

A reunião tinha como finalidade discutir pela primeira vez a abertura de uma investigação contra um de seus próprios ministros, Alexandre de Moraes, mas terminou suspensa e sem uma decisão final após um pedido de vista.

“A Suprema Corte é constituída de pessoas que são ilibadas e tecnicamente qualificadas. Ontem, no entanto, o que vimos foi uma relação de ataque mútuo, extremamente virulento. O que menos se entendia alí era a defesa da Constituição”, comparou.

Da perspectiva do cientista político, o posicionamento dos ministros tem potencial, por exemplo, de influenciar o andamento da eleição. “A polarização político-partidária e eleitoral que estamos vivendo entre bolsonarismo e lulismo transbordou para o STF. O que é muito ruim, porque a população fica em dúvida sobre a referência do ministro na hora dela votar e julgar”, afirmou.

Rudá, no entanto, sinalizou o aspecto positivo. “Por outro lado, tem uma vantagem, a gente despe o Judiciário desse manto sagrado de que eles são intocáveis ou que não têm posições políticas”, analisou.

Rudá lembrou o panorama das intenções de voto para o cargo de presidente da República mais recentes para salientar que, apesar de estar em alta, o debate sobre o atual cenário do STF, para ele, não superará o foco dos últimos dias da campanha eleitoral.

“Nas últimas eleições do Brasil, a normalidade é um ataque virulento de um lado contra o outro, principalmente nessa polarização de lulismo versus bolsonarismo. Eu acho que o STF vai sair de cena”, finalizou.

Pernambuco é um dos alvos de megaoperação que cumpre 106 prisões nesta quarta-feira (16)

Ação reúne Polícia Federal, polícias civis e outros órgãos de segurança

Uma operação nacional contra o crime organizado cumpre, nesta quarta-feira (16/9), 106 prisões e 173 mandados de busca e apreensão. As ações mobilizam forças de segurança em diferentes estados, incluindo Pernambuco, e atingem grupos investigados por crimes como tráfico de drogas e armas, homicídios, extorsão e lavagem de dinheiro.

As decisões judiciais também determinaram mais de R$ 508 milhões em bloqueios e outras restrições patrimoniais. Imóveis, veículos, dinheiro e outros bens ligados aos grupos investigados estão entre os alvos das medidas.

Batizada de Força Integrada IV, a operação reúne simultaneamente 20 bases das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs), coordenadas pela Polícia Federal e compostas por diferentes órgãos de segurança.

A maior medida patrimonial ocorre em uma investigação no Tocantins. A Operação Rota Araguaia II apura um núcleo logístico e financeiro ligado ao tráfico internacional de drogas e à lavagem de dinheiro e teve autorizado o bloqueio de até R$ 412,5 milhões.

Na Bahia ocorre outra das principais frentes da operação. A Operação Eirene II cumpre 45 prisões e 57 mandados de busca contra uma organização investigada por tráfico, homicídios, extorsão, lavagem de dinheiro e posse ilegal de armas. A Justiça também determinou medidas sobre mais de R$ 12 milhões em patrimônio.

Em Mato Grosso do Sul, uma investigação sobre uma organização criminosa com atuação em diferentes estados resultou em 14 buscas, duas prisões e autorização para apreensão de bens e valores de até R$ 75 milhões.

Há ainda operações simultâneas contra diferentes grupos na Paraíba, Acre, Rio Grande do Norte, Espírito Santo, Roraima, Ceará, Amapá, Alagoas, Sergipe, Minas Gerais, Paraná, Goiás, Mato Grosso, Pará e Rio Grande do Sul.

Ao todo, 20 bases da Ficco participam da mobilização. As forças integradas reúnem Polícia Federal, polícias civis, militares e penais, Polícia Rodoviária Federal, guardas municipais e outros órgãos de segurança.

Por Mirelle Pinheiro, do Metrópoles 

STF vira campo de guerra, mas não decide sobre Moraes

Plenário do STF - (crédito: Reuters)Por Armando Holanda

O pedido feito pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, de “sensatez, decoro e serenidade” foi ignorado por magistrados em boa parte da sessão extraordinária dessa terça-feira na Corte. O plenário deveria avaliar se abriria uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por suposto envolvimento com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O julgamento, no entanto, expôs em público as divergências que tomaram conta da Corte nas últimas semanas. Houve troca de acusações, interrupções, bate-boca e questionamentos sobre a condução de Fachin. Ao fim da tumultuada sessão, Flávio Dino pediu vista e adiou uma definição.

Na abertura dos trabalhos, Fachin tentou estabelecer o tom da sessão. “Não se julgam pessoas; julgam-se fatos e questões jurídicas. Não se antecipa o mérito antes de resolvida a validade processual. A divergência é legítima; o confronto pessoal, não”, afirmou.

De nada adiantaram as palavras do presidente. Os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça trocaram hostilidades; Gilmar Mendes também fez disparos contra Mendonça; e o próprio Fachin foi envolvido em discussões, com Flávio Dino.

Moraes e Mendonça protagonizaram um dos momentos mais tensos do dia. O relator da trama golpista acusou o colega de ter usado a Polícia Federal para tentar incluí-lo em uma colaboração premiada, e afirmou que o magistrado também tem de ser julgado pelo plenário do STF. A princípio, a avaliação sobre o caso de Mendonça — acusado por Moraes de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade — está marcada para o dia 23.

“Não há como julgar hoje sem julgar terça, porque eu pergunto: quem tem medo da Polícia Federal, presidente? Quem tem medo da Polícia Federal? Quem chamou a Polícia Federal e exigiu que a Polícia Federal colocasse um colega na delação premiada? E vamos chamar testemunhas que eu vou indicar. Não só policiais, mas advogados. Eu tenho testemunhas”, sustentou Moraes. Mendonça o interrompeu: “É mentira”. Ele acrescentou que o colega poderia chamar “quem quiser”.

Moraes seguiu no ataque: “Chamou. ‘Inclui o ministro Alexandre’. Por quê? Porque está a serviço de um grupo político que quis dar um golpe neste país”.

Ele ainda negou ter usado um documento apócrifo, um relatório de inteligência da Polícia Federal, para embasar sua denúncia contra Mendonça. “Não tem nenhum documento apócrifo. Todos sabem o que é um relatório de inteligência. Os relatórios de inteligência estavam registrados. É só pegar o registro, quem fez, e vamos chamar aqui a este Supremo Tribunal Federal”, frisou.

Gilmar também partiu para cima de Mendonça, questionando a decisão do ministro de ordenar a destituição do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Ele chamou o colega de “boneco eleitoral”, por tomar a decisão em pleno período de eleições.

A temperatura subiu, ainda, entre Fachin e Dino. O episódio ocorreu enquanto Dias Toffoli explicava por que havia deixado a relatoria das investigações do Master. Toffoli afirmou que Dino sugeriu seu afastamento para preservar a Corte diante das repercussões do caso. Ao ser citado, Dino tentou intervir e foi repreendido pelo presidente do STF.

“Tem que pedir a palavra à Presidência, é o que estou dizendo”, afirmou Fachin. Dino rebateu: “Eu vou seguir o Regimento Interno da Corte.” O presidente do STF retrucou: “Pois Vossa Excelência terá a palavra porque estou lhe concedendo”.

Dino chegou a retirar da gaveta uma cópia do Regimento Interno para sustentar sua posição. Mais tarde, voltou ao assunto ao pedir um aparte a Gilmar Mendes e fez referência à cobrança anterior: “Ministro Gilmar, Vossa Excelência concede um aparte? Presidente, Vossa Excelência autoriza que o ministro Gilmar me conceda um aparte?”.

Divergência

A condução de Fachin acabou se transformando em outro foco de divergência. Dino e Gilmar questionaram a decisão do presidente do Supremo de assumir a relatoria dos procedimentos envolvendo Moraes e Mendonça. Dino sustentou que não existe previsão para a “avocação” de processos relatados por outros integrantes da Corte. Fachin respondeu que não havia destituído o relator e que os autos foram encaminhados à Presidência porque o plenário seria o juiz natural da matéria.

Moraes também fez questionamentos ao presidente. Durante sua manifestação, perguntou o que exatamente estaria sendo julgado, sob o argumento de que não existia pedido formal da PF, da Procuradoria-Geral da República ou de Mendonça para abertura de investigação contra ele. “Vossa Excelência vai votar o quê?”, questionou. O ministro ainda reclamou dos diferentes procedimentos e prazos adotados nos casos envolvendo ele e Mendonça, classificando a situação como uma “miscelânia procedimental”.

Em meio à discórdia, Gilmar Mendes apresentou uma questão de ordem para que o plenário julgue, em conjunto, o caso de Moraes e o de Mendonça, acusado de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Esse análise ficou em 4 x 3 a favor da análise conjunta, e a sessão foi suspensa por causa do pedido de vista de Dino.

Eleições 2026: Raquel Lyra faz panfletaço, João Campos participa de sabatinas e Ivan Moraes vai ao Agreste, nesta quarta-feira

Os candidatos ao Governo de Pernambuco: Raquel Lyra (PSD), João Campos (PSB) e Ivan Moraes (PSOL)
Os candidatos ao Governo de Pernambuco: Raquel Lyra (PSD), João Campos (PSB) e Ivan Moraes (PSOL)

Os candidatos ao Governo de Pernambuco cumprem agendas no Recife, em Olinda e no Agreste nesta quarta-feira (16). Raquel Lyra (PSD) tem participação em ato no comitê de João de Nadegi, nos Aflitos; João Campos (PSB) terá uma sequência de sabatinas ao longo do dia e Ivan Moraes (PSOL) segue para Garanhuns após compromisso no Recife.

Raquel inicia a programação às 8h, com um panfletaço em frente à Estação Central Capiba, no bairro de São José. Às 13h30, participa de uma sabatina online e ao vivo da CNN Brasil e, às 14h30, faz gravações para o guia eleitoral. A agenda termina às 19h, com participação em ato no comitê de João de Nadegi, nos Aflitos.

João Campos começa o dia às 9h30, com sabatina na Rádio Nova Brasil, no Recife. Às 14h30, participa de outra sabatina, desta vez na Fecomércio, em Santo Amaro. No início da noite, às 18h, ele participa de sabatina no Recife Ordinário, no Poço da Panela. Às 20h, encerra os compromissos com uma mini carreata em Rio Doce, Olinda.

Ivan Moraes inicia a agenda às 7h30, com entrevista à Rádio Nova Brasil, em Boa Viagem. Às 10h, viaja do Recife para Garanhuns. No Agreste, o candidato participa de panfletagem às 15h e, às 18h, de um sarau literário na Casa de Cioly.

Por Thays Werllania

Morre o ex-vereador, advogado, blogueiro e ambientalista Alvinho Patriota

O ex-vereador de Salgueiro, ambientalista, blogueiro e advogado Alvinho Patriota morreu, conforme comunicado divulgado nesta segunda-feira (15) pelo irmão, Gonzaga Patriota.

Em uma nota de pesar publicada nas redes sociais, Gonzaga comunicou o falecimento e manifestou solidariedade aos familiares e amigos. “Com profundo pesar, comunicamos a notícia do falecimento de Alvinho Patriota”, diz a mensagem. Alvinho estava a alguns dias em tratamento de saúde no Recife. Era irmão também de Paizinha Patriota, da Salgueiro FM.

A nota também destaca as lembranças deixadas por Alvinho e afirma que sua trajetória permanecerá na memória daqueles que tiveram a oportunidade de conhecê-lo.

Alvinho Patriota teve atuação política em Salgueiro e exerceu mandato de vereador pelo Partido Verde (PV). Registros históricos também confirmam o vínculo familiar com Gonzaga Patriota.

Informações sobre a causa da morte, velório e sepultamento não foram divulgadas na publicação que comunicou o falecimento.

Datafolha registra dimensão do voto Luquel na véspera do presidente marcar vinda a Pernambuco

Por TEREZINHA NUNES

Embora lideranças do próprio PT já tenham dito ao presidente Lula que sua vinda a Pernambuco ainda no primeiro turno pode ser eleitoralmente prejudicial à sua campanha presidencial devido ao grande número de eleitores pernambucanos que pretendem, como fizeram em 2022, votar nele e na governadora Raquel Lyra, ainda não tinha a dimensão numérica da representatividade deste voto.

O relatório completo da pesquisa Datafolha, cujos primeiros números foram divulgados na última sexta-feira mas só ontem foi disponibilizado pelo instituto, mostra que dos eleitores do PT em Pernambuco 32% dizem que vão votar na governadora, 65% votam no candidato João Campos, do PSB, e 3% não sabem ou não quiseram responder.

Que prejuízo Lula terá se vier ao estado onde tem o apoio explícito de João Campos, cujo partido está coligado com o PSB, mas que conta com uma governadora que não declara voto nele mas, quase todos os dias, o elogia em entrevistas e sabatinas ? É impossível prever. Esta semana, no entanto, quando foi divulgado que o presidente teria aceitado o convite de Campos e viria ao estado esta quinta – depois ficou adiado para a próxima semana – choveram na Internet mensagens de lulistas que votam em Raquel indignados com a possibilidade.

Um líder petista que vota na governadora informou em off a este blog que o PT defendia nos primeiros momentos a vinda do presidente para ajudar as próprias chapas proporcionais do partido e o senador e candidato à reeleição Humberto Costa mas hoje já não existe tanta defesa. “Tem muita gente apreensiva pois Humberto está sendo votado por muitos prefeitos que são da base de Raquel e se o presidente vier alguns deles podem ficar contrariados e deixar de votar em Humberto”.

Teria sido por isso que o próprio Humberto disse na semana passada que ficara a cargo de João Campos as tratativas para a vinda do presidente. O que se comenta nos bastidores petistas é que João tem insistido com a presença de Lula e que, diante disso, o presidente pode vir ao estado mesmo sem ser pressionado pelo PT. A apreensão petista aumentou depois que pesquisas começaram a mostrar Flávio Bolsonaro à frente de Lula no segundo turno. Neste caso, o presidente precisaria aumentar e não correr risco de reduzir seu percentual de votos em Pernambuco. A ver.

Holofotes não abalaram amigos de Moraes

A decisão do presidente do STF, ministro Edson Fachin, de permitir a transmissão da reunião do Supremo esta terça-feira para todo o país pelo rádio e TV dava a impressão de que poderia evitar a troca de farpas entre alguns membros da corte durante a sessão que acabou em frustração. Os ministros Flávio Dino, Gilmar Mendes e próprio Moraes não se limitaram a tentar incriminar outros colegas para evitar que votassem contra Moraes mas chegaram a não obedecer às regras estabelecidas agindo com ironia e desrespeito com o próprio presidente. Um vexame.

Divisão preocupante

O espetáculo transmitido deixou clara a divisão do STF entre ministros que desejam as investigações de colegas que foram expostos diante de ilícitos no caso Master expostos pela Polícia Federal e outros que claramente querem deixar tudo como está. Pior ainda foi a postergação de uma decisão que se esperava para esta terça e pode ser adiada para 90 dias, prazo que o ministro Flávio Dino, que pediu vistas do processo, tem para devolvê-lo ao plenário.

Flávio Bolsonaro no Recife

O senador Flávio Bolsonaro, candidato a presidente da República pelo PL, faz caminhada e comício no final da tarde desta quarta-feira no Recife Antigo. Às 17h30 ele sairá do Marco Zero acompanhado de lideranças e militantes em caminhada até o Paço Alfandega onde às 18h30 participa de comício. A visita foi programada pelo candidato ao Senado pelo PL, Mendonça Filho.

PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR

Até quando o STF vai continuar frustrando a população brasileira?

Prédio-sede do TSE, em Brasília

A poucos dias para o 1º turno das eleições, a Justiça Eleitoral analisou e julgou 99,02% dos pedidos de registro de candidatura. O dado foi apresentado pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, na sessão plenária desta terça-feira (15). 

De acordo com o ministro, até o momento, foram analisados 20.982 requerimentos de candidatura em todo o país. Restam 205 processos pendentes de julgamento. Entre os casos já decididos, 980 ainda estão dentro do prazo para recurso ou já são alvo de contestação.

O registro de candidatura é a etapa em que a Justiça Eleitoral verifica se a candidata ou o candidato que pretende concorrer cumpre os requisitos previstos na legislação. A análise envolve, por exemplo, condições de elegibilidade, documentação e eventuais pedidos de impugnação.

Nas candidaturas à Presidência e à Vice-Presidência da República, todos os pedidos foram julgados pelo TSE até 11 de setembro. Ao todo, foram apresentadas 13 solicitações. O ministro informou que um pedido de substituição, protocolado na segunda-feira (14), aguarda análise.

“O Tribunal Superior Eleitoral e os tribunais regionais eleitorais vêm cumprindo com dedicação e responsabilidade todas as etapas necessárias para que as eleições ocorram com segurança, transparência e tranquilidade”, afirmou Kassio Nunes Marques.

Com informações do site do TSE

Lula diz que ministros do STF não podem ter trégua: É preciso investigar todos, sem distinção

Lula durante entrevista ao Jornal da Record, no Palácio da Alvorada/Ricardo Stuckert/PTEstadão Conteúdo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (15) em entrevista à Record, que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, tem a “faca e o queijo na mão” para revelar o envolvimento de ministros da Corte com o escândalo do Banco Master. “Não tem trégua, é preciso investigar todos, sem distinção”, disse.

“A Suprema Corte agora já está dotada de todas as informações, o sigilo já foi quebrado. Portanto, o Fachin tem a faca e o queijo na mão para abrir tudo e saber quem fez o quê na Suprema Corte”, afirmou Lula.

Durante a sabatina, Lula disse que o ministro André Mendonça guardou informações como “segredo de Estado” divulgando apenas o que era de interesse pessoal dele. Lula também questionou o fato de os ministros Dias Toffolli e Kassio Nunes Marques terem se declarado impedidos de votar.

“Aquilo que o André Mendonça tinha guardado como segredo de Estado, e só soltando aquilo que interessava para ele, agora pode ser aberto para toda a sociedade saber quem estava metido nisso. Por que o (Dias) Toffoli não votou? Por que o Kassio (Nunes Marques) não votou? Quem é que levou dinheiro? Quem participou dessa trama do Vorcaro?”, declarou o presidente.

Ao falar sobre o escândalo, Lula disse que Vorcaro cooptou instâncias do Poder Judiciário e da classe política, e que é necessário “colocar o Brasil a nu”. O presidente declarou ainda que não há um brasileiro capaz de fugir de julgamentos sobre crimes.

“É muito difícil um torneiro mecânico ficar dando palpite e julgando a Suprema Corte. Chegamos a um momento determinante na história desse País: não há absolutamente ninguém que possa fugir do julgamento quando tem suspeita ou acusações contra”, disse o presidente.

O presidente também disse que os brasileiros estão diante de uma crise de credibilidade com o STF, e que o Tribunal precisa responder a isso com uma apuração rigorosa sobre a conduta dos ministros. “Ninguém do STF pode ficar sob suspeita, é preciso apurar e quem cometeu erro que pague”, declarou.

“Não há como o povo brasileiro ficar vendo uma Suprema Corte perder credibilidade na sociedade. A instância máxima da Justiça brasileira precisa ser exemplo. Então, que se apure com todo rigor, abra-se o sigilo telefônico de todo mundo.”

O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou nesta terça-feira (15) o julgamento sobre uma possível investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. A sessão foi suspensa com um pedido de vista do ministro Flávio Dino e com o placar em 4×3 contrária a um pedido para análise em conjunto das condutas de Moraes e André Mendonça.

Os ministros Nunes Marques e Dias Toffoli se declararam impedidos de votar no caso. Nunes Marques ousou de sua posição como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para declarar seu impedimento. A decisão, porém, ocorreu horas após a divulgação de mensagens mostrando a ligação de seu filho, Kevin, com o banqueiro Daniel Vorcaro e o caso Master.

“Em que pese, e os debates vão fluir, que esse julgamento eventualmente pode também impactar no cenário político eleitoral. Então, na condição de presidente do TSE, eu não me sinto confortável para participar desse julgamento e afirmo o meu impedimento”, disse Nunes Marques, pouco antes de se retirar da sessão.

Toffoli, por sua vez, alegou “suspeição de foro íntimo” e disse que tem se “manifestado na Turma pela suspeição”. Desde que ele deixou a relatoria do processo do Master no STF, Toffoli tem se declarado suspeito em todos os julgamentos do caso.

O STF vive uma crise institucional que se intensificou nas últimas semanas. O último capítulo, responsável por mergulhar o STF em uma crise de vez, foi a divulgação de mensagens entre Vorcaro e Moraes. A investigação também mostrou que o ministro do Supremo editou o contrato firmado entre o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o Master.

Após uma série de vazamentos de trechos da apuração, o atual relator do caso, ministro André Mendonça, pediu que Moraes seja investigado no caso. Moraes reagiu. Usou o inquérito das fake news, do qual é relator, para acusar Mendonça de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade e pediu que ele também seja investigado. A crise chegou ao ponto de Mendonça mandar afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e, um dia depois, o ministro Flávio Dino devolver o cargo a Andrei, anulando a decisão do próprio colega de Supremo.

Em meio a esse conflito deflagrado no STF, o presidente do Tribunal, ministro Edson Fachin, decidiu retirar Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news, anulou a decisão de Mendonça de afastar Andrei Rodrigues da PF e marcou para esta terça-feira (15) a análise do pedido de investigação contra Moraes.