Por Emerson Saboia
Em debate entre candidatos de Pernambuco ao Senado, promovido pela Rádio Cultura do Nordeste, em parceria com o Diário de Pernambuco e a TV Nova Nordeste, a candidata Marília Arraes (PDT) acusou o candidato Túlio Gadêlha (PSD) de machismo e misoginia, além de chamar Mendonça Filho (PL) de filhote da ditadura. O liberal também pressionou Eduardo da Fonte (PP) para revelar seu voto para presidente.
O debate foi realizado na noite desta quinta-feira (10), no Centro de Convenções do Senac Caruaru, no Agreste.
Foram convidados para o debate, por seus partidos atenderem ao critério de representação mínima no Congresso Nacional, Eduardo da Fonte (PP), Humberto Costa (PT), Marília Arraes (PDT), Mendonça Filho (PL), Paulo Rubem Santiago (Rede) e Túlio Gadêlha (PSD).
Dois representantes de Pernambuco serão eleitos ao Senado Federal nas eleições de 4 de outubro para cumprir mandato de oito anos, entre 2027 e 2035.
Segundo bloco
Ponto alto do segundo bloco do debate, o embate entre Túlio e Marília levantou faíscas quando o candidato de Raquel Lyra (PSD) relembrou “brigas” que a candidata teve. “Você brigou com Renata Campos, você brigou com João Campos, você brigou com o próprio PT, que inclusive abriu uma representação no Conselho de Ética contra a sua pessoa”, apontou.
Inicialmente, Marília devolveu, afirmando que vai “brigar muito por Pernambuco”. A pedetista disse que vai utilizar da “coragem” para lutar pelas mulheres e pela justiça social. Túlio, em seguida, utilizou seu tempo para falar das brigas que planeja comprar no Senado. O candidato mencionou a PEC da Blindagem e o fim da escala 6×1.
Na reta final do embate, Marília respondeu novamente sobre as “brigas” que o candidato relembrou. Nesse momento, aconteceu a acusação.
“Sabe o que eu acho interessante? Quando uma mulher é firme nas suas convicções, quando uma mulher tá lá defendendo o que acredita, quando uma mulher é forte, ela é chamada de brigona, ela é chamada de complicada, ela é chamada de um monte de coisa. A fala do candidato foi uma fala extremamente machista”, questionou.
Túlio dobra a aposta e relembra a morte do marido de Raquel durante as eleições de 2022, nas quais Marília disputou contra a atual governadora. “A candidata fala das mulheres, mas quando a governadora perdeu o seu esposo, não abriu mão da inserção de TV. O tribunal disse que poderia não haver inserção no outro dia. Ela fez questão de fazer campanha. Eu não acho que isso é solidário com uma mulher”, colocou.
“O que o candidato acabou de falar é uma mentira. Eu vou colocar nas minhas redes sociais qual é a verdade, mas eu quero dizer que ele continua sendo machista, continua sendo misógino, aliás, bem condizente com o palanque onde ele está, cheio de bolsonaristas, cheio de gente que defende até que mulher não deve votar. É uma pena, Túlio”, retrucou a candidata.
Pedido de resposta
Ao final do bloco, a bancada jurídica do debate discordou da acusação de machismo e misoginia contra Túlio Gadêlha. O candidato obteve um minuto para responder:
“Eu estou tendo esse um minuto de resposta porque fui agredido pela candidata Marília Arraes. Fui agredido de uma forma injusta. A gente sabe da importância de valorizar as mulheres. Quando eu afirmei que a candidata não foi solidária à governadora Raquel Lyra, quando perdeu seu marido, que faleceu durante a eleição passada, ela não retirou o guia de televisão – um pedido da governadora que o TRE deixou nas mãos da coligação da candidata Marília Arraes. Ser parceiro das mulheres é entender esses momentos difíceis, é você fazer política pública para aquela mulher ter mais oportunidade na vida. Por isso, a gente tem investido tanto na qualificação profissional das mulheres e trazido para Pernambuco centros de referência da mulher”, respondeu.
Marília e Mendonça
Em seguida, Marília teve a oportunidade de questionar Mendonça Filho acerca do 8 de janeiro – marcado pela invasão a prédios do Congresso Nacional. O liberal criticou o julgamento do STF.
“A gente assistiu a um processo judicial absurdamente fora daqueles parâmetros daquele devido processo legal, porque, na verdade, aquilo deveria obedecer a um juiz de primeira instância, foi julgado numa turma do Supremo Tribunal Federal, sem assegurar minimamente sequer o direito à defesa por parte de pessoas que estavam numa manifestação que provocou bagunça no Congresso Nacional”, declarou.
Marília ainda perguntou sobre o Golpe de 1964, o qual Mendonça classificou como “uma ruptura democrática, indiscutivelmente”, assumindo as evidências de mortos, presos e torturados no regime. A pedetista devolveu, chamando o candidato de “filhote da ditadura”.
Mendonça e da Fonte
O candidato Mendonça Filho questionou Eduardo da Fonte sobre seu voto para presidente da República. O progressista não se comprometeu e falou da aliança com a governadora Raquel Lyra.
“Eu voto em Pernambuco, estou ao lado da governadora Raquel Lyra, trazendo transformações para o estado de Pernambuco. Irei defender o governo dela com o presidente da República para que a gente possa fortalecer Pernambuco”, afirmou.
Ainda pressionado por Mendonça, da Fonte manteve o tom, sem revelar o voto.