Em carreata no Litoral Norte, Raquel Lyra (PSD) destaca investimentos na região

Carreata de apoio à Raquel Lyra (PSD) percorreu Litoral Norte, neste domingo (13)Por Blog da Folha

A governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD) participou, neste domingo (13), e carreata que passou pelos municípios de Itamaracá, Itapissuma e Igarassu. Aos seus apoiadores, a candidata lembru do investimento hdo seu governo no Litoral Norte e se comprometeu com a região, caso seja eleita.  “O melhor ainda está por vir”, afirmou.

Acompanhada pela vice-governadora e candidata à reeleição, Priscila Krause (PSD), e dos seus candidatos ao Senado, os deputados federais Túlio Gadêlha (PSD) e Eduardo da Fonte (PP), Raquel disse que o povo “esperou muito pra poder fazer o nosso Litoral ser enxergado”.

“A gente tem batido recordes de investimento no Litoral Norte de Pernambuco e não vai parar por aqui, não. Se a gente arrumou a casa, destravamos obra, garantimos investimento, o meu compromisso com vocês é de que o melhor ainda está por vir. Salve o Litoral de Pernambuco!”, afirmou a candidata da Coligação Pernambuco de Coração.

Investimentos
A governadora citou como exemplos das várias ações do seu governo no Litoral Norte a desativação da Penitenciária Barreto Campelo, em Itamaracá; a restauração da PE-035, entre a BR-101 e Itapissuma, e a restauração da PE-001, entre o Forte Orange e a PE-035, em Itamaracá, obra que teve um investimento de R$ 22,3 milhões.

Acompanharam a carreata com a governadora os prefeitos de Itamaracá, Paulo Galvão; de Itapissuma, Júnior de Irmã Teca; de Jaboatão dos Guararapes, Mano Medeiros; de Araçoiaba, Jogli Uchôa, e de Primavera, Jeyson Falcão; o deputado federal e candidato à reeleição, Guilherme Uchôa Jr.; os candidatos a deputado estadual, Zé de Irmã Teca, Cesar Ramos, Andréa Medeiros e Ni do Badoque, e o candidato a deputado federal, Dr. Marquinhos.

Banco Master, o escândalo financeiro que abala a campanha presidencial

AFP

A menos de um mês das eleições presidenciais, a campanha é ofuscada por um mega escândalo financeiro envolvendo um banqueiro rico com conexões nos mais altos escalões do poder.

O caso colocou o senador e candidato presidencial Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), na mira de uma investigação por corrupção.

O Supremo Tribunal Federal também está envolvido no escândalo.

Confira o que se sabe sobre o caso Master, “o maior roubo da história do Brasil”, segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), adversário de Flávio na eleição.

Como surgiu o escândalo do Banco Master?

O escândalo teve origem com Daniel Vorcaro, um empresário de 42 anos e dono do Banco Master.

Pequeno em comparação com seus concorrentes, esse banco foi liquidado em novembro de 2025 por insolvência, após acumular dívidas de quase R$ 40 bilhões. Vorcaro foi preso pouco antes, quando se preparava para embarcar em um jato particular em São Paulo.

Além da fraude financeira, os investigadores analisam os supostos vínculos do banqueiro, que se gabou por ter “amigos em todos os poderes”, com figuras políticas. Entre elas, parlamentares como os senadores Jaques Wagner (PT-BA), aliado de Lula, e Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro de Jair Bolsonaro.

Lula admitiu ter se reunido com Vorcaro, fora da agenda, em dezembro de 2024, antes do Banco Master se envolver no escândalo.

O que tem a ver com o filme sobre Bolsonaro?

“Dark Horse”, uma cinebiografia de Jair Bolsonaro estrelada pelo ator americano Jim Caviezel, colocou o filho mais velho do ex-presidente em uma posição delicada.

Em abril, o site Intercept Brasil divulgou gravações de áudio enviadas por Flávio a Vorcaro, nas quais ele pedia, em tom de intimidade, grandes quantias de dinheiro para financiar o filme.

Flávio se viu então obrigado a reconhecer sua relação com o banqueiro, algo que havia negado anteriormente, e confirmou que Vorcaro contribuiu com milhões de dólares para o projeto.

Na sexta-feira, a suspensão parcial do sigilo no caso Master revelou que Flávio Bolsonaro estava sendo investigado por corrupção e lavagem de dinheiro relacionados ao financiamento de “Dark Horse”.

O senador, de 45 anos, nega qualquer irregularidade e afirma que o filme foi feito com “financiamento privado”.

Na quinta-feira, a Polícia Federal realizou uma série de buscas e apreensões sob suspeita de desvio de verbas públicas. Entre os investigados está o deputado federal Mario Frias (PL-SP), alinhado a Bolsonaro e produtor executivo do filme.

TRE-PE manda suspender perfil que sugeria jogar ovos em Raquel Lyra

Raquel Lyra, governadora de Pernambuco/Foto: Rafael Vieira/DP FotoDiario de Pernambuco

O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) determinou a suspensão, por sete dias, do perfil @raquel_bolada no Instagram, após uma publicação que sugeria aos seguidores atirarem ovos contra a governadora Raquel Lyra (PSD). A ação aconteceria no último sábado (12), durante um evento de campanha na Vila Santa Luzia, bairro da Torre, na Zona Oeste do Recife.

A decisão foi assinada no dia do evento pelo desembargador eleitoral Luiz Gustavo Mendonça de Araújo, após representação apresentada pela coligação Pernambuco de Coração. Segundo a ação, o perfil publicou, em 11 de setembro, uma mensagem com data e hora do evento, acompanhados pela expressão “vamos recepcioná-la como ela merece” e um emoji de ovo.

O conteúdo também fazia referência ao suposto não pagamento de um auxílio emergencial de R$ 2,5 mil a famílias atingidas pelas enchentes. Para a coligação, a publicação ultrapassava os limites da crítica política e poderia ser entendida como uma convocação para que pessoas comparecessem ao evento e atirassem ovos contra Raquel Lyra.

Ao analisar o pedido, o desembargador afirmou que a liberdade de expressão protege a crítica política, inclusive quando feita em tom contundente, mas não alcança, em princípio, conteúdo que estimule atos de hostilidade física contra uma candidata.

“Embora a crítica política, inclusive em tom contundente, encontre proteção no âmbito da liberdade de expressão, essa garantia não alcança conteúdo que, considerado em seu contexto, revele estímulo à prática de ato de hostilidade física contra candidata”, escreveu Luiz Gustavo Mendonça de Araújo.

Para o desembargador, a combinação entre a divulgação do local, da data e do horário do evento e a expressão utilizada na postagem, acompanhada do emoji de ovo, apresentava, em uma análise preliminar, “aptidão para ser compreendido como convocação para o arremesso de ovos contra a candidata durante o ato de campanha”.

Suspensão do perfil

O TRE-PE determinou que o Instagram retirasse a publicação no prazo de duas horas, sob pena de multa diária de R$ 10 mil. O responsável pela página também foi proibido de republicar, compartilhar, impulsionar ou promover a divulgação da publicação questionada ou de conteúdo substancialmente equivalente em qualquer perfil ou rede social sob seu controle. O descumprimento está sujeito a multa de R$ 15 mil por ocorrência.

Além disso, o tribunal determinou a suspensão do perfil @raquel_bolada por sete dias, contados a partir da intimação da decisão. Para o relator, a retirada isolada da publicação não seria suficiente para eliminar o risco de novas divulgações pelo mesmo perfil.

Após o prazo para apresentação das defesas, o processo deverá ser encaminhado ao Ministério Público Eleitoral. O órgão foi acionado para avaliar a possível prática dos crimes previstos nos artigos 286 e 140, § 2º, do Código Penal, além de analisar eventual configuração de violência política contra a mulher.

TRE-PE manda remover posts pagos de Marília Arraes com críticas a Túlio Gadêlha

Túlio Gadêlha, candidato ao Senado Federal pelo PSD (Rafael Vieira/DP Foto)

Diario de Pernambuco

O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) determinou que sejam retirados três anúncios pagos publicados nas plataformas Facebook e Instagram relacionados à campanha da candidata ao Senado Marília Arraes (PDT). Os conteúdos reproduziam trecho de um debate eleitoral em que ela faz críticas ao também candidato ao Senado Túlio Gadêlha (PSD).

A decisão foi assinada no último sábado (12) pelo desembargador eleitoral Luiz Gustavo Mendonça de Araújo, após representação de Gadêlha. O relator determinou que a Meta cesse imediatamente e remova os conteúdos patrocinados no prazo de 24 horas após a intimação, sob pena de multa de R$ 15 mil.

A decisão não determina a retirada do vídeo da circulação orgânica nas redes sociais, já que a irregularidade apontada pelo tribunal está especificamente no impulsionamento pago de conteúdo de caráter negativo contra candidato adversário. O caso teve origem em uma publicação feita por Marília Arraes em seu perfil oficial após um debate realizado em Caruaru, no dia 10 de setembro.

No trecho reproduzido na ação, Túlio questiona Marília sobre seu suposto histórico de conflitos políticos. Em resposta, ela afirma que mulheres firmes são chamadas de “brigonas” e, depois de um corte no vídeo, declara que nunca brigou com o povo de Pernambuco e que sempre defendeu trabalhadores.

Na sequência, Marília critica a atuação política de Gadêlha e afirma que ele estaria “cumprindo esse papel favorável à extrema direita” e “atrapalhando o presidente Lula”. Para Gadêlha, o conteúdo corresponde a propaganda eleitoral negativa e não poderia ser ampliado por meio de impulsionamento remunerado.

Crítica não pode ser impulsionada

Na decisão, o relator deixou claro que não cabia, naquele momento, decidir se as afirmações feitas no vídeo eram verdadeiras ou se as críticas ultrapassavam os limites do debate eleitoral. Para ele, a questão central era verificar “a regularidade da utilização de impulsionamento pago para ampliar a divulgação de conteúdo eleitoral de caráter negativo dirigido a candidato adversário”.

A Resolução nº 23.610/2019 do Tribunal Superior Eleitoral estabelece que o impulsionamento só pode ser utilizado para promover ou beneficiar a candidatura, partido ou federação que o contrata, sendo proibido seu uso para propaganda negativa. Após a sentença, Marília Arraes também ficou proibida de contratar novo impulsionamento pago dos conteúdos ou de versões substancialmente idênticas que reproduzam as críticas dirigidas a Gadêlha.

Agora, ela deverá apresentar defesa no prazo legal. Depois da manifestação ou do fim do prazo para defesa, o processo será encaminhado ao Ministério Público Eleitoral.

Em meio à crise no STF, PT faz mobilização neste domingo (13), incluindo live com Lula

Lula durante caminhada em Salvador, na Bahia (Ricardo Stuckert )

Estadão Conteúdo

Em meio à crise no Supremo Tribunal Federal (STF), o PT convocou para este domingo (13) uma mobilização nacional nas ruas, intitulada “Dia 13 com Lula”, com objetivo de fortalecer a campanha petista. “O futuro do nosso país está em jogo, e cada voz, cada abraço e cada presença fazem a diferença”, diz um texto de convocação dos atos.

Nas redes sociais petistas, foram divulgadas programações nas principais capitais e maiores cidades do País, que incluem adesivaço, panfletagem, bandeirada, rodas de conversa, carreatas e caminhadas. Em algumas cidades, há expectativa de presença de ministros como Wellington Dias (Desenvolvimento Social) e Esther Dweck (Gestão e Inovação em Serviços Públicos).

No fim do dia, a partir das 18h, está prevista uma live com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a militância. Participam da live o presidente nacional do PT, Edinho Silva, a primeira-dama Janja Lula da Silva, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, o secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, e outros dirigentes partidários.

A avaliação das campanhas eleitorais é de que a crise no Supremo respinga com mais força sobre o PT, dada a proximidade entre o Executivo e o Judiciário ao longo deste mandato. O presidente do STF, Edson Fachin, convocou para a próxima terça-feira, 15, sessão plenária extraordinária, quando os ministros devem decidir sobre a validade do relatório da Polícia Federal (PF) que identificou o ministro Alexandre de Moraes como principal interlocutor de Daniel Vorcaro, do Banco Master. Na ocasião, os ministros devem decidir sobre a eventual abertura de investigação contra Moraes.

Terezinha Nunes: Frente Popular escorrega na comunicação em hora decisiva

Candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), na chegada para o debate da Rádio CidadePor TEREZINHA NUNES

Há um ditado popular famoso em Portugal e que acabou adotado no Brasil, onde é comumente usado no meio político. Ele aconselha que “não se deve falar de corda em casa de enforcado”. Citações como essa são repetidas por deputados quando se referem à necessidade de ficar atento, sobretudo em entrevistas, para não criar constrangimento aos interlocutores. Eles também usam um quase sinônimo deste ditado, que é “não cutucar o cão com vara curta”, ou seja, possibilitar uma resposta constrangedora para quem fez a acusação.

Muito fluente e envolvente em suas falas, porém, o candidato a governador de Pernambuco, João Campos, e sua assessoria, vêm, nos últimos dias, pouco atentos a esses ensinamentos no momento de fazer críticas à governadora Raquel Lyra. Primeiro, a campanha da Frente Popular reproduziu uma matéria da jornalista Andresa Matais, do site Metropoles, informando que uma advogada que já trabalhou na Bet Aposta Ganha, uma das patrocinadoras do São João de Caruaru, estaria fazendo comentários na Internet favoráveis à governadora e de críticas e ataques ao ex-prefeito.

Das bets ao fura-teto

A intenção era confirmar o chamado “gabinete do ódio” – a matéria foi repassada para os jornalistas políticos – que, segundo o PSB , seria formado por influencers que, na Internet, têm feitos críticas e ataques a João Campos. Esta sexta-feira, em debate na Rádio Cidade de Caruaru, o próprio João chamou Raquel Lyra de “fura-teto”, alegando que ela, como procuradora do Estado, receberia um salário superior ao de governador e teria optado por ele e não pelo de governador na hora em que tomou posse.

Ele usou até uma palavra que está sendo comum hoje em dia – “penduricalho” – ou seja, um benefício indireto que acaba permitindo a algumas categorias receber mais do que ganha o chefe do Executivo. Nos dois casos, para ficar nos ditados populares que nascem da criatividade e engenhosidade de pessoas comuns, pode-se dizer que a Frente Popular pode ter dado “um passo em falso”.

Fura-fila vem à tona

A questão sobre a Bet de Caruaru, além de pouco revelante – não teve a repercussão esperada – relembrou ao eleitor uma acusação que a direita e alguns expoentes da esquerda, como o candidato a deputado federal pelo PSOL, Jones Manoel, têm levantado nas redes sociais contra o candidato, acusando-o de ter feito uma parceria com as bets na terceirização da manutenção dos parques da capital, permitindo que algumas delas chegassem a escrever seus nomes até em pistas de cooper. Eles alegam que as bets são um mal para a juventude, pois incentivam o vício na prática de apostas, que têm endividando as famílias mais pobres.

Já a expressão “fura-teto”, engenhosamente criada para tentar constranger a governadora diante da expressão “fura-fila”, que o PSD tem usado para acusar o ex-prefeito de ter permitido que o filho de um juiz passasse à frente de um candidato com deficiência no concurso de procurador da Prefeitura, acaba remetendo ao nome fura-fila que é muito mais famoso, até porque virou mote na Internet e permanece como tal há mais de um ano.

Bom de propostas, João escorregou no discurso

No debate da Rádio Cidade, de Caruaru, João saiu-se melhor que a governadora, pois falou em propostas, enquanto ela citou muito o que já fez mas não mostrou, na mesma intensidade, o que fará a partir de 2027, caso seja reeleita. Não fosse o fura-teto que, inclusive, causou rebatimento nas redes sociais, ele poderia ter saído do primeiro embate bem maior do que entrou.

Em uma campanha acirrada como a que se observa em Pernambuco, qualquer deslize pode ser fatal. Hoje há um empate técnico no limite da margem de erro, conforme a Quaest e o Datafolha, entre Raquel e João, com a governadora na frente. Para se manter na dianteira, ela não pode errar, da mesma forma que João precisa acertar para ter chance de ultrapassá-la. A comunicação é fundamental para os dois lados.

Datafolha: Maioria acredita em poder excessivo no STF e que entidade é essencial para a democracia

STF foi arrastado por centro do escândalo do Banco MasterPor Estadão Conteúdo

Para 76% dos brasileiros, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) possuem poderes excessivos, mostra pesquisa Datafolha. O levantamento ouviu 2002 eleitores de 125 cidades entre terça-feira, 8, e quinta-feira, 10, ou seja, em meio a maior crise institucional da história da Corte e seus desdobramentos, que ainda estão vindo à tona.

Outros 18% ouvidos pela pesquisa disseram que discordam que os ministros tenham poderes demais no País. Já 3% afirmaram não concordar nem discordar da frase, enquanto outros 4% não souberam responder.

A mesma pesquisa constatou, porém, que 71% dos eleitores avaliam o Supremo como essencial para a democracia. Para 77% dos eleitores, contudo, a população acredita menos na Corte hoje do que no passado.

A margem de erro da pesquisa é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos. O índice de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número BR-01833/2026.

Mudança de voto

O levantamento do Datafolha também revelou que a maioria dos eleitores do País não mudou ou não irá mudar seu voto nas eleições presidenciais após os recentes escândalos envolvendo ministros do Supremo.

Questionados sobre se a revelação de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, poderia mudar a escolha para presidente, 85% responderam que não.

Outros 7% disseram que não mudaram a escolha, mas deixaram dúvida sobre em quem votar para presidente. Apenas 4% disseram que as revelações contra Moraes fizeram mudar o voto, mesma proporção daqueles que não souberam responder à pergunta.

O Datafolha também questionou os eleitores sobre o impacto do pedido de investigação contra outro ministro da Corte, André Mendonça, por supostos vazamentos seletivos das investigações sobre o Master. Para 86% dos respondentes, o pedido de investigação não alterou ou irá alterar o voto.

Outros 7% afirmaram que o episódio não mudou a preferência eleitoral, mas deixou dúvida sobre em quem votar, enquanto apenas 2% disseram que mudaram de voto. Outros 4% não souberam responder.

Raquel sofre duas derrotas e é obrigada a retirar ataques contra João Campos da TV e das redes sociais

A coligação Pernambuco de Coração, da governadora Raquel Lyra (PSD), sofreu duas derrotas na Justiça Eleitoral e foi obrigada a retirar da TV e das redes sociais um vídeo com ataques a João Campos (PSB). As decisões incidiram sobre narrativas da candidata governista que desvirtuam atos administrativos sobre um concurso público da Prefeitura do Recife. O pedido de impugnação partiu da Frente Popular de Pernambuco.

A primeira decisão, proferida ainda na sexta-feira (11) pelo desembargador auxiliar Luiz Gustavo Mendonça de Araújo, ocorreu após a coligação que representa João Campos identificar a veiculação de inserções com esse teor em cinco emissoras de TV. Posteriormente, o mesmo vídeo foi postado nas redes sociais da governadora, o que gerou um aditamento à ação.

Segundo a Frente Popular, “a propaganda não se limita à crítica política ou administrativa, pois encadeia acontecimentos distintos de modo a transmitir ao eleitor a existência de relação entre decisão judicial proferida por magistrado e
posterior tentativa de nomeação de seu filho, atribuída pessoalmente a João Campos”.

O desembargador acolheu os argumentos, avaliando que “a peça ultrapassa a exposição dos fatos documentalmente demonstrados ao organizá-los em sequência apta a sugerir relação de favorecimento que, até o momento, não encontra correspondente suporte nos elementos probatórios apresentados”. Com isso, foi concedida liminar suspendendo a veiculação das inserções na TV e determinando a retirada do conteúdo das redes sociais de Raquel. Um pedido de resposta da Frente Popular ainda será apreciado quando o mérito da ação for julgado.

Insatisfeita com a decisão, a coligação da governadora ingressou com um mandado de segurança para manter os conteúdos no ar. Neste sábado (12), o desembargador Breno Duarte Ribeiro de Oliveira indeferiu o pedido sob a alegação de que as determinações anteriores da Justiça Eleitoral não representam censura prévia e ainda terão o mérito analisado.

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João Campos percorre Agreste e promete ações para água e estradas

Chapa da Frente Popular de Pernambuco durante agenda neste sábado (12)/Foto: Edson HolandaAlexandre Cunha

O candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) iniciou, neste sábado (12), uma série de agendas de campanha pelo Agreste Setentrional. Em passagens por Orobó e Casinhas, o socialista participou de carreatas e voltou a apresentar propostas voltadas ao abastecimento de água, à infraestrutura rural e à agricultura familiar.

João esteve acompanhado do candidato a vice-governador Carlos Costa (Republicanos) e dos candidatos ao Senado Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT), além de lideranças políticas da região. A programação da Frente Popular prevê ainda compromissos em Bom Jardim e Surubim ao longo deste sábado.

Em Orobó, o candidato destacou a proposta de zerar o IPVA das motocicletas em Pernambuco e prometeu investimentos para ampliar o acesso à água no município e na região.

“A gente está feliz e animado. A partir do ano que vem, Orobó vai ter um amigo governador. Nós vamos zerar o IPVA das motos do Estado de Pernambuco, vamos trazer água aqui para a região e vamos cuidar do povo. No tempo de Arraes e Eduardo, quem mandava era o povo. E, a partir do ano que vem, não vai ser a força do dinheiro nem do poder, vai ser a força do povo”, afirmou.

Estradas e abastecimento

Durante a passagem pelo Agreste Setentrional, João também citou as condições das estradas e a falta d’água entre os problemas que pretende enfrentar caso seja eleito. Segundo o candidato, as dificuldades de infraestrutura afetam tanto o deslocamento dos moradores quanto o escoamento da produção rural.

“Quem vive aqui no Agreste Setentrional conhece esses problemas de perto. Sabe o que uma estrada ruim representa para quem precisa trabalhar, levar a produção, levar um filho para a escola ou chegar a uma unidade de saúde. E sabe também o peso da falta d’água dentro de casa”, declarou.

João defendeu ainda uma atuação conjunta do Governo do Estado com as prefeituras. “O governador precisa estar perto, trabalhar junto com os municípios e fazer as coisas acontecerem. É assim que a gente quer governar Pernambuco”, acrescentou.

Entre as propostas apresentadas pela campanha estão a pavimentação e a manutenção de estradas vicinais, com foco em áreas de agricultura familiar, assentamentos, cooperativas e agroindústrias. O programa também prevê a construção e recuperação de passagens molhadas e pontilhões.

Na área de abastecimento, o candidato propõe ampliar o uso de cisternas, poços, reservatórios e pequenos sistemas de distribuição para atender comunidades rurais. Para a agricultura familiar, as propostas incluem ampliação da assistência técnica e do acesso ao crédito, além de apoio a cooperativas e associações.

Após as agendas em Orobó e Casinhas, João Campos segue para Bom Jardim e Surubim, onde dá continuidade à programação de campanha no Agreste Setentrional.

O Brasil pode chegar à terça-feira com uma eleição e sair com outra

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro do STF Alexandre de MoraesPor Igor Maciel

Há uma eleição nacional até a próxima terça-feira (15). Flávio Bolsonaro (PL) tenta convencer o país de que Alexandre de Moraes é um problema de Lula (PT). Lula tenta convencer o país de que Moraes deve responder sozinho pelos próprios atos. E Moraes tenta convencer o país de que não é o centro do problema, mas vítima daqueles que atacam a democracia. A sessão do Supremo pode embaralhar os três discursos. Quando os ministros deixarem o plenário, talvez a pergunta já não seja quem conseguiu explorar a crise. Será quem conseguiu escapar dela.

Fronteira

A disputa presidencial chega a esse momento em equilíbrio suficiente para que qualquer mudança de ambiente tenha importância. O Datafolha mostra Lula (PT) com 39% e Flávio Bolsonaro (PL) com 35% no primeiro turno. Num confronto direto, o presidente aparece com 46% e o senador com 44%. A Quaest registrou empate de 41% a 41% no segundo turno. Quando a distância é tão curta, o pesadelo do Supremo não precisa provocar uma migração espetacular de votos para interferir na eleição. Basta mudar o assunto dominante da campanha e empurrar alguns indecisos para um dos lados.

É isso que está em jogo na sessão marcada para terça-feira. Os ministros devem decidir sobre a regularidade da ordem de André Mendonça que levou ao aprofundamento da análise do celular de Daniel Vorcaro, sobre o aproveitamento do material encontrado pela Polícia Federal e sobre o destino das informações que envolvem Moraes. A linguagem será jurídica. As consequências serão inevitavelmente políticas.

Investigação

Se o Supremo permitir o avanço das apurações, Flávio receberá uma munição poderosa. Poderá dizer que as suspeitas contra Moraes, tratadas durante anos como ataques de bolsonaristas ao Estado Democrático de Direito, foram consideradas suficientemente graves para serem investigadas pelo próprio tribunal. Não será preciso provar na terça-feira que todas as acusações estavam corretas. Para a campanha bolsonarista, a abertura formal da investigação já servirá como carimbo institucional sobre uma narrativa construída há muito tempo.

Isso permitiria a Flávio recuperar o discurso de perseguição contra Jair Bolsonaro, questionar novamente a atuação do STF nos processos envolvendo a direita e colocar Lula no mesmo campo político de Moraes. Há pouco mais de um mês, o presidente da República e Davi Alcolumbre estiveram num jantar na casa do ministro. Naquele momento, a proximidade parecia demonstrar força institucional. Agora, pode ser exibida como fotografia de uma aliança que Lula gostaria de apagar antes da eleição.

Proteção

O caminho contrário também oferece combustível à oposição. Se o material for invalidado, limitado ou arquivado sem uma explicação pública convincente, Flávio poderá acusar o Supremo de proteger um dos seus. Uma vitória jurídica de Moraes pode virar uma derrota política da Corte caso o país enxergue no resultado apenas ministros julgando um colega e poupando a instituição do constrangimento de investigá-lo.

Esse é o labirinto montado para terça-feira. Investigar Moraes fortalece a narrativa bolsonarista. Impedir a investigação também pode fortalecê-la. O STF precisará produzir uma decisão juridicamente sustentável e compreensível fora dos gabinetes. Se oferecer ao público apenas uma pilha de tecnicalidades, a oposição fará a tradução que lhe interessa.

Distância

Lula percebeu o tamanho do risco. Ao afirmar que Moraes e Mendonça devem responder caso tenham cometido irregularidades, tenta se afastar da defesa automática do Supremo. Também elogiou Edson Fachin pelo esforço de colocar ordem na Corte. É o presidente avisando que não pretende carregar na campanha o peso das escolhas pessoais de um ministro.

A dificuldade está no calendário. Lula tenta construir distância depois de anos de convergência política e institucional com o tribunal e poucas semanas após o jantar na casa de Moraes. Quanto mais grave for o resultado da sessão, mais difícil será sustentar que essa proximidade terminava na porta do Supremo. O presidente precisa separar sua candidatura de Moraes sem atacar a instituição que tantas vezes defendeu. É uma operação política delicada demais para ser executada no meio de uma crise que muda de forma todos os dias.

Vítima

Moraes também tem uma eleição própria para disputar, embora seu nome não apareça na urna. Sua defesa política depende de convencer o país de que as acusações fazem parte de uma ofensiva conduzida pelos mesmos grupos que “atacaram a democracia e passaram anos tentando enfraquecer o Supremo”. Nessa versão, investigar o ministro sem questionar a origem e a regularidade do material significaria premiar os adversários das instituições.

O pedido para que seu caso seja analisado junto com as acusações contra André Mendonça e para que todo o material tenha o sigilo retirado faz parte dessa reação. Moraes tenta ampliar o campo de batalha. Se todos forem obrigados a explicar suas relações, decisões e encontros, ele deixa de ocupar sozinho o centro da crise. É uma forma de defesa que pode diluir o desgaste ou espalhá-lo por toda a Corte.

Reversão

Flávio também não atravessará a terça-feira protegido por uma redoma. O material relacionado ao Banco Master alcança personagens ligados ao bolsonarismo, enquanto parte do caso “Dark Horse” permanece sob sigilo. A campanha de Lula já percebeu a oportunidade e cobra a divulgação completa das informações. Se a abertura defendida por Moraes trouxer elementos que atinjam Flávio ou seu entorno, o candidato que chega à sessão como acusador poderá sair dela dando explicações.

Essa possibilidade impede que a crise seja tratada como uma avenida de sentido único contra Lula. Vorcaro circulou por diferentes grupos de poder. Quando as portas forem abertas, ninguém sabe exatamente até onde os documentos chegarão nem quem conseguirá manter a pose de surpresa diante do que aparecer.

O Supremo entrará no plenário para decidir se Alexandre de Moraes deve ser investigado. Pode sair de lá tendo decidido, sem assumir o voto, sob qual crise o Brasil escolherá seu próximo presidente.