Por TEREZINHA NUNES
Embora seja comum no PT de Pernambuco – e não é diferente este ano – jogar para a direção nacional a definição sobre os rumos do partido nas eleições de Pernambuco, a senadora Teresa Leitão defende que a legenda se antecipe e já no dia 25, quando começam as plenárias estaduais que vão ocorrer em vários municípios até as convenções partidárias do meio do ano, esse assunto venha à tona. “Eu mesma vou propor e defender isso junto aos nossos militantes. Este ano a campanha está antecipada, já temos definidas as candidaturas de Humberto a senador e de Lula a presidente, portanto já podemos começar a tratar do assunto de Pernambuco e chegar a um acordo o mais breve possível”.
Indagada se isso pode não agradar a direção nacional, a senadora argumenta que não : “nada impede que façamos uma discussão paralela. O importante é que saiamos unidos ao contrário do que aconteceu em 2022. Naquela época ainda dava para entender uma divisão porque Marília foi do PT e foi nossa candidata a prefeita do Recife em 2000 mas este ano uma divisão pode prejudicar a candidatura de Humberto ao Senado”. Defensora do apoio ao prefeito João Campos, a senadora não nega que há setores do partido defendendo o apoio a Raquel. Sobre a tese dos dois palanques para Lula no estado, um com João e outro com Raquel, ela afirma entender que o caso de agora não é o mesmo de 2006 quando Lula subiu nos palanques de Humberto e Eduardo Campos, ambos candidatos a governador.
– “Nada impede que mais de um candidato apoie Lula, mas acho que ele só vai subir em um palanque. Em 2022, ele teve o apoio do Solidariedade, o partido de Marília, e do PSOL e foi às convenções dos dois partidos mas palanque ele só subiu no do PSB/ PT”. A respeito dos petistas que defendem o apoio a Raquel ela cunhou uma frase interessante: “não se pode confundir desejo com a realidade política”. A senadora acredita que Lula precisa do PSB e deve manter Geraldo Alckmin como vice, o que entende como significativo por conta da questão de São Paulo. Ela diz que a importância do partido socialista para Lula é até maior pela presença de Alckmin na chapa presidencial e que isso vai pesar nas definições.
Redes e campanha
Está crescendo a importância das redes sociais nas campanhas políticas. A pesquisa da Quaest divulgada esta quarta-feira mostra que 39% dos brasileiros se informam sobre política nas redes ( em setembro eram 32%), 34% afirmam que se informam pela TV ( antes eram 38%), 10% dizem que ficam por dentro da política pelos sites, blogs e portais, 11% por outros meios e 5% dizem que simplesmente não se informam sobre o assunto. Indagados pela Quaest sobre do que têm mais medo, se da reeleição de Lula ou da volta da família Bolsonaro, 46% disseram temer a família Bolsonaro e 40% a reeleição do atual presidente.
Lulistas e bolsonaristas
No mesmo levantamento, 32% dos brasileiros se disseram “independentes” do bolsonarismo e do lulismo, 19% se declararam lulistas, 14% se disseram de esquerda não lulista, 12% se afirmaram bolsonaristas e 21% de direita não bolsonarista. Isso pode explicar o fato do governador Tarcísio de Freitas, mesmo dizendo que não é candidato a presidente, estar com percentual mais alto do que Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno em que um dos dois enfrente Lula.
Pergunta que não quer calar
O PT de Pernambuco vai sair unido dessa discussão sobre quem apoiar para governador?
