Por Igor Maciel
Na sabatina ao Sistema Jornal do Commercio, João Campos (PSB) trabalhou com escolhas. Ele escolhe quando o passado deve ser lembrado e quando precisa ser superado. Se o assunto é Eduardo Campos, a história oferece exemplos, realizações e um legado que merece continuidade. Se a pergunta chega aos oito anos de Paulo Câmara, o candidato afirma que está na eleição para falar do futuro, não do passado. A contradição revelada na entrevista à Rádio Jornal e à TV Jornal não é acidental. Ela organiza a narrativa que João pretende levar à campanha.]
E ficou evidente que o discurso do socialista tem algumas outras “seleções”. Falar de Eduardo governador e dele próprio prefeito, tudo bem. Falar do PSB, que inclui outras figuras como Paulo Câmara (que era do PSB quando foi governador) ou Geraldo Julio (PSB), nunca. Teve também a divisão PT e Lula, que ficou ainda mais evidente nas falas.
Escolha
João não divide sua estratégia narrativa entre “passado e futuro”, como tentou fazer crer. Ele divide suas falas entre aquele passado que deseja herdar e aquele pelo qual não quer responder. Na sabatina, foi questionado sobre os 16 anos de governos do PSB e especificamente sobre a gestão de Paulo Câmara, da qual participou como chefe de gabinete. Evitou avaliar o período e preferiu “olhar adiante”.
O “olhar adiante”, porém, perde a vez quando o personagem é Eduardo. Aí o candidato cita hospitais, UPAs e escolas técnicas implantados nas gestões socialistas, mas é no pai que concentra a responsabilidade pelo legado. Até para explicar como pretende buscar recursos em Brasília, contou que Eduardo dizia aos outros governadores que, além de amigo de Lula, sabia “fazer o dever de casa”.
O exemplo de competência administrativa foi apresentado como uma qualidade de Eduardo, não como um método dos governos do PSB. O partido aparece formalmente. O pai recebe a autoria política.
A seleção é compreensível. Eduardo deixou um patrimônio eleitoral ainda forte em Pernambuco. Paulo terminou oito anos de governo com o PSB derrotado e fora do segundo turno em 2022. João tenta receber o ativo do primeiro sem incorporar o passivo do segundo.
Há um limite nessa separação. João não acaba de chegar ao PSB nem pode se apresentar como alguém que assistiu à distância ao ciclo socialista. É filho de seu principal líder recente, ocupou o cargo mais importante entre os auxiliares do governo Paulo Câmara e hoje preside nacionalmente a legenda. Quando evita defender aquele governo, entrega à adversária a oportunidade de perguntar “por que Pernambuco deveria confiar novamente no partido dele”.
Amizade