Por TEREZINHA NUNES
Os candidatos ao Governo do Estado, a governadora Raquel Lyra e o ex-prefeito do Recife João Campos, chegam à ultima semana de campanha em um ambiente de acirramento jamais imaginado diante de um panorama que começou largamente favorável ao ex-prefeito – ele chegou a colocar mais de 30 pontos à frente de Raquel – e levou a governadora a passar na frente do concorrente que, na reta final, conseguiu levar o pleito a um empate técnico. Nos próximos dias os dois vão tentar se sobressair em um ambiente que promete ser de ataques e contra-ataques e de mobilização de multidões para impressionar os indecisos.
João Campos mostrou força esta sexta-feira em ato no Recife Antigo que contou com a presença do presidente Lula e a governadora, que tem também arrastado muita gente por onde anda seja no Grande Recife ou no interior, promete continuar na rua até o último minuto. Além dessas mobilizações acontecem dois debates que, pelo clima atual, podem literalmente pegar foto. Esta terça será na Rede Globo e na quinta-feira no Sistema Jornal do Commércio de Comunicação.
Intensidade emocional e subida de tom
A cientista política Priscila Lapa afirma que “é característico no Brasil que as últimas semanas de campanha são marcadas pela intensidade emocional, sejam de emoções positivas ou negativas. A idéia é criar motivação no eleitor e atuação, sobretudo, para reduzir as abstenções e captar votos dos indecisos. Tenta-se de mobilizar as massas, engajar os candidatos proporcionais e suas bases, além de criar o efeito de demonstração de força.”
– A gente pode esperar – diz ela – ataques mútuos para desconstrução dos adversários e, ao mesmo tempo, mensagens de que a campanha está sendo atacada. Os apelos emocionais tendem a ser acentuadíssimos. A esta altura, as campanhas sabem os pontos fracos dos adversários, onde eles são mais reativos, os temas sensíveis que geram mais engajamento ou repulsa. Não podemos esperar a tônica propositiva nos debates mas uma subida de tom”.
Pesquisas perdem validade em horas
Esta semana a Quaest que divulgou pesquisa em Pernambuco esta quarta-feira anunciou que já nesta terça fará novo levantamento. Explicação? A campanha em Pernambuco está sendo tida como a mais emocionante entre os estados e mobllizando os institutos para acompanhar a escolha do eleitor. -“A partir deste momento as pesquisas que vão saindo, elas vão ficando velhas não com o passar do dia mas o passar das horas” – diz o cientista político Felipe Ferreira Lima, acrescentando: “Este é o momento em que os eleitores vão começando a despertar para a escolha dos seus candidatos ou para a cristalização do voto”.
Para ele, “muitos indecisos podem estar pensando em mudar de voto e agora estão maquinando isso. Outros que não se pronunciaram, que iriam votar em branco ou nulo e podem votar em alguém, também.” Ele acha que nesses momentos de despertar “podem haver surpresas numa eleição acirrada como a que estamos assistindo em Pernambuco. E o que as pesquisas dos mais variados institutos colocam agora? Elas apontam uma tendência de crescimento de João Campos e uma tendência de estabilização e sensível decréscimo da governadora. Isso aponta para o acirramento do acirramento. É importante dizer que pautas sensíveis podem fazer eleitores desistirem do voto e é nisso que estão apostando os aliados de João que, no momento, está atrás, para conseguir atingir um percentual X de votos”.
Momento de não jogar na defesa
Felipe entende que a visita de Lula foi marcada nesse momento exatamente com o objetivo de animar a militância na reta final. “Eles também estão aproveitando situações de fragilidade da governadora como foi o caso do vídeo laqueadura. Esse é o momento de não só jogar na defesa. Defendendo suas pautas mas também buscando pautas de contra-ataque ou de ataque para se possa ganhar terreno sobre o campo adversário”.
Segundo ele, “o momento é muito sensível mesmo e deve provocar uma variação das pesquisas durante a semana embora seja preciso dizer que pesquisa não é futurologia, não é um prognóstico futuro. Pesquisa é diagnóstico do momento. Na proximidade da eleição isso vai podendo mudar mas, como disse, não é em dias, é em horas. A gente vai sentir isso durante a semana”. – conclui.
Grupos a postos
Este blog apurou que é intensa a movimentação de bastidores nas duas campanhas não só para tirar proveito de tudo o que for possível durante a semana como para planejar o dia da eleição garantindo maior presença dos eleitores já que o pleito pode chegar a uma situação em que cada voto pode ser fundamental para os dois principais adversários.O grupo da governadora conta com a mobilização dos prefeitos aliados nos municípios para conseguir o maior número de votos possível e o de João Campos prepara um batalhão de cabos eleitorais na periferia do Recife com o mesmo objetivo.
Quem vai se sair melhor? A depender do que acontecer durante a semana muitas águas ainda vão rolar até a abertura da primeira urna no domingo que vem.