Por Betânia Santana e Alex Fonseca
O prefeito do Recife, João Campos (PSB), considerou oportunismo eleitoral o pedido de impeachment feito pela oposição na Câmara de Vereadores do Recife. A iniciativa ocorreu depois da polêmica envolvendo dois candidatos ao cargo de procurador do município. O primeiro havia declarado ser deficiente físico. O segundo, que ficou em 63º lugar, apresentou atestado em 2025, dois anos depois de o certame ser homologado.
“Não dá para ver isso sendo tratado com oportunismo eleitoral. Chega ano de eleição, nossos nomes aparecem de forma importante nas pesquisas e algumas pessoas acham que vale o jogo do vale-tudo. Não é assim. Então, vou tratar tudo com seriedade, com respeito e fazendo as coisas como devem ser feitas”, argumentou o prefeito logo depois de inaugurar o segundo parque alagável da cidade, no Barro, bairro da Zona Oeste do Recife.
João Campos lembrou ter um irmão com síndrome de Down e garantiu tratar o assunto com responsabilidade. “Vocês sabem que a causa de pessoa com deficiência é uma causa de vida que eu tenho. Tenho um irmão com síndrome de Down, que amo muito, e sei bem como é importante a gente ter o cuidado relativo a isso”, explanou.
Responsabilidade
O pedido de impeachment foi feito pelo vereador Eduardo Moura (Novo), e o prefeito, que tem maioria na Casa de José Mariano, disse acreditar que os parlamentares serão responsáveis na hora de avaliar a proposta.
“Eu tenho absoluta confiança na Câmara de Vereadores que não vai se deixar levar por nenhuma irresponsabilidade eleitoral”, cravou.
O caso
A polêmica envolvendo o prefeito do Recife começou com o concurso para procurador judicial, ocorrido em 2022. Na ocasião, foi aprovado para a vaga destinada a pessoas com deficiência (PCD) o candidato Marko Venício dos Santos Batista, que aguardava a nomeação e posse. Mais tarde, no entanto, foi nomeado para a vaga outro candidato, Lucas Vieira Silva.
Lucas Vieira havia inicialmente se inscrito na ampla concorrência, ficando em 63° lugar no concurso. Em 2025, ele recorreu à Procuradoria do município para concorrer como candidato nas ações afirmativas, apresentando um laudo com um diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Três procuradoras concursadas votaram pelo indeferimento do pedido, enquanto o procurador-geral do município, Pedro Pontes, indicado pelo prefeito João Campos, posicionou-se favoravelmente. A nova nomeação foi oficializada no dia 23 de dezembro do ano passado e, diante da repercussão negativa, revogada no dia 31 do mesmo mês.
Lucas Vieira Silva é filho do juiz da Vara dos Crimes Contra a Administração Pública e da Ordem Tributária do Recife, Rildo Vieira da Silva, e da procuradora do Ministério Público de Contas (MPCO), Maria Nilda Silva. Dias antes, o magistrado havia arquivado uma ação que investigava contratos envolvendo a prefeitura.
