
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já avisou diversas vezes que vai vetar o projeto de lei que amenizou as penas aos envolvidos em atos golpistas — o antigo PL da Anistia, agora chamado de PL da Dosimetria.
No entanto, o aviso e o provável veto têm um recado muito mais político, do que prático.
Isso porque a oposição também já mandou diversos recados de que, caso Lula vete o projeto de lei, irá derrubar tal veto em votação conjunta no Congresso Nacional. E tem votos para isso.
Mesmo assim, Lula insiste em vetar o texto embasado em duas máximas. Primeiro, em pesquisas que mostram que a maioria da população é contra o projeto. Segundo, no aceno que dá ao seu eleitorado que, nas redes sociais, vem repetindo o discurso de “não anistia” desde 8 de janeiro de 2023.
Nesse aceno político, que visam nada mais do que a reeleição em outubro, Lula, por outro lado, desagrada o Congresso Nacional.
Os partidos de Centro já fizeram chegar à ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, o recado de insatisfação com o provável veto e o quanto isso pode complicar as relações com Senado e Câmara.
Mesmo assim, Lula deve pagar para ver. No cálculo que faz, o presidente da República acredita que irá mais ganhar com o eleitorado, que perder com o Centrão.
O entendimento do presidente, segundo interlocutores, é que uma relação já desgastada não deve piorar ainda mais com um veto que é mais simbólico do que prático.
Afinal, questiona um ministro, alguma vez a relação Lula 3 e o Congresso já esteve boa?
