Miguel Coelho oscila, Silvio Filho admite continuar ministro e luta pelo Senado sobe no telhado

O ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, a ex-deputada federal Marilia Arraes, o senador Humberto Costa e o Ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa FilhoPor TEREZINHA NUNES

A luta deste ano pelas duas vagas de senador de Pernambuco não se distingue apenas pelo grande número de pretendentes, mas pela total incerteza sobre os rumos que ela irá tomar. O caldo começou a engrossar na semana passada quando o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, em entrevista ao blog Cenário, ao invés de cravar, como vinha fazendo, que vai disputar no bloco do prefeito João Campos, oscilou na resposta dizendo que o União Brasil, o seu partido, “estará no palanque de quem acreditar no seu projeto”, gerando especulações, até agora não desmentidas, de que pode voltar a se entender com a governadora Raquel Lyra em cuja base está outro pré-candidato ao Senado na Federação União Progressista à qual Miguel está atrelado: o deputado federal Eduardo da Fonte(PP).

Ao mesmo tempo, o ministro Sílvio Costa Filho, que também seria pré-candidato ao Senado na chapa do prefeito João Campos, informou a um amigo que avalia a possibilidade de continuar no Ministério dos Portos e Aeroportos, onde faz excelente trabalho, e ajudar o presidente Lula a se reeleger. Além de estar sentindo que ficou difícil a luta pelo Senado no palanque do prefeito, Silvinho até admitiria a possibilidade de ser o vice da chapa, como informou a este mesmo amigo, mas João Campos estaria fechado em copas sem querer assumir compromisso com ninguém. Este blog apurou que a oscilação de Miguel também tem a ver com a falta de confiança na escolha que o prefeito fará daqui pra frente.

Esta segunda-feira também passou a ficar incerta a possibilidade do senador Humberto Costa estar com certeza no palanque da Frente Popular. Em entrevista à Rádio Folha, o deputado estadual João Paulo, do PT, não só voltou a defender dois palanques para Lula em Pernambuco como deixou claro que Humberto se relaciona melhor com a governadora do que com o prefeito e pode vir a ser candidato no palanque de Raquel. João Paulo não cravou isso mas lembrou que João atacou o PT em 2020 na eleição do Recife e isso não foi inteiramente assimilado e nem esquecido. O deputado, que é líder do PT na Alepe, apoia a governadora junto com o restante da bancada petista e defende há tempos que o PT faça aliança com ela este ano. E não esconde dos mais próximos que Humberto torce por isso.

Ansiedade atrapalha?

Nos meios políticos há muito se comenta que, muito bem nas pesquisas, o prefeito João Campos atraiu para si muitos postulantes ao Senado – há ainda a ex-deputada federal Marília Arraes – e iria acabar se atrapalhando na hora de colocar os pontos nos iis. “Na verdade essas pessoas estão ansiosas demais, parece que não conhecem a política” – afirmou a este blog, pedindo anonimato, um deputado estadual que apóia o prefeito, explicando que ainda não chegou o tempo de definições. Há muito se comenta nos corredores da Assembleia que a ansiedade atrapalha Miguel Coelho. Ele gostaria que antes do carnaval a chapa da Frente Popular estivesse fechada, mas ninguém acredita que isso vá acontecer até lá. Ao saber disso, Miguel teria resolvido dar um recado que não teria sido bem assimilado pelo PSB.

Ferro: posicionamento correto

O ex-deputado federal Fernando Ferro, do PT disse a este blog que concorda com a tese dos dois palanques pois para ele o correto é priorizar a eleição nacional e não a

local

. E concluiu: “ Eu prefiro que o PT tenha candidato próprio no 1. Turno…mas há uma submissão precipitada ao PSB no estado por parte do grupo majoritário, que mendigou uma vice a João Campos em 2024 e levou um drible humilhante…”

Fernanda Torres e Wagner Moura

O Nordeste teve seu dia de glória – Pernambuco e Bahia, em particular – com as duas estatuetas ganhas pelo filme do pernambucano Kleber Mendonça, O Agente Secreto, rodado no Recife. A escolha de Wagner Moura como melhor ator foi celebrada como histórica, mas ninguém parece ter observado que mais histórica foi a estatueta ganha o ano passado pela atriz Fernanda Montenegro, escolhida como melhor atriz em filme de drama. A não ser que se entenda que Fernanda foi a primeira mulher e Wagner o primeiro homem a ganhar, mas como essa distinção não está sendo feita e a memória é curta fica parecendo que ele foi mais longe do que ela e não foi. A pioneira foi uma mulher que abriu caminho para um homem chegar depois.

Pergunta que não quer calar

Quem afinal vai estar na chapa do prefeito João Campos, disputando o Senado?