Ariano Suassuna é declarado Patrono da Cultura do Recife por legado como escritor e dramaturgo

Escritor Ariano Suassuna é declarado Patrono da Cultura do Recife
Escritor Ariano Suassuna é declarado Patrono da Cultura do Recife – Foto: Paullo Allmeida/Arquivo Folha de Pernambuco

Apesar de ser paraibano, o escritor desenvolveu todo seu trabalho intelectual no Recife e promoveu o nome do estado em boa parte de suas obras

O escritor e dramaturgo Ariano Suassuna foi declarado Patrono da Cultura do Recife. O título foi concedido pela prefeitura nesta quinta-feira (24), após sanção de uma lei municipal aprovada na última semana.

Apesar de ser paraibano, o escritor desenvolveu todo seu trabalho intelectual no Recife e promoveu o nome do estado em boa parte de suas obras. Além do reconhecimento na capital, Ariano Suassuna é também Patrono da Cultura de Pernambuco desde 2020.

De acordo com o prefeito do Recife, Victor Marques, que o reconhecimento foi feito pela defesa, celebração e reinvenção do imaginário poético e popular do povo do Nordeste por meio do trabalho e da figura de Ariano Suassuna.

O título celebra também a importância e o legado de Ariano Suassuna como um grande expoente da cultura brasileira. Ele chegou a ter livros publicados em diversos países do mundo e traduzidos para dezenas de idiomas, como inglês, francês, espanhol, alemão e até polonês. Também ocupou as cadeiras de número 32, 18 e 35, na Academia Brasileira de Letras, na Academia Pernambucana de Letras e na Academia Paraibana de Letras, respectivamente.

Mariana Suassuna, filha de Ariano, esteve presente no evento de oficialização e destacou o amor do pai pelo Recife.  “Ele veio muito cedo para estudar e era um apaixonado pela cidade. Defendia a cultura do Brasil, de Pernambuco e do Recife com muito amor”, disse.

“Eu digo que o amor de Ariano pelo Recife é de ‘A a Zélia’. Ele veio estudar no Recife, conheceu Zélia – esposa do escritor – e sua vida foi transformada. Ariano, que antes dela só escrevia tragédias, foi inspirado por ela a descobrir o riso, a leveza e a graça que marcaram o Ariano que conheci como neto. Com essa lei, temos efetivamente sedimentado, não apenas no coração, mas também na alma do povo recifense, a figura de Ariano como Patrono da Cultura da cidade”, completou João Suassuna, neto de Ariano.

A nova legislação municipal, que havia sido aprovada na Câmara Municipal do Recife, é uma proposição do vereador Rinaldo Júnior (PSB).

Trajetória 
Nascido em João Pessoa, na Paraíba, em 16 de junho de 1927, Ariano Suassuna se mudou com a família para o Recife em 1942, onde estudou no Ginásio Pernambucano e no Colégio Oswaldo Cruz. Em 1950, concluiu o curso de Direito na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), instituição na qual ingressou posteriormente, em 1956, como professor de Estética.

Sua produção dramática e literária começou a ganhar projeção nacional ainda na juventude, com a escrita de “Uma mulher vestida de sol” (1947) e do clássico “Auto da Compadecida” (1955), obra agraciada com a Medalha de Ouro da Associação Paulista de Críticos Teatrais em 1958. No ano seguinte, ao lado de Hermilo Borba Filho, Ariano fundou o Teatro Popular do Nordeste, fortalecendo a cena das artes cênicas na cidade.

Legado 
A obra de Ariano Suassuna ficou marcada pela integração dos folhetos de cordel, dos autos ibéricos e da comédia popular com a tradição erudita. No Recife, em 1970, o escritor idealizou e lançou o Movimento Armorial, iniciativa que convocou artistas de diversas áreas a criarem artes plásticas, música e literatura refinadas a partir das raízes e dos símbolos do Nordeste brasileiro.

Por Portal Folha de Pernambuco