Por Clara Oliveira
O deputado estadual Doriel Barros (PT) declarou que a governadora Raquel Lyra (PSD) tem feito gestos políticos positivos em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e que, se parlamentares petistas decidirem apoiar a gestora estadual na eleição deste ano, o posicionamento será respeitado pelo partido. Em entrevista à Rádio Folha 96,7 FM nesta terça-feira (19), contudo, o deputado reforçou que apenas sinalizações sutis não são suficientes para que Raquel garanta o apoio do presidente Lula na eleição estadual, e que o ideal seria que ela declarasse que votaria no chefe do Executivo nacional.
Doriel Barros elencou que a parceria firmada por Raquel Lyra e pelo deputado federal Túlio Gadêlha (PSD), por exemplo, foi importante, pois sinaliza que a governadora está tentando se aproximar de um projeto político lulista. Gadêlha deixou a legenda Rede Sustentabilidade para se filiar ao PSD – partido chefiado em Pernambuco por Raquel – e deve concorrer ao senado na chapa da governadora. Porém, Barros avalia que é preciso que a própria Raquel Lyra se valide como eleitora do presidente Lula.
“A presença de Túlio (na chapa de Raquel Lyra) é um gesto importante. Ele é um deputado de esquerda, que sempre votou e apoiou o PT. Mas isso não é suficiente para dizer que esse é o gesto que o presidente Lula espera. Mas ainda não passou o tempo da governadora declarar apoio ao presidente Lula, e quem vai dizer se vai ter um, dois ou três palanques aqui é o próprio presidente Lula” argumentou o deputado estadual.
Além disso, Doriel Barros explicou que o Partido dos Trabalhadores definiu que apoiará a eleição do ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) para o governo de Pernambuco. A chapa encabeçada por Campos apoia a reeleição de Lula e do senador Humberto Costa (PT), projetos que são prioritários ao PT. No entanto, o deputado frisou que não haverá retaliações para os parlamentares petistas que decidirem votar em Raquel Lyra, pois esse assunto “não tem uma imposição, mas sim um debate respeitoso”.
“Tem-se buscado dialogar com todo mundo em relação às decisões que foram tomadas pelo PT, mas você tem situações locais que apresentam dificuldade. Nos municípios, por exemplo, têm projetos políticos que não giram em torno do projeto estadual. Então, o PT não pode ignorar. […] O partido não vai fazer caça às bruxas a essas pessoas”, avaliou Barros.
De acordo com o deputado estadual, seria incoerente o Partido dos Trabalhadores retaliar quadros da legenda que não votam em João Campos. “Se não vamos fazer (caça às bruxas) em relação a votos ao próprio PT, fazer uma perseguição por conta de uma candidatura a governador não tem sentido, e precisamos ser coerentes. Não vamos a ferro e fogo, dizer que essas pessoas vão ser expulsas”, concluiu.
