“O presidente não se ajoelha para ninguém”, diz Carlos Veras ao desmentir Túlio Gadêlha

O deputado federal e presidente estadual do PT, Carlos Veras, desmentiu o também deputado federal e pré-candidato ao Senado Túlio Gadêlha (PSD), que declarou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não estava feliz ao gravar o vídeo em que anuncia apoio formal à pré-candidatura de João Campos (PSB) ao governo de Pernambuco. Em entrevista à Rádio Folha 96,7 FM na manhã desta segunda-feira (22), Veras afirmou que o chefe do Executivo federal não faria algo por pressão política e que o vídeo foi gravado de forma consentida.

“O presidente Lula não baixa a cabeça para ninguém, não grava um vídeo se não tiver convicção, se ele não tiver certeza daquilo, se não estiver fazendo parte desse processo. O presidente não se ajoelha para ninguém. Eu não posso concordar que o presidente Lula iria gravar um vídeo para o candidato majoritário, que o PT está compondo a chapa com uma vaga ao Senado, estando desconfortável, de maneira alguma”, reforçou Carlos Veras.

Em contrapartida, por meio das redes sociais, Gadêlha afirmou, no último domingo (21), que a declaração do presidente Lula veio por conta de acordos partidários, e não de maneira espontânea.

“Eu sou amigo de Lula, conheço ele e quem conhece Lula um pouquinho sabe que ele não estava feliz quando gravou aquele vídeo. Ele precisou gravar aquele vídeo por conta de acordos de aliança político-partidária”, defendeu.

Carlos Veras também reforçou que, quando Túlio decidiu sair do partido Rede Sustentabilidade para se filiar ao PSD, isso também representou uma mudança ideológica, visto que a antiga legenda é de esquerda, e a atual se posiciona ao centro – fato que pode influenciar a campanha do deputado ao Senado e o apoio dele ao presidente Lula.

“Infelizmente, Túlio saiu de um partido do campo da esquerda, um partido que tem construído conosco no Congresso Nacional uma liderança mais sólida, e foi para o PSD. O PSD tem um candidato a presidente da República, que é o [Ronaldo] Caiado. É lamentável porque ele sabe a importância de apoiar o presidente Lula”, explicou Veras.

Contexto
O vídeo do presidente Lula foi publicado no dia 15 de junho, durante o lançamento do Chega Junto Pernambuco, programa de escuta popular encabeçado pelo ex-prefeito do Recife João Campos.

“O meu partido e eu estamos apoiando João Campos para candidato a governador do estado de Pernambuco. Esse é um compromisso histórico e é um compromisso que é resultado de uma relação que deu resultado. Eu não preciso contar a minha relação com o PSB, que é a maior aliança nacional que nós temos hoje, mas contar o histórico dessa aliança, da minha relação com Miguel Arraes, da minha relação com Eduardo Campos”, disse o presidente no vídeo.

O PT formalizou apoio à pré-candidatura de Campos ainda no lançamento da chapa da Frente Popular, em março. O grupo se declara lulista e conta com a participação do senador Humberto Costa (PT), que tenta a reeleição à Casa Alta.

Antes do evento, outro fato motivou a publicação do apoio eleitoral. O ministro do Desenvolvimento Social e futuro coordenador de campanha do presidente Lula, Wellington Dias (PT), sugeriu, em entrevista ao jornal O Globo, que havia a possibilidade do líder nacional ter dois palanques em Pernambuco. “Lá [em Pernambuco] temos o João Campos e a Raquel Lyra. Vamos lembrar que e

derável do nosso time ficou com ela”, declarou o ministro ao jornal.

Essa possibilidade foi desmentida pelo presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, Edinho Silva, que reforçou o apoio único a João Campos. O vídeo do presidente Lula teria sido publicado para romper com a ideia de palaque eleitoral junto à governadora Raquel Lyra (PSD).

Túlio Gadêlha, no entanto, avaliou que ter vários palanques seria mais benéfico para a reeleição do atual presidente do Brasil.

“Uma coisa que o presidente Lula valoriza é quem trabalha, quem dá resultado, quem cuida do pobre, quem leva a política pública a sério e sobretudo quem vota certo, quem vota contra o golpe, quem vota contra a blindagem, quem defende as políticas sociais. Então, estou muito tranquilo e eu defendo que o presidente Lula tenha o palanque de João, mas também tenha o palanque de Raquel, tenha o palanque de Ivan [Moraes]”, argumentou o parlamentar.

Em discursos, Túlio Gadêlha afirma, ainda, ser uma ponte entre Raquel e Lula. Carlos Veras, porém, pontuou que a relação administrativa entre a governadora e o presidente sempre foi muito respeitosa, e não é necessária uma ponte entre os dois governantes.

A governadora Raquel Lyra e o presidente Lula não precisam de ponte. Ela é governadora, e ele é presidente da República. Ele tem muito respeito pela governadora, e tudo que foi preciso mandar para o estado de Pernambuco foi mandado e ainda está sendo, porque ele governa pelo povo de Pernambuco”, concluiu o presidente estadual do PT.