Crise no STF colona eleição para o Senado no centro das disputas

Por Emerson Saboia

Protagonista em decisões que mudaram o curso da política nacional nas últimas décadas, o Supremo Tribunal Federal (STF) já foi autor de decisões que afastaram o presidente Lula (PT) da disputa presidencial de 2018 e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) do pleito deste ano. Com os desdobramentos do caso Banco Master, é a vez do Supremo estar no centro de uma crise, às vésperas das eleições.

Diante das tensões no Supremo, especialistas ouvidos pela Folha de Pernambuco analisam o reflexo da contenda da Corte no futuro do pleito, além de alertar para o papel central que a disputa por 54 vagas no Senado terá nos desdobramentos da crise. Isso porque o número de novos senadores que serão eleitos em outubro representa, justamente, o quórum necessário para o impeachment de um magistrado do STF.

A tensão na Corte escalou após o ministro do STF André Mendonça retirar o sigilo sobre um relatório da Polícia Federal que expõe trocas de mensagens entre o ex-dono do banco Master, Daniel Vorcaro, e o ministro da Corte Alexandre de Moraes. A decisão abriu uma crise na Corte e expôs o magistrado.

A situação escalou em patamar sem precedentes após Moraes apresentar pedido de investigação contra Mendonça no âmbito do inquérito das Fake News, além de determinar que a Procuradoria-Geral da República (PGR) seja informada sobre o caso. Em seguida, foi a vez de Mendonça pedir ao presidente da Corte, Edson Fachin, para determinar o afastamento do colega.

Em meio ao tensionamento da Corte, o vazamento de mensagens e áudios envolvendo lideranças políticas e Daniel Vorcaro aprofundam ainda mais a dimensão da crise em plena corrida eleitoral.

Antissistema

O professor da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e cientista político Elton Gomes enxerga uma crise de “natureza colossal” no STF. Além de gerar perda de confiança nas instituições e uma “apatia política” por parte da população, o especialista aponta o fortalecimento de uma agenda antissistêmica, com efeito nas urnas.

“Terá impactos diretos sobre a escolha que as pessoas farão no dia 4 de outubro, principalmente para o Senado, o juiz natural dos ministros, que tenderão, diante desse quadro de escândalos flagrantes, a fortalecer candidaturas que, por exemplo, se comprometam com a restrição os poderes da Suprema Corte, das decisões monocráticas, estabelecer mandato para ministros – que deve ser a principal pauta para puxar votos e promover impeachment de ministros”, analisa.

Vagas

O Senado é responsável por aprovar ou rejeitar a indicação do presidente da República para o STF, além do julgamento de um ministro da Corte em caso de pedido de impeachment. Para afastar um magistrado da Corte, é preciso reunir 2/3 da Casa, ou seja, 54 senadores, justamente o número de vagas disponíveis na disputa eleitoral deste ano. Com o desgate da Corte em alta, temas como a defesa de mandato temporário para os ministros parecem romper a polarização e começam a ser defendidos por candidatos ao Senado de esquerda e direita.

O professor da UNIT-PE e cientista político Alvaro Azevedo Neto lança olhar sobre o tema. “O caso trouxe à luz um debate sobre uma PEC que criaria mandato fixo de 8 anos para ministros do STF, sem recondução, e reduziria a idade de aposentadoria compulsória de 75 para 65 anos. O interessante é que esse discurso deixou de ser exclusividade da direita e a esquerda também parece estar aderindo a ele”, pontua.

Segundo Gomes, o impeachment de um ministro também não está descartado.

“Essa crise pode aumentar o discurso antissistema, de soluções abruptas e de rupturas, e fazer com que sejam eleitos muitos congressistas, especialmente senadores, interessados em uma agenda de confronto com o crescente poder da Suprema Corte, principalmente em relação às decisões monocráticas desses ministros. Isso, em última instância, pode levar a um estado de coisas, em termos políticos, que permita a instauração e a efetiva realização de um processo de impeachment contra um ou mais ministros, o que seria outro ineditismo na história política brasileira”, pondera.

Efeitos

Apesar da pauta ganhar força nos diferentes espectros políticos, os olhares sobre o tema ainda revelam distinções. A direita aborda o tema com uma bandeira de ruptura mais explícita com a defesa, inclusive, do impeachment de ministros. Por outro lado, a esquerda defende uma reestruturação institucional, com uma reforma do Judiciário.

Convergindo na mesma pauta, os cientistas buscam entender uma das questões mais importantes do atual cenário: há um mês das eleições, qual o lado sai mais prejudicado dessa crise? Gomes não exclui nenhum dos espectros do raio de explosão, incluindo o centrão, mas, na sua leitura, o atual presidente pode ser o mais afetado com a crise.

“Isso já pode ser sentido inclusive nas pesquisas eleitorais mais recentes, que apontam um crescimento, ainda que não ao ponto de descolar da candidatura do incumbente, da candidatura do principal opositor (o senador Flávio Bolsonaro, do PL), que, em alguns levantamentos, aparece até numericamente à frente e, na maior parte, tecnicamente empatado com o presidente que busca a reeleição no segundo turno”, compara.

Por outro lado, Alvaro pondera, apontando um impasse que, no fim das contas, prejudica o brasileiro.

“De um lado, há a associação de Moraes ao governo Lula. Entende-se que, como Moraes foi peça-chave na condenação do (ex-presidente Jair)Bolsonaro, isto pode afetá-lo. De outro lado, temos todo o envolvimento da família Bolsonaro com o ocorrido. A família Bolsonaro aparece na história por causa dos pagamentos de Vorcaro ao fundo que financia o filme sobre Jair Bolsonaro, e Flávio Bolsonaro deu declarações contraditórias sobre esses valores. Acho que o lado mais afetado é o do eleitor, que vai perdendo cada vez mais a credibilidade nos nossos agentes políticos e institucionais”, considera.

Vídeo

Em um vídeo publicado no seu perfil oficial do Instagram, Lula quebrou o silêncio sobre a crise vivida no Supremo. O presidente destacou o caso Master como o “maior esquema de corrupção da história do país, descoberto e investigado no seu mandato”. O que surpreendeu foi a defesa de uma reforma no Judiciário. Segundo Azevedo, Lula agiu para proteger sua coerência.

“Lula reagiu a uma crise que estourou dentro do próprio Judiciário, não a uma crise que ele provocou. Parece ser um movimento calculado de controle de danos. Como o PT depende da legitimidade do STF (que foi decisivo para condenar Bolsonaro), não quer ser visto como cúmplice de uma Corte manchada por este escândalo”, explica.

Já Flávio Bolsonaro adotou um tom mais duro e cobrou o impeachment de Moraes ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Na mesma linha, outros presidenciáveis Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante) também adotaram um tom de cobrança mais duro.

Impeachment

O que se fala em Brasília-DF é que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), está “sentado” sobre 106 pedidos de impeachment contra os 10 ministros do STF, sendo Moraes o campeão de denúncias. Apesar de nunca ter acontecido antes, a quantidade de requerimentos levanta dúvidas sobre o processo de perda do cargo vitalício, como o de ministro do STF.

Emilio Duarte, advogado especialista em Direito Administrativo e Eleitoral, descreveu o caminho que uma denúncia dessas precisaria fazer para tirar a toga de um ministro. Ele explica que o pedido de afastamento do magistrado deve ser apresentado ao Senado, protocolado e analisado pelo presidente da Casa e pela Comissão Diretora.

Se avançar, é formada uma Comissão Especial para analisar o caso e emitir parecer, que segue ao plenário. Com a abertura do processo, o ministro tem direito à defesa e, ao fim do julgamento, são necessários dois terços dos votos dos senadores para condená-lo e determinar a perda do cargo.

Prefeitura de Afogados inicia preparação para rotatória na Henrique Dias

As rotatórias são importantes ferramentas de disciplinamento e ordenamento do trânsito. São soluções viáveis para áreas onde semáforos causariam mais retenções.

Na manhã desta sexta (04), a Prefeitura de Afogados da Ingazeira iniciou a preparação asfáltica do final da Rua Henrique Dias, na altura da praça de alimentação, para a instalação de uma rotatória no local.

Numa ação conjunta, a preparação asfáltica do terreno foi realizada pela secretaria de infraestrutura. Já a instalação dos tachões metálicos que irão delimitar a rotatória, bem como a sinalização específica do local, serão realizadas pela secretaria de transportes e trânsito.

A expectativa é que a rotatória, após sua instalação, possa dar mais fluidez ao trânsito no local, foco de grandes retenções de trânsito, sobretudo em dias de feira livre.

Prefeitura de Afogados recebe reforço de duas novas ambulâncias

O secretário de saúde de Afogados, Artur Amorim, esteve na tarde desta quinta (03), no Recife, para receber, duas novas ambulâncias para reforçar o atendimento à população no município.

As ambulâncias foram cedidas para uso da gestão municipal, pelo Estado, por um período de dois anos. A entrega foi realizada pela secretaria estadual de saúde. “Estive aqui em Recife, representando o Prefeito Sandrinho, no recebimento das ambulâncias. Elas estarão cedidas para uso do município no período de dois anos a contar da data de hoje,” informou o secretário de saúde de Afogados, Artur Amorim.

Prefeitura de Afogados inaugurou pavimentação de uma rua e duas travessas

O trabalho de pavimentação de ruas não para em Afogados da Ingazeira. A cada semana, uma nova obra do programa “Minha Rua é 10” é inaugurada.

Dessa vez, a obra inaugurada foi no bairro Padre Pedro Pereira. O Prefeito Sandrinho Palmeira e o vice, Daniel Valadares, inauguraram a pavimentação em piso intertravado da Rua Pedro Soares de Siqueira e de suas duas travessas, ainda sem denominação.

A obra representa investimentos de 392 mil Reais, com a execução se quase três mil metros quadrados de novo pavimento. A rua é uma das mais antigas do bairro. “A gente luta por esse calçamento há mais de quarenta anos. E a Prefeitura agora atendeu nossos pedidos e fez muito mais do que a gente esperava,” declarou Lúcia Santos, representante do conselho de moradores do bairro.

A inauguração contou com as presenças dos vereadores Raimundo Lima, César Tenório, Reinaldo Lima, Douglas Rodrigues, Lucineide Cordeiro, Simone da feira, Mário Martins e Gal Mariano, autora do requerimento que solicitou a pavimentação, além de servidores do município e dos moradores da rua e das duas travessas pavimentadas.

Em sua fala durante a inauguração, o Prefeito Sandrinho Palmeira destacou que irá fazer uma praça para convivência comunitária no entorno da rua e das travessas inauguradas. “Essa é a rua mais antiga desse bairro tão importante que é o Padre Pedro Pereira. Essa pavimentação é uma reivindicação de mais de quarenta anos e chegamos pra atender com essa tão importante obra, beneficiando a população que aqui reside,” afirmou Sandrinho. Para a próxima semana, expectativa de mais obras de pavimentação a serem inauguradas.

Vox Radar: risada de ministros é vista como símbolo de deboche e impunidade

Da CNN 

A fotografia do ministro Alexandre de Moraes rindo ao lado de colegas do STF (Supremo Tribunal Federal) foi vista pelo público como símbolo de deboche e impunidade, segundo um levantamento exclusivo da Vox Radar.

O monitoramento analisou 86.421 comentários públicos do Instagram sobre a foto. No registro, Moraes aparece dando gargalhadas um dia após mensagens do WhatsApp de Daniel Vorcaro sugerirem que o ex-banqueiro e o magistrado mantinham contato.

No lado esquerdo de Moraes estava o ministro Gilmar Mendes, que acompanhava o colega de STF na gargalhada. O ministro Cristiano Zanin era mais comedido e se limitava a sorrir.

Presidente do STF, Edson Fachin não teve a reação captada pela câmera do fotógrafo Breno Carvalho, de O Globo. O ministro aparece de costas na imagem.

Segundo a Vox Radar, comentários tratando o tema como deboche ou escárnio foram os que tiveram maior engajamento: o total de 10.237 comentários reuniu 143.308 curtidas.

Aqueles que interpretaram o gesto como uma deslegitimação da Corte como “quadrilha”, “circo”, “palhaços” somaram 12.570 comentários, enquanto os que apontaram vergonha e nojo do momento totalizaram 12.037 dos comentários feitos.

A foto também foi lida como uma prova visual da impunidade pelos usuários — foram 11.559 comentários nesse sentido.

De acordo com o monitoramento, 97,9% dos comentários não nomeiam nenhuma pessoa em específico, o que indica que as críticas se concentram mais na instituição da Suprema Corte do que em um personagem determinado.

Quando se observa diretamente qual o magistrado mais criticado, Moraes lidera o ranking de menções hostis, seguido de Fachin, Gilmar e, por fim, Zanin.

O levantamento também identificou alguns dos comentários mais curtidos dentro de cada tema. Uma interação do candidato a presidente Romeu Zema (Novo) foi uma das mais curtidas.

“Esse é o sorriso tranquilo de quem sabe que é intocável. O Supremo RI DA NOSSA CARA enquanto a gente sustenta essa farra”, escreveu o ex-governador de Minas Gerais em uma publicação sobre o assunto. No período analisado, o comentário acumulava 25.424 curtidas.

O debate infantilizado ajuda a proteger os poderosos no Brasil de hoje

Por Igor Maciel

A defesa mais infantil diante de um erro não é negar o que aconteceu. É responder que outra pessoa também fez. A criança flagrada aponta imediatamente para o irmão, como se a falha alheia diminuísse a própria responsabilidade. O debate público brasileiro incorporou essa lógica, a transformou em método de proteção política e isso está evidente no escândalo Moraes/Vorcaro.

A polarização afetiva tornou a responsabilidade “condicional”. A falha só parece grave quando cometida pelo “adversário”. Quando envolve alguém do próprio campo, a primeira reação deixa de ser cobrar explicações e passa a ser procurar uma conduta equivalente no outro lado. A pergunta sobre o que aconteceu perde espaço para outra, bem mais conveniente: isso ajuda meu inimigo?

O “mas fulano também fez” não é um argumento. É um salvo-conduto. Se todas as irregularidades podem ser relativizadas pelas irregularidades dos adversários, nenhuma precisa ser devidamente esclarecida. É o “liberou geral” moral e ético, desde que seja meu aliado.

Cada grupo preserva as acusações contra o outro para usá-las como escudo quando um dos seus estiver sob suspeita. Forma-se uma espécie de pacto informal de indulgência recíproca, mesmo entre facções que passam o dia prometendo destruir umas às outras. Infantilizaram o debate público.

Supremo

As revelações sobre as relações entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro submetem o Brasil a mais um desses testes. Há mensagens atribuídas ao ex-banqueiro, encontros com o ministro, um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes e a emissão de cartões com limites elevados para dois filhos do magistrado. Também foi revelada uma mensagem na qual Vorcaro pergunta se deveria deixar o país pouco antes de ser preso.

Essas informações não autorizam uma condenação antecipada. Autorizam perguntas. Qual era a natureza da relação? O ministro foi consultado sobre assuntos que posteriormente seriam investigados? Houve alguma atuação em favor de interesses privados? O contrato com o escritório de sua esposa teve interferência direta ou indireta de Moraes? As mensagens receberam resposta? Quais providências foram tomadas?

A reação faccionada que se viu em parte do público, porém, tenta levar o debate para outro lugar. De um lado, há quem já trate as revelações como prova definitiva de todas as acusações acumuladas contra Moraes. Do outro, há quem considere que a identidade política dos acusadores basta para tornar irrelevante o conteúdo das mensagens. “Se quem acusou foi indicado ao STF pela direita, é tudo mentira”.

Uns dispensam a investigação porque já condenaram. Outros dispensam a investigação porque já absolveram. As duas posições substituem a apuração pela torcida.

Facções

A polarização afetiva aprofunda esse comportamento. O adversário deixa de ser alguém que pensa diferente e passa a representar uma ameaça. A partir daí, admitir uma falha cometida pelo próprio campo parece uma concessão ao inimigo. A fidelidade ao grupo fica acima da fidelidade à regra.

Se uma relação deve ser investigada quando envolve um adversário, também deve ser investigada quando alcança um aliado. Apontar que outras autoridades cometeram falhas semelhantes pode justificar novas apurações. Jamais pode substituir aquela que já está sendo cobrada. A resposta adulta seria investigar todos, e não oferecer impunidade a todos, como vem acontecendo nesse debate infantil.

Eleições

Num período eleitoral, a lógica se torna ainda mais perigosa. O acusado passa a depender menos de demonstrar a correção de sua conduta. Basta convencer seu grupo de que está sendo perseguido. Os fatos viram narrativas, a investigação vira ataque e a responsabilidade individual desaparece dentro de uma guerra coletiva. E, também por isso, Moraes foi flagrado rindo, menos de 24h após sua relação escandalosa com Daniel Vorcaro ser exposta.

As redes sociais aceleram esse processo. A apuração exige tempo, dúvida, contexto e distinções. O algoritmo recompensa indignação, certeza e antagonismo. Enquanto a investigação pergunta o que aconteceu, o algoritmo já “exige” saber de que lado cada um está.

É nesse ambiente que autoridades, empresários e dirigentes envolvidos em escândalos encontram proteção. Sempre haverá um adversário com falhas a serem lembradas, uma eleição capaz de explicar a denúncia e uma militância disposta a trocar perguntas por palavras de ordem.

A polarização deixa de ser somente uma disputa entre projetos de poder e passa a funcionar como sistema de proteção para poderosos.

Prefeitura do Recife conquista prêmio nacional de inovação com IA que reduziu filas na saúde pública

Solução Absens foi reconhecida no Prêmio Impacto Brasil 2026, do Agile Trends, na categoria Transformação, ficando à frente de grandes empresas nacionais como Banco do Brasil, Bradesco, Grupo Boticário e Gerdau

A Prefeitura do Recife, por meio da Empresa Municipal de Informática (Emprel), conquistou o segundo lugar no Prêmio Impacto Brasil 2026, promovido pelo Agile Trends, na categoria “Transformação – mais de 500 pessoas envolvidas”. O resultado foi anunciado na noite desta terça-feira (1º), durante cerimônia no Pavilhão da Bienal do Ibirapuera, em São Paulo, que reuniu lideranças dos setores público e privado.

O reconhecimento veio com o case “Inteligência Artificial aplicada na Redução do Absenteísmo na Saúde Pública – Eficiência e economia”, que apresenta os resultados do Absens, desenvolvido pela govtech Beyond Company, por meio da Emprel, com apoio da Secretaria de Saúde e da Secretaria de Transformação Digital, Ciência e Tecnologia (SECTI), para enfrentar um desafio histórico da rede municipal: o não comparecimento de pacientes a consultas e exames especializados.

Implantada gradualmente a partir de agosto de 2022 e em pleno funcionamento desde março de 2023, a ferramenta utiliza inteligência artificial, análise preditiva de dados e automação de contatos pelo WhatsApp oficial do município para confirmar agendamentos, facilitar cancelamentos e reagendamentos e reocupar automaticamente horários que ficariam vagos.

A solução possibilitou a recuperação de mais de 280 mil vagas na rede municipal de saúde, com economia estimada em R$ 20 milhões aos cofres públicos, contribuindo para reduzir filas e melhorar o aproveitamento dos recursos do Sistema Único de Saúde (SUS). O projeto nasceu no 1º Ciclo de Inovação Aberta (EITA! Recife) da Prefeitura do Recife, em 2022, e foi viabilizado por mecanismos do Marco Legal das Startups, como o Contrato Público de Solução Inovadora (CPSI).

Na avaliação do prêmio, especialistas e executivos consideraram critérios como relevância do desafio, capacidade de execução, potencial de disseminação e resultados alcançados. Na categoria, o Recife ficou à frente de grandes empresas nacionais, entre elas Banco do Brasil, Bradesco, Grupo Boticário e Gerdau.

Representando a gestão municipal na cerimônia, o diretor de Inovação Aberta e Governança de Dados da Emprel, Breno Alencar, destacou o reconhecimento. “Essa conquista, em uma categoria tão competitiva, mostra a força da inovação produzida no Recife e a capacidade da gestão pública de transformar tecnologia em resultados concretos para a população. O Absens demonstra como a inteligência artificial pode ser aplicada para melhorar o atendimento no SUS, recuperar vagas e gerar economia de recursos públicos”, afirmou.

Com a premiação, a Prefeitura do Recife e a Emprel passam a integrar o Ranking Impacto Brasil e recebem o selo digital Cases de Impacto do Brasil, reconhecimento pelo trabalho em inovação, gestão e transformação social. Além disso, vale destacar que a solução integra o portfólio de produtos da Emprel, já sendo fornecida para o Estado do Amazonas e para o município de Cajamar, em São Paulo.

Autoridades e políticos criticam campanha agressiva em Pernambuco

Por Raphaela Peixoto

A escalada de ataques pessoais na campanha eleitoral de 2026 em Pernambuco provocou reação de políticos e autoridades nos últimos dias. Denúncias de uma rede de difamação digital contra o candidato João Campos (PSB) e a circulação de cartazes apócrifos com ofensas à governadora Raquel Lyra (PSD) levaram os principais grupos políticos do Estado a defender a apuração dos casos e a punição dos responsáveis.

A tensão aumentou neste domingo (30/8), quando cartazes anônimos foram encontrados em muros do Bairro do Recife com acusações relacionadas à morte de Fernando Lucena, marido de Raquel Lyra, ocorrida durante o primeiro turno das eleições de 2022. As peças associavam a governadora à morte do marido e faziam comparações ofensivas.

Raquel acionou as polícias Federal e Civil e afirmou, em vídeo publicado nas redes sociais, que os ataques ultrapassaram os limites da disputa eleitoral. A coligação Pernambuco de Coração, formada por PSD, Federação União Progressista (União Brasil/PP), Podemos, Avante e Federação PSDB/Cidadania, também informou que levará o caso ao Ministério Público Eleitoral.

Os ataques foram repudiados inclusive por adversários da governadora. João Campos classificou os cartazes como “um completo absurdo” e disse que não admite ataques contra nenhuma família. O candidato afirmou ainda ter acionado a Justiça para identificar os responsáveis e disse que adotará medidas criminais contra eventuais tentativas de vincular sua campanha ao episódio. O candidato do PSOL ao governo, Ivan Moraes também condenou os cartazes e cobrou a identificação e responsabilização dos autores.

Os ataques dirigidos à governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, provocaram manifestações de solidariedade de lideranças políticas femininas de Brasília. A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, se solidarizou com Lyra e afirmou que também enfrenta episódios semelhantes em sua gestão. “Sigo aqui torcendo por você e desejando que você atravesse tudo isso com serenidade, força e fé”, afirmou Celina.

A senadora Damares Alves também se manifestou. “O ataque a nós mulheres é sempre na honra, na moral, ataque às nossas famílias”, disse a parlamentar. Para a senadora, a reação dos adversários estaria relacionada à projeção política de Lyra. “A sua força é que está incomodando. A sua liderança é que desperta tanta ira nos adversários.”

A denúncia envolvendo João Campos ganhou força após a exoneração, na quarta-feira (26/8), de Amisadai Andrade da Silva do cargo de superintendente de operações da Arena Pernambuco. Reportagem da TV Record apontou o servidor como integrante de um grupo denominado “Gabinete do Ódio”, que produziria e distribuiria nas redes sociais conteúdos contra o candidato para favorecer Raquel Lyra.

Também há suspeitas, segundo a denúncia, de que recursos públicos teriam sido utilizados para financiar a estrutura por meio de contratos com agências de publicidade. As acusações ainda precisam ser apuradas pelas autoridades.

O episódio repercutiu em Brasília. O vice-presidente Geraldo Alckmin manifestou solidariedade a João Campos e defendeu uma campanha sem ataques pessoais. “João Campos, você tem o meu apoio e a minha solidariedade contra essa rede de ódio revelada pela imprensa nacional”, afirmou.

O senador Humberto Costa (PT), candidato à reeleição, também criticou as ofensas. O parlamentar afirmou que a campanha não pode substituir o debate de propostas por “mentiras e ataques anônimos à honra”. Para o petista, os responsáveis devem ser identificados e punidos para garantir uma disputa dentro das regras democráticas.

Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) 2027 será votada nesta segunda (31), no plenário da Alepe

Por Betânia Santana

No último dia para ser sancionada, a Assembleia Legislativa de Pernambuco vota em plenário, nesta segunda-feira (31), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que estabelece uma receita de R$ 57,4 bilhões para o próximo ano.

Enviado pela governadora Raquel Lyra (PSD) no dia 31 de julho, o Projeto de Lei nº 4235/2026 foi aprovado por unanimidade pela Comissão de Finanças, Orçamento e Tributação no dia 18 deste mês.

Para agilizar o trâmite e garantir a aprovação antes das eleições, os parlamentares discutiram, analisaram e votaram a matéria na Comissão de Finanças no mesmo dia.

“Após a devida tramitação da LDO na Comissão de Finanças, decidimos concentrar os trabalhos em uma reunião. Dessa forma, garantimos a apreciação e a votação dessa matéria, que é tão importante para o andamento e o desenvolvimento das ações governamentais”, pontuou o presidente do colegiado, deputado Antonio Coelho (União).

Agora a proposta precisa de maioria simples para ser aprovado em plenário. Pelo menos 25 deputados devem estar presentes. Após a votação, o presidente da Casa, deputado Álvaro Porto (MDB), encaminha o projeto para sanção da governadora.

“Todos os projetos enviados até agora para a Assembleia foram analisados e votados. Não tem nenhum projeto do governo do estado que tenha deixado de ser aprovado. Esse também vai ser colocado em votação e a gente sabe que será aprovado”, declarou o presidente Álvaro Porto.

Planejamento
A proposta, segundo a Secretaria de Planejamento, Gestão e Desenvolvimento Regional (Seplag-PE),  estabelece as prioridades e metas fiscais de curto prazo alinhadas à capacidade financeira do estado e às demandas da população

O governo estabeleceu R$ 27,2 bilhões para despesas com pessoal e encargos em 2027. As demais despesas correntes somam R$ 21,3 bilhões.

O PLDO, elaborado pela Seplag-PE, define ainda receitas totais de R$ 59,2 bilhões para 2028 e R$ 63,1 bilhões para 2029.

“O projeto que elaboramos segue o princípio do equilíbrio das contas do Estado, as prioridades estabelecidas em áreas como saúde, educação, segurança, assistência social, além de reforçar o espaço para investimentos estruturantes”, afirmou o secretário de Planejamento, Gestão e Desenvolvimento Regional, Fabrício Marques.

Extraordinária
A Alepe também eraliza nesta segunda sessão extraordinária para analisar oito projetos enviados pelo Executivo em caráter de urgência, entre eles o que institui o Novo Programa Especial de Recuperação de Créditos Tributários (Perc 2026), referente ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS), e modifica a Lei nº 15.730, de 17 de março de 2016.

Entre as proposta há também uma que altera a Lei nº 13.494, de 2 de julho de 2008, que cria o Sistema Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável (Sesans) para assegurar o direito humano à alimentação adequada.

Na pauta também está prevista a votação, em segunda discussão, de um projeto de lei que dispõe sobre medidas relativas à realização da Copa do Mundo Feminina da Fédération Internationale de Football Association (FIFA) 2027, em Pernambuco.

João Campos defende parceria do Estado com agricultura familiar

O candidato ao governo de Pernambuco, João Campos (PSB), visitou neste sábado (29) o Assentamento Normandia, em Caruaru, no Agreste, onde participou de uma reunião com agricultores ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O encontro teve como objetivo ouvir as principais demandas das famílias e discutir propostas para a agricultura familiar no estado.

A agenda contou com a participação do candidato a vice-governador, Carlos Costa (Republicanos), e do candidato à reeleição ao Senado, Humberto Costa (PT). João também foi recebido pela deputada estadual Rosa Amorim (PT), que disputa uma vaga na Câmara Federal.

Entre os temas discutidos estiveram o fortalecimento da produção agrícola, infraestrutura dos assentamentos, acesso à água, educação, saúde, esporte e políticas voltadas às mulheres do campo.

Durante o encontro, João Campos afirmou que a agricultura familiar deve receber maior participação do poder público, principalmente por sua importância na geração de renda e no abastecimento da população.

“O Estado tem que ser sócio da agricultura familiar. O Estado precisa colocar dinheiro para fazer infraestrutura, garantir compra pública e tirar a força do atravessador, que muitas vezes sufoca quem está produzindo”, afirmou.

O candidato também falou sobre propostas para ampliar os serviços de saúde em Caruaru. Entre as medidas citadas estão a construção do Hospital da Criança do Agreste e a reabertura do Hospital Regional Jesus Nazareno.

Segundo João, também é necessário ampliar a oferta de tratamento oncológico e de outras especialidades na região, além de investir em equipamentos e serviços de saúde.

Durante a visita, Rosa Amorim entregou a João uma carta de compromissos elaborada a partir das reivindicações apresentadas pelos integrantes do movimento. A deputada destacou que a reforma agrária envolve não apenas o acesso à terra, mas também a garantia de infraestrutura e serviços públicos para as famílias.

“A nossa luta é por terra, por casa, por infraestrutura, por água, por escola, por saúde e por cultura. A luta que nós travamos é uma luta por dignidade de vida”, declarou Rosa.

Ao final da reunião, João Campos recebeu o termo de compromissos do movimento e afirmou que pretende manter o diálogo com os movimentos sociais na elaboração de políticas para o campo.

“A luta pela água, pela terra, pela educação e pelos direitos fundamentais é o que a gente precisa. A gente precisa de gente que leve a vida real para dentro do governo”, afirmou o candidato.

*Com informações da assessoria