O inquérito sem fim que permite a Moraes perseguir até um colega

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e André Mendonça – Antonio Augusto/STF

O Brasil que se aproxima do feriado de sua independência encontra o desafio de provar que não é uma republica de bananas mais uma vez. Para não ser uma república de bananas é preciso garantir que suas instituições funcionam para servir ao povo e não aos ocupantes dos cargos públicos. Para servir ao povo é necessário que até integrantes da mais alta corte judiciária do país prestem contas à população por seu comportamento. Ao invés de usarem o cargo para perseguir quem os questiona. E, se isso não for possível, é necessário admitir que não vivemos mais em uma plena democracia,

O episódio em que o ministro Alexandre de Moraes usa um inquérito aberto há quase oito anos para atacar o colega André Mendonça, após ter sido exposto numa investigação da Polícia Federal pelo relacionamento promíscuo que mantinha com um ex-banqueiro preso, é o capítulo mais preocupante dessa novela. O inquérito das FakeNews foi iniciado em março de 2019 e acabou transformado em ferramenta controlada pelo ministro Moraes para perseguir qualquer um que o questione. Dentro dele, o funcionário público sob a toga do Supremo vira vítima, investigador, delegado, promotor, juiz e único recurso. Questiona-se o motivo de ele nunca encerrar o inquérito. Alguém quer motivo maior do que poder personalizar todo o estado em si mesmo? Moraes realiza o sonho de Luís XIV da França. Não é pouca coisa.