Crise no STF avança entre independentes e aumenta o risco para Lula

Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF)Por Igor Maciel

A crise do Supremo Tribunal Federal já chegou à eleição. A Quaest mostra que 56% dos brasileiros não confiam na Corte e apenas 9% confiam muito. Um tribunal com tamanho poder e tão pouca confiança pública vira parte da disputa, mesmo sem pedir voto. Pior ainda quando seus ministros oferecem ao eleitor uma briga pública, personagens definidos e suspeitas suficientes para abastecer o imaginário popular contra a corrupção por meses, incluindo a campanha até outubro.

Desgaste

Em agosto, 46% diziam não confiar no STF. Agora são 56%. No mesmo período, o grupo que confiava muito caiu de 18% para 9%. Em apenas um mês, a desconfiança cresceu dez pontos e a confiança mais sólida foi reduzida pela metade.

O desgaste atingiu quase todos os grupos. Entre os lulistas, a desconfiança passou de 27% para 30%. O movimento mais grave ocorreu entre os que confiavam muito na Corte. Eram 41% em agosto e agora são 23%. Até onde havia simpatia política, começa a faltar disposição para defender o tribunal.

Entre os bolsonaristas, a rejeição continua elevada, com 69%. Esse número já foi maior e chegou a 83% em março. A crise atual, portanto, não está apenas reforçando uma hostilidade antiga. Ela avança mudando de lado também. Na medida em que os bolsonaristas se identificam com Mendonça no embate contra Moraes, a confiança deles melhora.

Independentes

Entre os independentes, a parcela dos que não confiam no STF saltou de 50% para 65%. Uma alta de quinze pontos em um mês. É nesse mesmo grupo, talvez não por acaso, que Flávio Bolsonaro (PL) apresenta um de seus melhores resultados contra Lula (PT).

No segundo turno, Flávio tem 36% entre os independentes. Lula aparece com 26%. Na rodada de 7 de setembro, o placar era de 32% a 28%. A diferença cresceu de quatro para dez pontos e saiu da margem de erro específica do segmento.

Há ainda 29% que votariam em branco, anulariam ou não votariam e outros 9% de indecisos. Flávio lidera, mas o grupo permanece bastante disponível. São eleitores que desconfiam do Supremo e ainda não decidiram se essa insatisfação será suficiente para levá-los até o candidato do PL.

A pesquisa não afirma que uma coisa provocou a outra. A política, porém, não costuma esperar por uma certidão. Quando a rejeição a uma instituição cresce no mesmo eleitorado em que avança o candidato que a combate, qualquer campanha minimamente atenta sabe o que fazer com a coincidência.