Quaest: Crise do STF anima o eleitor de direita e pode ajudar Flávio Bolsonaro

O presidente Lula (PT), candidato à reeleição e Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PLPor TEREZINHA NUNES

Ouvidos pela Quaest em pesquisa divulgada esta segunda-feira, 67% dos brasileiros afirmaram que a crise do STF que vai mobilizar a opinião pública brasileira esta terça-feira quando o pleno do Supremo decide se autoriza ou não uma investigação sobre a conduta do ministro Alexandre Moraes, não terá “nenhuma influência” sobre voto para presidente da República no dia 4 de outubro, já 22% disseram que a crise reforça a escolha já feita e apenas 7% admitem a possibilidade de mudar o voto, de acordo com os acontecimentos.

Em uma eleição muito disputada na qual Flávio Bolsonaro, nesse mesmo levantamento da Quaest, aparece com 42% das intenções de voto no segundo turno e Lula tem 40% – foi a primeira vez em pesquisa do Instituto que Flávio ultrapassou Lula – a possibilidade de que 7% dos eleitores venham a mudar o voto com o desdobrar da crise, já é suficiente para alertar os dois candidatos pois o resultado, para um ou para outro, pode acabar com uma diferença mínima.

O cientista político e diretor da Quaest Felipe Nunes disse, ao apresentar o resultado na Globo News, que um dado significativo da mostra é o fato de que, no segmento ideológico, muito presente nesta eleição presidencial, 40% dos eleitores de direita e 35% dos bolsonaristas declararam que a crise reforça o desejo de comparecer às urnas e votar, quando entre os de esquerda e os lulistas esta disposição chega apenas a 10%. Entre os independentes o percentual é de 19%.

Nessa situação ele afirmou que neste momento a crise pode beneficiar Flávio Bolsonaro, mesmo que ele esteja enfrentado uma investigação sobre o financiamento pelo Banco Master – leia-se Daniel Vorcaro – do filme Dark Horse, sobre a vida de Jair Bolsonaro, seu pai, ao qual ele pediu e cobrou recursos para custear a película. Lembrou que a mobilização dos eleitores para votar no dia da eleição será fundamental e como a direita, diante da crise, se mostra mais animada do que a esquerda para comparecer às urnas e lutar por mudança, Flávio poderia ser beneficiado.

O levantamento mostrou também que neste momento a crise do STF já é do conhecimento de grande parte da população brasileira ao ponto de 48% dos entrevistados terem declarado que estão bem informados sobre ela, 27% disseram que sabiam da crise mas não estavam bem informados e apenas 25% afirmaram que não tinham tomado conhecimento. Indagados sobre quais os segmentos estariam mais afetados pelo problema criado na Suprema Corte, 46% afirmaram que todos, 17% citaram o STF, 15% a família Bolsonaro e 9% o presidente Lula.

Apoio a Mendonça

Indagados sobre quem tem agido corretamente no episódio 37% citaram o ministro André Mendonça, 16% o ministro Alexandre de Moraes, 20% nenhum e 2% os dois. Nunes considerou impressionante o fato de 73% dos entrevistados afirmarem que já sabiam dos problemas que envolviam o ministro Alexandre de Moraes. Ao responder a uma pergunta sobre o fato do sentimento de mudança no comportamento do STF vir a afetar o presidente já que ele vai participar de uma eleição e estava se vinculando a Alexandre de Moraes nos últimos dias, Nunes disse que sim é possível que isso aconteça. Afirmou ainda que em hora de mudança quem acaba mais afetado é quem está no poder.