Lula promete fim das bets: ‘Não é uma guerra, é uma decisão’

O ato Por Paulo Floro e Rafaela Soares

O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (23/9), que pretende acabar com as casas de apostas virtuais, as bets. Durante o ato “Cultura com Lula”, realizado na Fundição Progresso, no bairro da Lapa, no Rio de Janeiro (RJ), o candidato criticou os impactos das apostas sobre a população de baixa renda e questionou o financiamento de clubes de futebol por empresas do setor.

Atendendo a apelos feitos por artistas e pelo prefeito carioca, Eduardo Cavaliere, durante o evento, Lula voltou a criticar o avanço das bets e afirmou que avalia medidas regulatórias e restrições ao setor.

“As bets não oferecem entretenimento pra ninguém e agora ficam financiando os times com o dinheiro do pobre”, disse Lula. “Pois é o pobre que joga, é o pobre que fica doente, que se mata. Então, nós vamos acabar com as bets. Essa não é uma guerra, é uma decisão”, afirmou o candidato.

Lula também criticou a dependência dos times de futebol brasileiros em relação às empresas de apostas e lembrou que muitos clubes conquistaram campeonatos mundiais antes da existência das bets.

Cultura como política de Estado

O ato “Cultura com Lula” reuniu cerca de 100 artistas, produtores e lideranças do setor cultural, incluindo Chico Buarque, Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho, Daniela Mercury, Fernanda Abreu, Lenine e Chico César, além da ministra da Cultura, Margareth Menezes.

Durante a atividade de campanha, Lula defendeu a elaboração de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para consolidar a cultura como uma política de Estado permanente, impedindo a descontinuidade de programas a cada troca de governo.Durante a atividade de campanha, Lula defendeu a elaboração de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para consolidar a cultura como uma política de Estado permanente, impedindo a descontinuidade de programas a cada troca de governo.

A proposta, segundo o candidato, busca garantir a estabilidade dos mecanismos de fomento do setor público e evitar a descontinuidade de políticas e estruturas, como o próprio Ministério da Cultura.

“Temos que saber como podemos fazer para criar uma emenda que pegue a centralidade da cultura e transforme ela numa política de Estado, ou seja, que não pode mexer, não pode mudar a cada governo”, disse Lula.

Atualmente, a Constituição determina que os estados devem garantir o acesso aos bens culturais e valorizar a difusão das manifestações. A Carta também prevê o Plano Nacional de Cultura, de caráter plurianual, e o Sistema Nacional de Cultura.

Lula também criticou a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro na área. “Bolsonaro destruiu não apenas o Ministério da Cultura, mas também o do Trabalho, destruiu o da Indústria e Comércio”, afirmou.