Por Beatriz Santana
O cientista político Rudá Ricci classificou, em entrevista à Rádio Folha 96,7 FM, na manhã desta quarta-feira (16), a sessão histórica do Supremo Tribunal Federal (STF) realizada na terça-feira (15), como uma troca de ataques pessoais em detrimento da defesa da Constituição.
A reunião tinha como finalidade discutir pela primeira vez a abertura de uma investigação contra um de seus próprios ministros, Alexandre de Moraes, mas terminou suspensa e sem uma decisão final após um pedido de vista.
“A Suprema Corte é constituída de pessoas que são ilibadas e tecnicamente qualificadas. Ontem, no entanto, o que vimos foi uma relação de ataque mútuo, extremamente virulento. O que menos se entendia alí era a defesa da Constituição”, comparou.
Da perspectiva do cientista político, o posicionamento dos ministros tem potencial, por exemplo, de influenciar o andamento da eleição. “A polarização político-partidária e eleitoral que estamos vivendo entre bolsonarismo e lulismo transbordou para o STF. O que é muito ruim, porque a população fica em dúvida sobre a referência do ministro na hora dela votar e julgar”, afirmou.
Rudá, no entanto, sinalizou o aspecto positivo. “Por outro lado, tem uma vantagem, a gente despe o Judiciário desse manto sagrado de que eles são intocáveis ou que não têm posições políticas”, analisou.
Rudá lembrou o panorama das intenções de voto para o cargo de presidente da República mais recentes para salientar que, apesar de estar em alta, o debate sobre o atual cenário do STF, para ele, não superará o foco dos últimos dias da campanha eleitoral.
“Nas últimas eleições do Brasil, a normalidade é um ataque virulento de um lado contra o outro, principalmente nessa polarização de lulismo versus bolsonarismo. Eu acho que o STF vai sair de cena”, finalizou.