Quaest: Lula tem 42% e Flávio Bolsonaro, 41%, em cenário de 2º turno

Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro estão tecnicamente empatados/Fotos: Ricardo Stuckert e Charles Vieira
Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro estão tecnicamente empatados (Fotos: Ricardo Stuckert e Charles Vieira)

Presidente e senador estão tecnicamente empatados; levantamento testa pela primeira vez confronto entre Lula e Augusto Cury

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparecem tecnicamente empatados em uma eventual disputa de segundo turno pela Presidência da República, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (2).

No confronto direto entre os dois, Lula registra 42% das intenções de voto, enquanto Flávio aparece com 41%. A diferença de apenas um ponto percentual está dentro da margem de erro do levantamento, de dois pontos para mais ou para menos.

Na comparação com a rodada anterior da Quaest, divulgada em 14 de agosto, o presidente oscilou um ponto para baixo, de 43% para 42%. Flávio, por sua vez, passou de 40% para 41%. As duas movimentações ocorreram dentro da margem de erro.

Brancos, nulos e eleitores que afirmam que não vão votar representam 13% nesse cenário. Outros 4% se dizem indecisos.

A Quaest simulou cinco possíveis confrontos de segundo turno. Além de Flávio Bolsonaro, foram testados contra Lula os candidatos Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante).

Pela primeira vez, o instituto incluiu Cury em uma simulação de segundo turno. O escritor ganhou espaço na corrida presidencial nas últimas semanas e aparece em terceiro lugar no primeiro turno da nova rodada da pesquisa.

Lula vence demais adversários

Apesar do empate técnico com Flávio Bolsonaro, Lula aparece numericamente à frente dos outros quatro adversários testados pela Quaest em um eventual segundo turno.

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IGOR MACIEL: No escândalo de Moraes, o Supremo precisa decidir se julga para dentro como julga para fora

Viviane Barci de Moraes e o ministro do STF Alexandre de Moraes – Divulgação

A situação de Alexandre de Moraes deixou de ser a da mulher de César, de quem se esperava não apenas honestidade, mas também aparência de honestidade. Essa segunda exigência o ministro já não conseguia cumprir desde que se tornou conhecido o contrato milionário firmado entre o Banco Master e o escritório de sua esposa, Viviane Barci. Agora, porém, a questão se agravou. As informações reunidas pela Polícia Federal aproximam pessoalmente Moraes de Daniel Vorcaro e tornam cada vez mais difícil apresentar a relação como um assunto restrito à atividade profissional de sua mulher.

A República depende de regras que também alcancem aqueles que têm poder para aplicá-las. Quando surgem indícios dessa gravidade envolvendo um ministro do Supremo Tribunal Federal, a resposta não pode ser o silêncio, a proteção corporativa ou a fabricação de uma explicação conveniente. A manutenção de um mínimo de moralidade pública depende de que o malfeito, se comprovado, produza consequências. Caso contrário, as instituições começam a perder a autoridade que reivindicam sobre toda a sociedade.

Em resumo, há momentos em que a manutenção saudável da democracia depende de que sejam punidos ou afastados aqueles que precisam ser punidos ou afastados.

Como explicar?

Os elementos revelados pelo Estadão nas últimas horas vão muito além da existência de um contrato. Metadados encontrados pela PF indicam que Moraes teria aberto e editado a minuta do acordo entre o Master e o escritório da esposa. A banca afirma que o ministro foi consultado para verificar possíveis impedimentos legais. A explicação confirma, de qualquer maneira, que ele participou da discussão de um negócio que poderia render cerca de R$ 131 milhões à própria família.

Mensagens também apontam pelo menos seis encontros entre Moraes e Vorcaro. Em uma conversa, o banqueiro reclamou do atraso de uma parcela milionária destinada ao escritório e tratou o pagamento como prioridade. Houve ainda a negociação de um segundo contrato, de R$ 50 milhões, que previa a transferência de cotas de um jato e de um helicóptero. O escritório nega que esse acordo tenha sido efetivado, mas não nega que foi discutido.

Outro registro mostra Vorcaro autorizando cartões do Banco Master para dois filhos do ministro. A mensagem menciona “limite de 300 para cada”, valor interpretado nas investigações e nas reportagens como R$ 300 mil por cartão. O pedido teria partido de um integrante do escritório de Viviane Barci e recebido o aval pessoal do então controlador do banco.

Cada informação isolada poderia receber uma explicação. mas o conjunto exige algo maior. Contrato milionário, participação de Moraes na análise da minuta, pagamentos tratados como prioritários, cartões para os filhos, encontros frequentes e negociação envolvendo aeronaves formam uma relação financeira, pessoal e institucional que já não cabe na versão de que tudo dizia respeito apenas à atividade profissional da esposa e que nada se relaciona com o ministro.

Grave

O ponto mais perturbador surge nas conversas anteriores à prisão de Vorcaro, segundo os dados da PF. O banqueiro teria procurado Moraes para saber se deveria deixar o Brasil. A pergunta foi feita dois dias antes de ele ser preso pela Polícia Federal quando tentava embarcar em um jato particular para o exterior.

Vorcaro também teria pedido ajuda para bloquear ou retardar investigações. Nas mensagens aparecem referências à necessidade de proteção do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Em outra conversa, o banqueiro afirmou que Moraes daria um “aperto” em Gonet. Isso ainda precisa ser investigado e não permite concluir que o procurador-geral ou o chefe da PF tenham atendido a qualquer solicitação. Permite, contudo, questionar por que Vorcaro acreditava ter influência suficiente para buscá-los por intermédio de um ministro do Supremo.

A suspeita que se coloca é gravíssima. Vorcaro buscava apenas um conselho pessoal ou consultava Moraes sobre a conveniência de fugir? Recebeu alguma informação antecipada sobre a operação? Houve tentativa de interferir na Polícia Federal ou na Procuradoria-Geral da República? São perguntas que não podem ser respondidas pelos próprios envolvidos nem encerradas por uma nota de assessoria.

Na carne

Os colegas de Moraes, outros ministros do STF, agora enfrentam uma decisão incômoda. Investigar um integrante da própria Corte significa cortar na própria carne. Evitar a investigação, diante do que foi revelado, representaria um dano ainda maior.

A credibilidade do Supremo não será protegida ocultando dúvidas sobre um de seus ministros, ainda mais com tantos indícios colocados pela investigação. Será preservada apenas se a instituição demonstrar que as exigências impostas aos demais também valem dentro de suas paredes. O STF que julga para fora também deve julgar para dentro.

Moraes deveria, pelo bem do STF, se é que ainda respeita a instituição, afastar-se das funções temporária ou definitivamente. Com isso, permitiria uma apuração sem a sombra do poder que acumulou e facilitaria a decisão dos colegas que hoje constrangem-se de investigá-lo. Permanecer julgando, determinando diligências e ordenando prisões enquanto pairam suspeitas dessa dimensão sobre sua própria conduta expõe toda a Corte.

Quando uma instituição relativiza seus princípios para livrar uma autoridade, abre o caminho para que amanhã outra autoridade exija o mesmo tratamento. Logo, a exceção vira regra e já não restará nada capaz de sustentar a República. Justiça sem coerência, sem isonomia é Justiça sem justiça, que se transforma apenas em poder. Como um saco vazio que não pode ser pilar da democracia porque não consegue sustentar nada.

Os princípios éticos fundamentais da magistratura, descritos no Código de Ética da Magistratura, incluem independência, imparcialidade, transparência, integridade pessoal e profissional, diligência e dedicação, cortesia, prudência, sigilo profissional, conhecimento e capacitação, dignidade, honra e decoro. A pergunta objetiva é: Alexandre de Moraes ainda reúne condições morais para atender a esses princípios e seguir como ministro, julgando, mandando investigar e prendendo outras pessoas?

Moraes ou Mendonça: quem terá maioria no caso Master no STF? Entenda

O ministro André Mendonça pretende levar ao plenário do STF (Supremo Tribunal Federal), na próxima semana, o relatório da PF (Polícia Federal) que aponta ligações entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A iniciativa contraria o parecer do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que defendeu a anulação e o arquivamento da investigação.

Gonet apontou irregularidades na condução e apuração do caso e questionou a decisão de Mendonça de investigar um colega ministro do STF.

Vale lembrar que o regimento interno da Suprema Corte estabelece que o plenário tem competência exclusiva para processar e julgar os próprios ministros em crimes comuns.

Contagem de votos

Segundo apuração do analista de Política Caio Junqueira, durante o Grande Debate Eleições, Mendonça está mapeando votos para formalizar um pedido de abertura de investigação contra Moraes.

O STF conta atualmente com 10 ministros, uma vez que há uma vaga em aberto — a que seria ocupada por Jorge Messias, cuja indicação foi rejeitada pelo Senado. Como Moraes não votaria em um caso que envolve a própria investigação sobre ele, o julgamento contaria com nove ministros.

De acordo com o analista, há pelo menos três votos considerados contrários à abertura de investigação: Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Flávio Dino. Do lado favorável a Mendonça, estariam, em princípio, o próprio Mendonça, Luiz Fux e Edson Fachin. Isso deixaria quatro votos em aberto, que serão determinantes para o desfecho da votação.

Os votos incertos

Entre as incógnitas está o ministro Dias Toffoli, que também teria envolvimentos com Daniel Vorcaro e cuja participação na votação ainda é incerta. Toffoli mantém relação próxima com Mendonça, após desgaste com a ala de Gilmar Mendes, Moraes e Zanin após uma reunião secreta que teria sido gravada e cujo vazamento os ministros atribuem a ele. Caso opte por votar, poderia ser um voto favorável a Mendonça.

Outro nome em aberto é Nunes Marques, considerado um voto alinhado a Mendonça.

Já Cármen Lúcia, que não teria boa relação com Mendonça mas mantém proximidade com Moraes, é descrita como uma ministra suscetível à opinião pública — fator que pode pesar em um julgamento televisionado ao vivo, em meio a editoriais de jornais pedindo até a renúncia de Moraes.

O mapeamento feito pelo entorno de Mendonça aponta uma maioria favorável a ele, mas Caio Junqueira ressalta que nada está garantido, já que muita coisa pode acontecer até a data do julgamento.

Para o analista, caberá a Edson Fachin definir a data para que os ministros analisem o relatório e decidam pela abertura ou não de uma apuração formal.

Entorno de Lula reconhece dificuldade de o presidente se descolar de Moraes

As mensagens trocadas entre o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, reveladas pelo relatório da Polícia Federal nesta terça-feira (1º), prometem repercutir no cenário eleitoral brasileiro. Segundo a analista de política da CNN Jussara Soares ao CNN Prime Time, o principal desafio para a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será tentar desassociar sua imagem da de Moraes diante da opinião pública.

Relação “pouco republicana” exposta pelo relatório da PF

Jussara destacou que os documentos periciados pela Polícia Federal mostram uma relação “bem pouco republicana” entre Moraes e Vorcaro.

Embora o relatório não envolva diretamente Lula nos fatos investigados, a analista ressaltou que a questão central, neste momento, é de imagem.

Por que Lula tem dificuldade de se distanciar

De acordo com a analista, aliados do próprio Lula reconhecem que a associação entre o petista e Moraes já está consolidada na percepção pública. Um dos fatores que contribuiu para isso foi o fato de Moraes ter sido o relator do inquérito da trama golpista que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Além disso, Jussara lembrou que foi na casa de Moraes que ocorreu um encontro entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre — episódio que, segundo ela, foi “patrocinado por Alexandre de Moraes” e contribuiu para reforçar a percepção de proximidade entre os dois.

Ainda que Lula esteja sendo aconselhado a se manter distante e a não fazer comentários sobre o caso neste momento de temperatura elevada, há um reconhecimento interno de que “isso é bastante difícil”, segundo a analista.

“Por mais que o presidente Lula esteja sendo aconselhado a tomar uma distância, há uma preocupação de buscar se distanciar deste caso”, disse Jussara.

Impacto nas campanhas e o contexto eleitoral

O relatório da PF, cujo sigilo foi levantado por André Mendonça, foi celebrado pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — especialmente em um momento em que Flávio tem sido cobrado a se explicar sobre a questão do Dark Horse.

Para Jussara Soares, este é mais um capítulo de uma eleição que passa, de forma central, pelo STF e pelos inquéritos da Polícia Federal. “Hoje é um capítulo, mais um capítulo — talvez o mais importante até aqui — de tudo que a gente tem acompanhado”, avaliou a analista.

Jussara ponderou que ainda não é possível afirmar se as revelações serão definitivas para o resultado eleitoral, mas ressaltou que o impacto é inegável.

“Há impacto. A gente não sabe ainda se isso vai ser definidor da eleição, mas que tem impacto e isso preocupa muito a campanha do presidente Lula”, concluiu.

Orçamento de 2027: governo estima salário mínimo de R$ 1.741 e não reajusta Bolsa Família

Foto: Marcello Casal/JrAgência Brasil

O Governo Federal enviou a Proposta de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 (PLN 24/2026) ao Congresso Nacional na última segunda-feira (31). Entre os pontos abordados para o orçamento do ano que vem, o Executivo estima o salário mínimo no valor de R$ 1.741, inflação de 3,6% e crescimento do produto interno bruto (PIB) de 2,46%. Os valores para o Programa Bolsa Família não foram reajustados.

O documento também apresenta as expectativas de arrecadação e a fixação de quanto o governo vai gastar em cada área. Pelo texto, o Executivo prevê taxa básica de juros (Selic) em 12,53% e câmbio médio de R$ 5,22 para o dólar.

Salário mínimo

O reajuste do salário mínimo para 2027 de R$ 1.741 representa aumento de R$ 120 em relação ao valor atual, de R$ 1.621. O valor equivale a uma alta de cerca de 7,4% no valor nominal. O montante é resultado dos 4,93% do INPC previsto em 12 meses até novembro, e incorpora mais 2,3% de aumento real.

O economista André Galhardo avalia que o aumento do salário mínimo tem efeitos positivos e negativos para a economia. De um lado, o reajuste melhora o poder de compra dos trabalhadores, principalmente das famílias de menor renda. De outro, eleva as despesas previdenciárias e pressiona as contas públicas.

Galhardo considera que o ganho real previsto para o salário mínimo é importante diante do aumento do custo de vida.

“Por outro lado, representa um ganho para o trabalhador. Nada mais justo do que promover algum ganho real, já que só ajustar o salário mínimo a partir da variação do INPC pode criar algum tipo de distorção e penalizar algumas regiões onde a variação do índice nacional de preço ao consumidor, que é utilizada como parâmetro para reajuste, foi eventualmente maior do que a média nacional”, explica o economista.

Segundo ele, o aumento pode reforçar o poder de compra das famílias de menor renda, que ainda sentem os efeitos da alta de preços desde a pandemia, especialmente nos produtos essenciais e com alimentação, como proteína animal.

Bolsa Família

O PLOA 2027 reserva R$ 157,09 bilhões para o programa Bolsa Família. O montante ficou abaixo dos R$ 158,6 bilhões que constam no Orçamento de 2026 e dos R$ 167,2 bilhões projetados para 2025.

Em relação ao programa social, o economista André Galhardo avalia que a manutenção dos gastos previstos no Orçamento para 2027 acompanha a redução do número de beneficiários observada nos últimos anos. Segundo ele, a queda está relacionada tanto ao processo de revisão dos cadastros quanto à melhora do mercado de trabalho.

“A gente viu um aumento significativo do número de beneficiários na esteira das eleições de 2022. O volume de pessoas que recebem o Bolsa Família aumentou de forma substancial e vem caindo desde 2023, seja por ações do governo, que vem passando pente-fino para avaliar se as pessoas que estão recebendo de fato se enquadram no programa, ou pela questão do mercado de trabalho”, destaca.

“Um mercado de trabalho forte que certamente contribuiu para a redução do número de beneficiários do Bolsa Família”, completa.

Superávit primário

Conforme o texto do Executivo, o superávit primário – que é a diferença entre o que o governo arrecada e o que gasta – deve ficar em R$ 18,6 bilhões. O valor representa pouco mais de 0,1% do PIB. 

Segundo o Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO), o resultado ajustado, que inclui os descontos previstos pela lei do Regime Fiscal Sustentável, válido para o efeito do cumprimento da meta fiscal, é de R$ 83,4 bilhões. 

Na avaliação do economista, a previsão de superávit primário de quase R$ 19 bilhões representa um avanço na trajetória de reequilíbrio das contas públicas. Ele destaca, porém, que a margem fiscal continua estreita e exigirá esforço do governo para controlar as despesas ao longo de 2027.

“Há um processo gradual de reequilíbrio das contas públicas brasileiras, que é o melhor caminho. Um choque para produzir efeitos mais contundentes pode colocar a economia em recessão e piorar ainda mais a situação fiscal do Brasil”, menciona Galhardo.

O especialista ressalta que, diferentemente dos anos anteriores, a proposta para 2027 prevê um superávit primário efetivo nas contas públicas. Segundo ele, nos exercícios anteriores, o resultado fiscal foi beneficiado pela exclusão de determinadas despesas extraordinárias do cálculo da meta, como gastos relacionados à recuperação de desastres e precatórios.

Apesar do resultado positivo, Galhardo pondera que o espaço para novas despesas é limitado e que o governo poderá precisar contingenciar ou bloquear recursos para cumprir a meta.

“De fato, é uma margem muito apertada e, para que isso aconteça, o governo certamente terá que contingenciar, congelar, bloquear algumas despesas ao longo do caminho. Como não tem uma reforma substancial do lado da despesa, isso limita a capacidade do governo de construir superávits mais contundentes”, salienta o economista.

Para ele, o cenário exigirá atenção durante todo o próximo ano, especialmente diante de possíveis pressões sobre gastos previdenciários e do comportamento da economia.

Tramitação

A proposta do Executivo para a Lei Orçamentária Anual de 2027 será examinada pela Comissão Mista de Orçamento (CMO). Após, o texto será apreciado pelo Congresso e seguirá para sanção do presidente Lula.

Fonte: Brasil 61

FPM 2027: apenas 49 municípios devem aumentar coeficiente, apesar de 3,2 mil cidades apresentarem crescimento populacional

Imagem: Brasil 61

Um estudo da Confederação Nacional de Municípios (CNM) mostra que 3.245 municípios tiveram aumento populacional entre 2025 e 2026, mas apenas 49 cidades devem transformar o avanço em ganho de coeficiente do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) em 2027. Na outra ponta, 31 municípios podem perder coeficiente, embora a redução dos repasses seja limitada pelas regras de proteção previstas na Lei Complementar (LC) 198/2023.

O levantamento foi elaborado a partir da publicação da Portaria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 1.649/2026, que estima a população dos municípios. Os dados mostram que a população brasileira passou de 213,8 milhões em 2025 para 214,2 milhões em 2026.

Conforme a publicação, o crescimento ou recuo da população não indica, necessariamente, uma alteração efetiva nos repasses do FPM. Ou seja, apesar do aumento populacional, o resultado não deve impactar, na mesma proporção, em aumento dos repasses no ano que vem.

Pelo estudo, as atualizações das estimativas populacionais de 2026 afetarão o FPM caso os acréscimos levem os municípios a mudarem de faixa populacional. O documento aponta que o que garantirá uma maior fatia do FPM é se a proporção de quotas se elevou de um ano para o outro. Nesse caso, ganhos de coeficiente, em geral, garantem aumento de repasses.

Ganhos e perdas populacionais dos municípios

Segundo o levantamento, 3.245 municípios, ou 58% do total, tiveram aumento de população entre 2025 e 2026. Outros 1.841 perderam moradores e 485 mantiveram exatamente a mesma população registrada na estimativa anterior – sendo 406 municípios somente no Rio Grande do Sul.

Mesmo com o crescimento populacional em milhares de cidades, apenas 49 municípios devem avançar de faixa e ganhar coeficiente do FPM-Interior em 2027, conforme os dados. Entre esses municípios estão: Barbalha (CE), Cidade Ocidental (GO), Lagoa Santa (MG), Careiro (AM), Canaã dos Carajás (PA), Buenos Aires (PE), Pacaraima (RR), Brusque (SC), Caraguatatuba (SP) e Campos de Júlio (MT).

A possibilidade de ganho de coeficiente para Careiro, no Amazonas, pode passar de 1,8 para 2,2; Urucurituba, também no Amazonas, pode mudar de 1,4 para 1,8; e Canaã dos Carajás, no Pará, de 2,8 para 3,0.

Já cidades como Brusque, em Santa Catarina, podem chegar ao coeficiente máximo de 4,0 e Caraguatatuba, em São Paulo, pode passar de 3,6 para 3,8.

Outros 4.920 municípios devem manter o coeficiente atual. Já 31 municípios aparecem na estimativa da CNM com possibilidade de perda, com destaque para municípios localizados no Amazonas. Coari, por exemplo, aparece com redução do coeficiente de 4,0 para 2,6. Benjamin Constant pode passar de 3,0 para 2,0, enquanto Manaquiri pode cair de 2,0 para 1,0.

Confira a lista dos municípios que podem ter perda de coeficientes em 2027:

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João Campos participa de sabatina com a comunidade acadêmica da UPE

João Campos (PSB) participou, nesta terça (1º), de uma sabatina com a comunidade acadêmica da UPE

O candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) participou, nesta terça (1º), de uma sabatina com a comunidade acadêmica da Universidade de Pernambuco (UPE), na sede da instituição de ensino, no bairro de Santo Amaro, região central do Recife.

O encontro reuniu membros do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) e do Conselho Universitário (Consun), com representantes dos diversos segmentos do corpo discente, docente e técnico da UPE.

Após a apresentação de um vídeo institucional, a reitora Maria do Socorro de Mendonça Cavalcanti apresentou ao candidato um detalhamento sobre as diversas áreas de atuação da Universidade de Pernambuco (UPE) em seus hospitais universitários e campis.

Em seguida, João Campos apresentou suas propostas para a universidade e a educação de Pernambuco e foi sabatinado pelos representantes de professores, técnicos e estudantes da UPE sobre os temas “gestão de pessoas”, “assistência estudantil, acessibilidade e inclusão” e “autonomia universitária e infraestrutura”.

“A gente apresentou hoje na UPE uma visão do futuro de Pernambuco e a UPE está no centro desse desenvolvimento, como um vetor que vai ajudar o crescimento do Estado espalhado nas regiões, consolidando a formação, pesquisa, extensão, Para isso, a gente vai fortalecer o trabalho da UPE nos quatro cantos de Pernambuco”, comentou João Campos.

João Campos (PSB), candidato ao Governo de Pernambuco, em sabatina na UPÈ

O candidato apresentou suas propostas para a comunidade acadêmica, entre elas, estabelecer parcerias entre a universidade e os diversos arranjos produtivos do estado. João Campos também propôs a expansão do programa federal Pé-de-Meia em Pernambuco, batizada de Pé-de-Meião, com novas modalidades.

O novo programa traria o “Pé-de-Meia Férias”, com três parcelas adicionais de R$ 200 durante os meses de férias escolares para apoiar atividades culturais, esportivas e de lazer, o Pé-de-Meia Técnico (ou Tech), com extensão do benefício para estudantes da rede pública que concluem o ensino médio e entram em um curso técnico estadual e o “Pé-de-Meia Empreendedor”, com apoio com mentoria e acesso a crédito para jovens que terminam a formação técnica e desejam abrir o próprio negócio.

A expansão da universidade também está no radar do candidato. “Vamos fazer uma ação na UPE de fortalecimento no Sertão do Itaparica onde não temos a presença hoje da universidade e ela precisa estar presente. Assim como a construção de novos cursos dialogando com setores produtivos locais e o embarque digital com 10 mil jovens que vão estudar tecnologia associada ao mercado de trabalho. E a UPE também vai ser uma parceira dessa construção onde parte dessas turmas poderão ser formadas na universidade”, detalhou.

Sabatina com o candidato João Campos (PSB), na UPE

Pleitos
As diversas categorias representadas no encontro levaram ao candidato as suas principais demandas, que giram em torno da estruturação da revisão do Plano de Cargos e Carreiras, com a estruturação e ampliação do número de cargos de técnicos e professores, a realização de novo concurso público, a implantação de restaurantes universitários, assistência estudantil, garantias de inclusão e acessibilidade, melhoria na infraestrutura dos campis, o fortalecimento da autonomia universitária, entre outras.

“É importante o fortalecimento do ensino, pesquisa, extensão e inovação e também a internacionalização da universidade. E um dos pleitos da UPE e de toda a sua comunidade é a paridade de representação toda a sua comunidade é a paridade de toda a sua comunidade nos órgãos de ciência e tecnologia do estado de Pernambuco”, destacou a reitora da UPE.

João Campos se comprometeu em criar uma comissão entre governo e comunidade universitária para apresentar um plano nos seus primeiros 100 dias de governo, que seja pactuado no período de seis meses e implantado já no primeiro ano de gestão.

Advogado de Amisadai nega relação com João ou Raquel e diz que ex-servidor sofreu “armação”

Amisadai Andrade/Foto: Reprodução/Redes SociaisPor Nicolle Gomes

A defesa de Amisadai Andrade, apontado como coordenador de um suposto esquema de perseguição digital contra adversários do governo de Pernambuco, nega que ele tenha relação com a governadora Raquel Lyra (PSD) ou com o candidato João Campos (PSB). Para o advogado Luiz Rocha, que representa o ex-servidor, o caso é uma “armação.

Diante das contestações de Amisadai, uma notícia-crime foi protocolada na Polícia Federal (PF), nesta terça-feira (1°), para investigar a origem e suposta manipulação de áudios vazados. No mesmo dia, a defesa concedeu uma coletiva de imprensa.

“É um relacionamento eminentemente profissional, que eu tenha conhecimento”, comentou o advogado sobre a possibilidade de relação com Raquel ou João, que vem sendo especulada desde a repercussão do caso do suposto “gabinete do ódio”.

A defesa afirma que Amisadai seria, ainda, vítima de uma armação prévia para que tudo viesse à tona neste período eleitoral.

A defesa diz que Amisadai admite que cometeu “excessos” para simular influência governamental e seguir negociando com esse executivo, que não foi identificado, mas que nenhuma reunião com a governadora aconteceu para tratar da organização de postagens contra adversários.

“Queremos definir quem tem responsabilidade e qual a real intenção de alguém vir ao Recife, fazer contato com uma pessoa de marketing, com o portal, pedir métricas, pedir publicação, e não mais aparecer por uma ‘mudança de estratégia’. Isso foi guardado para que, em 2026, viesse à tona dentro de um processo político”, argumentou o advogado.

Com o registro da notícia-crime, a PF tem até 30 dias para decidir se instaura um inquérito, ou seja, uma investigação formal.

Relembre

Uma reportagem veiculada pela TV Record no dia 25 de agosto trouxe à tona a existência de um suposto “gabinete do ódio” arquitetado pelo governo de Pernambuco para atacar adversários políticos.

A matéria aponta que um servidor da Caixa Econômica Federal, cedido ao Governo de Pernambuco, identificado como Amisadai Andrade da Silva, seria coordenador da produção de conteúdos. Ele teve a exoneração publicada um dia depois.

A reportagem também relacionou Amisadai ao Portal de Prefeitura, que teria recebido R$ 600 mil em publicidades. Em nota, o veículo negou as acusações e disse ter sido surpreendido.

No dia seguinte à veiculação da reportagem, João Campos reagiu ao material, argumentando que seria uma prova que reforça a denúncia que vem fazendo há mais de um ano. Ele acusou, ainda, o governo do estado de promover uma “milícia digital” contra adversários políticos.

Raquel Lyra trocou a acusação com o PSB e disse que acionou o TRE sobre um “gabinete que dissemina ódio o tempo todo” e afirmou que nunca se encontrou com Amisadai.

Posteriormente, ela compartilhou um vídeo que mostra saudações do ex-prefeito do Recife a Amisadai Andrade pelo nascimento de uma filha, em 2022. João nega qualquer relação pessoal ou profissional com Amisadai.

Arena GO Recife chega ao 52º evento celebrando cinco anos de conexão entre pessoas e oportunidades

Edição especial acontece na próxima quinta-feira (3), no Compaz Leda Alves, reunindo serviços, parceiros e oportunidades de trabalho, qualificação e empreendedorismo

Cinco anos depois de chegar aos territórios do Recife para aproximar a população de oportunidades, o Arena GO Recife chega ao seu 52º evento olhando também para os desafios do futuro do trabalho. A edição comemorativa será realizada nesta quinta-feira (3), das 8h às 12h, no Compaz Leda Alves, no Parque Eduardo Campos, no Pina. Gratuito, o evento reunirá parceiros que fazem parte da trajetória do projeto, oferecendo serviços, orientações e oportunidades para a população.

Criado em 2021, no Compaz Dom Hélder, o Arena GO Recife transformou uma ação de proximidade em uma estratégia permanente de conexão com os territórios. Somente em 2026, nas dez edições realizadas até agora, o projeto já atendeu quase 7.500 pessoas. Ao longo dessa trajetória, mais de 80 parceiros participaram das ações, levando serviços, conhecimento, formação e oportunidades para diferentes regiões da cidade. A proposta também passou a integrar uma estratégia mais ampla da plataforma GO Recife, desenvolvida pela Secretaria de Transformação Digital, Ciência e Tecnologia (SECTI) em conjunto com a Secretaria de Trabalho e Qualificação Profissional (STQP).

A iniciativa combina a presença física nos territórios com atendimento humanizado e tecnologia digital. Enquanto o Arena GO leva parceiros e oportunidades para perto da população, a plataforma GO Recife amplia essa conexão no ambiente digital. Atualmente, a plataforma reúne cerca de 200 mil currículos e mais de 3,7 mil empresas cadastradas, com mais de 110 mil vagas de emprego ofertadas. Já foram mais de 2 milhões de notificações de oportunidades, mais de 22 mil candidatos convocados para entrevistas e aproximadamente 35 mil vagas gratuitas de qualificação profissional disponibilizadas.

Para o secretário de Transformação Digital, Ciência e Tecnologia do Recife, Rafael Cunha, a trajetória do Arena GO Recife mostra como a tecnologia pode ser utilizada para aproximar políticas públicas das pessoas e ampliar o acesso a oportunidades. “O Arena Go nasceu para criar conexões e aproximar as pessoas das oportunidades. Ao longo desses cinco anos, essa estratégia cresceu, ganhou novos parceiros e passou a integrar uma jornada que combina atendimento, qualificação, empreendedorismo e tecnologia. Agora, diante das transformações do mundo do trabalho, nosso desafio é ir além: não apenas conectar as pessoas às oportunidades que existem hoje, mas também ajudá-las a se preparar para as profissões e possibilidades que estão surgindo”, afirma.

A secretária de Trabalho e Qualificação Profissional, Isabella de Roldão, destaca que o Arena GO é uma política pública que aproxima oportunidades de quem mais precisa,  fortalecendo a autonomia das pessoas. “Nesses cinco anos estamos enfrentando, com êxito, o desafio de ampliar cada vez mais o acesso ao trabalho, à qualificação e ao empreendedorismo e o Arena GO tem um papel fundamental, pois chega na ponta, dialogando com a população”, afirma Isabella de Roldão.

Um olhar para o futuro

Mais do que comemorar os cinco anos de trajetória, a edição especial do Arena GO Recife propõe uma reflexão sobre os próximos desafios do mundo do trabalho. O avanço da inteligência artificial, a digitalização da economia e as novas formas de trabalho já estão transformando profissões e criando novas demandas por competências. Nesse cenário, aproximar trabalhadores, empreendedores e jovens das oportunidades existentes continua sendo fundamental, mas preparar as pessoas para as possibilidades que estão surgindo passa a ser igualmente necessário.

A estratégia também se fortaleceu na ponta do atendimento. A rede vinculada à Secretaria de Trabalho e Qualificação Profissional conta atualmente com oito Agências de Emprego, nove Salas do Empreendedor e 16 escolas profissionalizantes. As Agências de Emprego e de Empreendedorismo estão presentes em todos os Compaz e em dois equipamentos do Desenvolve Recife.

João Campos critica atuação do governo na educação e propõe ampliação dos ensinos integral e técnico

Campos: “A gente vai ampliar a educação integral que, infelizmente, reduziu."Por Yuri Costa

O candidato ao governo de Pernambuco João Campos (PSB) criticou a atuação do governo estadual na educação e propôs a ampliação dos ensinos integral e técnico. Em sabatina promovida pela Rádio Folha 96,78 FM, na manhã desta terça-feira (1º), o socialista apresentou o plano que pretende implementar na área, caso eleito.

“A gente vai ampliar a educação integral que, infelizmente, reduziu. No último censo escolar, Pernambuco perdeu mais de 20 mil matrículas de educação integral. IsAso está no censo escolar consolidado pelo Todos pela Educação. Vamos expandir a rede de ensino técnico”, disse.

Ainda segundo o candidato, o governo atual é o único em 30 anos que não construiu uma escola técnica sequer. “Vamos lançar o Embarque Digital Pernambuco. Serão 10 mil vagas em tecnologia para todo estado, para a gente formar os jovens que vieram da escola pública para trabalhar no mercado de tecnologia”, prometeu.

Campos ainda afirmou que a gestão atual da governadora Raquel Lyra (PSD) não possui um roteiro estratégico para a educação.

“Hoje, o governo do estado não tem um roteiro estratégico de investimento na educação. O maior investimento feito foi nos ônibus escolares. Isso é importante, agora é preciso calibrar esse gasto para ele ser feito na medida necessária e não ser algo exagerado e tirar de outra área”, pontuou.